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Corinthians vence Vitória no Barradão e conquista sequência inédita no Brasileirão

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Em um confronto direto pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Corinthians conquistou uma vitória crucial fora de casa, superando o Vitória por 1 a 0 no Barradão. O volante Charles, em um gol nos minutos finais, garantiu os três pontos para a equipe alvinegra, que celebra sua primeira sequência de duas vitórias consecutivas no torneio.

Com este resultado, o Timão avança para a nona posição na tabela de classificação, somando agora 39 pontos. A vitória não apenas afasta o Corinthians da zona de rebaixamento, mas também o coloca, provisoriamente, na parte superior da tabela. Em contraste, o Vitória viu sua recente fase positiva de dois triunfos ser interrompida, permanecendo na 17ª colocação com 31 pontos, dentro da temida zona de degola.

O Jogo

A partida foi marcada por momentos de intensidade e chances criadas por ambos os lados. O Corinthians teve sua primeira oportunidade de abrir o placar logo aos oito minutos, com Yuri Alberto, que, após receber passe em profundidade de Garro, teve sua finalização desviada pela zaga. Na sequência, um escanteio cobrado por Memphis resultou em uma intervenção de Lucas Arcanjo e um chute na sobra de Carrillo, defendido novamente pelo goleiro, embora o lance tenha sido invalidado por uma falta no arqueiro.

O Vitória respondeu aos 24 minutos com Erick, que invadiu a área e chutou colocado, mas a bola foi desviada. Pouco depois, Ramon teve uma grande chance cara a cara com Felipe Longo, que fez uma defesa espetacular, com o lance sendo posteriormente anulado por impedimento. O Corinthians ainda teve outra chance clara no primeiro tempo, com Matheus Bidu, que chutou à queima-roupa e parou em nova defesa do goleiro Thiago Couto. Já nos acréscimos, Yuri Alberto driblou o goleiro, mas finalizou para fora, com o lance novamente invalidado por impedimento.

No segundo tempo, a tônica de chances de lado a lado continuou. Garro, do Corinthians, cobrou uma falta que passou perto do travessão aos seis minutos. O Vitória, dois minutos depois, respondeu com Aitor, que chutou forte e obrigou Felipe Longo a fazer uma defesa importante. Com 22 minutos, Martínez arriscou de fora da área, e Thiago Couto espalmou. Aos 38, o Vitória quase marcou com Renzo López, cujo chute rasteiro passou rente à trave.

O gol da vitória corintiana veio aos 41 minutos da etapa final. Em uma cobrança de escanteio fechado de Garro, Thiago Couto espalmou. Memphis aproveitou a sobra e cruzou para a área. Em um bate-rebate, Charles subiu e cabeceou para o fundo das redes, garantindo o triunfo do Timão. Nos acréscimos, Felipe Longo ainda precisou fazer uma defesa providencial em uma cabeçada de Renzo López, assegurando a vitória do Corinthians.

Próximos confrontos

O Vitória buscará a recuperação fora de casa, enfrentando o Cruzeiro no Mineirão, no sábado, 1º de novembro de 2025, às 16h (de Brasília), pela 31ª rodada do Brasileirão.

Já o Corinthians receberá o Grêmio na Neo Química Arena, no domingo, 2 de novembro de 2025, às 16h (de Brasília), buscando manter a boa fase no campeonato.

Ficha Técnica

VITÓRIA 0 X 1 CORINTHIANS

  • Competição: Campeonato Brasileiro (30ª rodada)
  • Local: Barradão, em Salvador (BA)
  • Data: 25 de outubro de 2025 (sábado)
  • Horário: 16h (de Brasília)

Cartões Amarelos: Jair Ventura (técnico), Ronald, Lucas Halter, Matheuzinho, Ramon, Lucas Arcanjo, Camutanga (Vitória)

| José Martínez, Raniele, Breno Bidon, Garro (Corinthians)

Cartões Vermelhos: Breno Bidon (Corinthians)

Gol: Charles, aos 41 minutos do 2º Tempo (Corinthians)

Vitória: Lucas Arcanjo (Thiago Couto); Lucas Halter, Camutanga e Zé Marcos; Paulo Roberto (Matheuzinho), Willian Oliveira, Ronald (Dudu) e Ramon; Erick, Aitor e Renato Kayzer (Renzo López). Técnico: Jair Ventura

Corinthians: Felipe Longo; João Pedro Tchoca, Raniele e Gustavo Henrique; José Martínez, André Carrillo (Charles), Breno Bidon, Rodrigo Garro (Angileri) e Matheus Bidu; Memphis Depay (Gui Negão) e Yuri Alberto (André Ramalho).Técnico: Dorival Júnior

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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