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Corinthians vence o Atlético com golaço e alivia pressão no Brasileirão
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Após uma dura derrota no meio de semana, o Corinthians se recuperou e venceu o confronto direto contra o Atlético-MG na noite deste sábado (18.10), por 1 a 0, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. Maycon marcou um bonito gol de fora da área e fez a alegria da Fiel Torcida na Neo Química Arena.
O jogo
O duelo começou movimentado, com chances de gols criadas pelos dois lados. Aos oito minutos, Biel arriscou a finalização e mandou por cima do gol. Minutos depois, o Corinthians respondeu e quase abriu o placar com Yuri Alberto dentro da área, mas o atacante pegou mal na bola e chutou para fora.
A melhor chance da partida veio aos 35 minutos de jogo. Memphis fez grande jogada individual e enfiou para Matheus Bidu. O lateral esquerdo chegou cruzando de primeira e Maycon bateu para o gol, mas pegou muito embaixo da bola e mandou por cima do gol.
Logo no primeiro lance do segundo tempo, o Corinthians chegou com perigo novamente. Matheuzinho apareceu pelo lado direito e cruzou para dentro da área. Yuri Alberto, sozinho, cabeceou para fora. Minutos depois, o Atlético-MG respondeu em cabeceio de Vitor Hugo, que acertou o travessão do gol defendido por Hugo Souza.
Foi aos quatro minutos que o Corinthians abriu o placar para delírio da torcida na Neo Química Arena. Maycon recebeu de Garro, dominou na entrada da área e chutou forte, marcando um golaço para o Timão. Aos 13 minutos, Memphis teve grande chance e finalizou rasteiro, mas a bola passou rente à trave direita e foi pela linha de fundo.
Com 16 minutos, o Corinthians teve mais uma chance claríssima com Garro, Memphis e Maycon. O argentino tocou para o holandês, que carregou até o último minuto e enfiou para o volante. Ele dominou dentro da área e chutou para o gol de frente para o goleiro, mas mandou por cima.
Próximos jogos
Corinthians
- Vitória x Corinthians (30ª rodada do Campeonato Brasileiro)
- Data e horário: 25 de outubro de 2025 (sábado), às 16h (de Brasília)
- Local: Estádio Barradão, em Salvador (BA)
Atlético-MG
- Independiente del Valle x Atlético-MG (jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana)
- Data e horário: 21 de outubro de 2025 (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
- Local: Estadio Banco Guayaquil, em Quito (EQU)
Situação na tabela
Com o resultado, o Corinthians deu uma resposta à Fiel Torcida e voltou a vencer após a amarga derrota no clássico contra o Santos. O Timão ganhou um alívio e voltou a abrir distância da zona de rebaixamento, alcançando a 12ª posição, com 36 pontos – abriu oito a mais em relação ao Vitória, que abre o Z4 e ainda joga na rodada. Já o Atlético-MG caiu para o 14º lugar, permanecendo com 33 pontos.
- Corinthians: 12º colocado, com 36 pontos (nove vitórias, nove empates e 11 derrotas)
- Atlético-MG: 14º colocado, com 33 pontos (oito vitórias, nove empates e 11 derrotas)
FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 1 x 0 ATLÉTICO-MG
- Competição: Campeonato Brasileiro (29ª rodada)
- Local: Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
- Data: 18 de outubro de 2025 (sábado)
- Horário: 18h30 (de Brasília)
- Público: 39.640 torcedores
- Renda: R$ 2.871.647,80
Cartões Amarelos: Matheus Bidu, Matheuzinho e Maycon (Corinthians) – Saravia, Alan Franco e Fausto Vera (Atlético-MG)
Arbitragem:
- Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ)
- Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ) e Francisco Chaves Bezerra Jr. (PE)
- VAR: Daniel Nobre Bins (RS)
Gol: Maycon, aos 04′ do 2ºT (Corinthians)
CORINTHIANS: Hugo Souza; João Pedro Tchoca, Cacá e Matheus Bidu; Matheuzinho, Raniele, Maycon (Angileri), Breno Bidon (Charles) e Garro (Ryan); Memphis Depay (Gui Negão) e Yuri Alberto (Romero). Técnico: Dorival Júnior
ATLÉTICO-MG: Everson; Vitor Hugo, Ruan e Junior Alonso; Saravia (Natanael), Alan Franco, Fausto Vera (Gustavo Scarpa), Igor Gomes (Dudu) e Caio (Arana); Biel (Bernard) e Hulk. Técnico: Jorge Sampaoli
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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