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Corinthians surpreende Fluminense no Maracanã e sobe na tabela do Brasileirão
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Em uma noite de rara eficiência, o Corinthians conquistou uma vitória importante sobre o Fluminense por 1 a 0, neste sábado, no Maracanã, em partida válida pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. Um gol originado de bola parada, com desvio decisivo de André Ramalho, foi suficiente para o Timão levar os três pontos para casa, deixando o Tricolor Carioca em situação delicada na tabela.
A partida, que teve poucas chances claras de gol, foi decidida em um lance de bola parada no segundo tempo. Matheuzinho cobrou uma falta na área e André Ramalho, com um toque sutil de cabeça, desviou a trajetória da bola. O goleiro Fábio foi surpreendido, e a bola encontrou o fundo das redes, garantindo o triunfo corintiano.
Impacto na tabela: Timão em ascensão, Flu estagnado
Com o resultado, o Corinthians ganhou fôlego na competição, subindo três posições e alcançando a nona colocação, com 29 pontos. O Alvinegro paulista, que já soma três jogos de invencibilidade (duas vitórias e um empate), conseguiu ultrapassar o próprio Fluminense com este triunfo.
Para o Fluminense, a derrota representou uma queda para a décima posição, permanecendo com os 28 pontos que tinha antes da rodada. A equipe carioca amarga agora a terceira rodada consecutiva sem vitória, acumulando dois empates e uma derrota, o que acende um alerta na reta final do campeonato.
- Corinthians: nona posição, 29 pontos (sete vitórias, oito empates, oito derrotas)
- Fluminense: décima posição, 28 pontos (oito vitórias, quatro empates, nove derrotas)
Detalhes do confronto: Jogo de poucas emoções
O primeiro tempo no Maracanã foi marcado por poucas oportunidades. A primeira finalização significativa só veio aos 30 minutos, quando Ganso lançou Cano, que cabeceou fraco para defesa tranquila de Hugo Souza.
Na segunda etapa, o Fluminense tentou pressionar mais. Lucho Acosta arriscou de fora da área, mas Hugo Souza defendeu sem sustos. Pouco depois, Lima testou o goleiro corintiano, que novamente fez boa intervenção. No entanto, a persistência tricolor não se traduziu em gol.
O gol corintiano, por sua vez, veio da jogada que se mostrou decisiva. Aos 18 minutos do segundo tempo, Matheuzinho cobrou a falta, André Ramalho desviou de cabeça e marcou o único gol da partida, selando a vitória do Corinthians.
Próximos desafios
Enquanto o Corinthians volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro, onde enfrentará o Sport fora de casa, o Fluminense terá uma semana decisiva pela frente na Copa Sul-Americana.
- Corinthians: Enfrentará o Sport no domingo, 21 de setembro, às 17h30 (de Brasília), na Ilha do Retiro, em Recife (PE), pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro.
- Fluminense: Viajará para a Argentina para o jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana contra o Lanús, na terça-feira, 16 de setembro, às 21h30 (de Brasília), no Estádio Ciudad de Lanús – Néstor Díaz Pérez, em Buenos Aires (ARG).
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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