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Corinthians perde para o lanterna Sport e estaciona na tabela do Brasileirão
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A sequência invicta do Corinthians, que já durava cinco jogos, chegou ao fim neste domingo, na Ilha do Retiro. Em um confronto válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Sport, lanterna da competição, surpreendeu o Alvinegro e venceu por 1 a 0, com gol de Matheusinho. A derrota freia a ascensão corintiana e dá um raro respiro ao Leão da Ilha.
Com o revés, o Corinthians permaneceu com 29 pontos, mantendo a 10ª colocação na tabela. A equipe de Dorival Júnior buscava alcançar a maior sequência de jogos sem derrotas sob seu comando, mas não conseguiu superar a resistência pernambucana. Para o Sport, apesar de ainda amargar a 20ª e última posição com 14 pontos, a vitória representou um marco. Foi apenas a segunda vitória na temporada e a primeira atuando como mandante em 22 partidas, quebrando um jejum de quatro empates e duas derrotas.
Lances-chave da partida
O primeiro tempo trouxe emoções com um gol anulado para os donos da casa. Aos dez minutos, após cobrança de escanteio, Derick Lacerda desviou e Zé Lucas emendou um voleio para as redes. No entanto, o árbitro de vídeo (VAR) assinalou impedimento de Luan Cândido, e o placar permaneceu zerado. O Corinthians também teve sua chance de abrir o marcador aos 31 minutos, quando Breno Bidon aproveitou uma sobra e finalizou com força, mas a bola caprichosamente acertou a trave.
O gol que garantiu a vitória do Sport saiu logo aos quatro minutos da segunda etapa. Matheusinho, em jogada individual pela ponta direita, driblou três marcadores corintianos e finalizou com precisão, alto, sem dar chances ao goleiro Hugo Souza. Antes de entrar, a bola ainda tocou o travessão, aumentando o drama do lance.
Próximos desafios
O Corinthians terá a chance de se recuperar em casa no próximo domingo, 28 de setembro, quando receberá o Flamengo pela 25ª rodada do Brasileirão. A partida está marcada para as 20h30 (de Brasília) na Neo Química Arena.
Já o Sport buscará dar continuidade ao bom resultado no sábado, 27 de setembro, enfrentando o Fortaleza na Arena Castelão, às 16h (de Brasília), em um duelo válido pela mesma rodada do Campeonato Brasileiro.
Ficha Técnica
Sport 1 x 0 Corinthians
Competição: Campeonato Brasileiro (24ª rodada)
Local: Ilha do Retiro, em Recife (PE)
Data: 21 de setembro de 2025 (domingo)
Horário: 17h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos:
- Sport: Ramon Menezes, Matheusinho, Gabriel Vasconcelos, Derick Lacerda, Zé Lucas
- Corinthians: Matheus Bidu
Arbitragem:
- Árbitro: Savio Pereira Sampaio (DF)
- Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Leila Naiara Moreira da Cruz (DF)
- VAR: Pablo Ramon Goncalves Pinheiro (RN)
Gol:
- Sport: Matheusinho, aos 4′ do 2ºT
Escalações:
Sport: Gabriel Vasconcelos; Aderlan (Matheus Alexandre), Rafael Thyere, Ramon Menezes e Luan Cândido; Christian Rivera, Hyoran (Atencio) e Zé Lucas (Lucas Kal); Matheusinho (Chrystian Barletta), Léo Pereira (Igor Carius) e Derik Lacerda. Técnico: Daniel Paulista
Corinthians: Hugo Souza; André Ramalho, Gustavo Henrique e Angileri (Raniele); Matheuzinho (Hugo), Maycon (Dieguinho), José Martínez (Talles Magno), Breno Bidon e Matheus Bidu; Vitinho (Romero) e Yuri Alberto. Técnico: Dorival Júnior
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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