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Chelsea goleia PSG e conquista inédito Mundial de Clubes 

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O Chelsea Football Club gravou seu nome na história do futebol ao se tornar o primeiro campeão da recém-inaugurada Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Em uma performance dominante neste domingo, os Blues superaram o Paris Saint-Germain por 3 a 0, em partida disputada no MetLife Stadium. Os gols que selaram a vitória inglesa foram marcados por Cole Palmer, balançando as redes duas vezes, e pelo brasileiro João Pedro.

Com o título do Mundial, o clube londrino coroa uma temporada memorável com duas grandes conquistas. Anteriormente, a equipe comandada pelo técnico Enzo Maresca já havia levantado o troféu da Liga Conferência da Uefa, consolidando um ano de sucesso. Para o PSG, o resultado representou o fim do sonho de uma quadrupla coroa, encerrando a temporada com as taças do Campeonato Francês, Copa da França e Liga dos Campeões.

A trajetória do Chelsea na Copa do Mundo de Clubes foi marcada por uma campanha robusta, com seis vitórias em sete jogos. O único revés aconteceu na fase de grupos, quando os ingleses foram superados pelo Flamengo por 3 a 1. Na fase de mata-mata, o caminho para a glória passou por vitórias contra Palmeiras (2 a 1 nas quartas de final) e Fluminense (2 a 0 na semifinal).

O Paris Saint-Germain, por sua vez, registrou cinco triunfos e duas derrotas no torneio, sendo a primeira delas para o Botafogo, que venceu os franceses por 1 a 0 ainda na fase de grupos.

O jogo

O Chelsea iniciou o jogo de forma avassaladora, pressionando o PSG desde os primeiros minutos. Logo aos sete minutos, João Pedro orquestrou uma boa troca de passes e serviu Cole Palmer, que finalizou com perigo, tirando tinta da trave.

A persistência do jovem meia inglês foi recompensada aos 20 minutos. Após Nuno Mendes perder a posse de bola para Gusto, o lateral invadiu a área e teve sua finalização bloqueada por Beraldo. No rebote, Palmer demonstrou frieza, dominou, ajeitou para a perna esquerda e acertou um chute preciso no canto, sem chance para Donnarumma, abrindo o placar.

Apenas nove minutos depois, o Chelsea ampliou o marcador em uma jogada quase idêntica. Palmer, novamente acionado em velocidade, puxou para o meio e, com a mesma calma, chutou no mesmo canto, celebrando seu segundo gol na partida.

Antes do intervalo, aos 42 minutos, Palmer assumiu o papel de garçom, desferindo um passe magistral para João Pedro. O atacante brasileiro saiu cara a cara com o goleiro italiano e, com uma cavadinha sutil, marcou o terceiro gol dos Blues, sacramentando uma primeira etapa impecável.

Segundo tempo

Na volta para o segundo tempo, o Paris Saint-Germain tentou reagir em busca da recuperação. Aos dois minutos, Kvaratskhelia driblou Gusto e finalizou, obrigando o goleiro Sánchez a fazer uma defesa importante. Minutos depois, Sánchez voltou a brilhar, defendendo um arremate à queima-roupa de Dembélé. Aos 13, o arqueiro do Chelsea realizou mais uma grande intervenção, desviando com a ponta dos dedos um forte chute de Vitinha de longa distância.

O Chelsea também teve sua oportunidade no segundo tempo, com o recém-entrado Delap, que aos 22 minutos, disparou pelo meio e tentou acertar o ângulo, mas Donnarumma se esticou para fazer uma linda defesa.

A partir desse momento, o ritmo da partida diminuiu consideravelmente. Os ingleses passaram a administrar a larga vantagem para assegurar o tão sonhado troféu. A situação do PSG piorou ainda mais quando João Neves foi expulso, aos 40 minutos, após uma confusão com Cucurella, consolidando a vitória e o título histórico do Chelsea.

FICHA TÉCNICA

CHELSEA 3×0 PSG

Local: MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA)

Data e horário: 13/07/2025, às 16h (de Brasília)

Competição: final do Mundial de Clubes

Árbitro: Alireza Faghani (AUS)

Assistentes: Anton Shchetinin (AUS) e Ashley Beecham (AUS)

VAR: Bastian Dankert (ALE)

Público: 81.118

Cartões amarelos: Malo Gusto, Caicedo, Pedro Neto, Colwill (CHE); Nuno Mendes (PSG)

Cartões vermelhos: João Neves (PSG)

Gols: Palmer, aos 21’do 1º tempo e aos 29′ do 1º tempo; João Pedro, aos 42′ do 1º tempo (CHELSEA

CHELSEA: Sanchez; Malo Gusto, Chalobah, Colwill e Cucurella; Caicedo, Reece James (Dewsbury-Hall) e Enzo Fernández (Andrey Santos); Cole Palmer, Pedro Neto (Nkunku) e João Pedro (Delap). Técnico: Enzo Maresca.

PSG: Donnarumma; Hakimi (Mayulu), Marquinhos, Beraldo e Nuno Mendes; Vitinha, João Neves e Fabián Ruiz (Zaire-Emery); Doué (Gonçalo Ramos), Kvaratskhelia (Barcola) e Dembélé. Técnico: Luis Enrique.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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