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Brasil perde para França em amistoso na reta final da preparação para Copa do Mundo

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A Seleção Brasileira de Futebol sofreu uma derrota por 2 a 1 para a França em um amistoso preparatório para a Copa do Mundo, realizado nesta quinta-feira (26) no Gillette Stadium, em Boston, nos Estados Unidos. Mesmo com um jogador a mais no gramado durante grande parte do segundo tempo, o Brasil não conseguiu reverter o placar diante de um adversário eficiente.

O astro francês Kylian Mbappé abriu o placar para os europeus, que contaram ainda com um gol de Ekitike. Pelo lado brasileiro, o zagueiro Bremer foi o responsável por diminuir o marcador, mas não foi suficiente para evitar o revés.

Duelo de craques e oportunidades perdidas

O confronto também marcou o duelo individual entre os companheiros de Real Madrid, Mbappé e Vinícius Júnior. O camisa 10 da França teve uma atuação destacada, coroada com um gol de cobertura sobre Ederson que mostrou sua categoria. Já Vinícius Júnior, que se esperava ser um dos motores da equipe brasileira, teve uma performance mais discreta, não conseguindo imprimir seu ritmo característico.

A partida começou com a França dominando a posse de bola, mas o Brasil foi quem criou as primeiras chances de perigo. Raphinha e Gabriel Martinelli tiveram boas oportunidades que assustaram o goleiro Maignan. No entanto, foi a França quem soube aproveitar. Aos 31 minutos, após roubada de bola de Tchouaméni e lançamento preciso de Dembélé, Mbappé finalizou com frieza para abrir o placar.

Expulsão e ineficácia Brasileira

No segundo tempo, as mudanças promovidas pelo técnico Ancelotti pareciam surtir efeito. A entrada de Luiz Henrique deu um novo gás ao ataque brasileiro, que quase empatou em um chute forte do atacante. Aos sete minutos da segunda etapa, o cenário parecia favorável ao Brasil quando o zagueiro francês Upamecano foi expulso após derrubar Wesley em uma jogada de ataque, deixando a equipe europeia com dez homens.

Apesar da superioridade numérica, a Seleção Brasileira não conseguiu se impor. Pelo contrário, em um rápido contra-ataque, Olise encontrou Ekitike livre, que finalizou por cima de Ederson, ampliando a vantagem francesa para 2 a 0.

O Brasil ainda conseguiu diminuir aos 32 minutos, quando Bremer aproveitou um desvio de Casemiro após cobrança de falta de Danilo e empurrou para o fundo das redes. O gol reacendeu a esperança, e a equipe lutou até o fim em busca do empate, mas a sólida defesa francesa prevaleceu, selando a vitória por 2 a 1.

Próximos jogos

Brasil

  • Brasil x Croácia (amistoso)
  • Data e horário: 31/03 (terça-feira), às 21h (de Brasília)
  • Local: Camping World Stadium, em Orlando (EUA)

França

  • Colômbia x França (amistoso)
  • Data e horário: 29/03 (domingo), às 16h (de Brasília)
  • Local: Northwest Stadium, em Landover (EUA)

Compreendido. Aqui está a tabela sem o uso de negrito:

FICHA TÉCNICA
                                                  Brasil 1 x 2 França
Competição Amistoso internacional
Local Gillette Stadium, em Boston (EUA)
Data 26 de março de 2026 (quinta-feira)
Horário 17h (de Brasília)
Público 66.713 torcedores
Gols
França ⚽ Mbappé, aos 31′ do 1ºT
França ⚽ Ekitike, aos 19′ do 2ºT
Brasil ⚽ Bremer, aos 32′ do 2ºT
Cartões Amarelos
Brasil Léo Pereira, Casemiro, Bremer
França Konaté, Maignan
Cartões Vermelhos
França Upamecano
Arbitragem
Árbitro Guido González (EUA)
Assistentes Nick Uranga (EUA) e Cory Richardson (EUA)
VAR Tim Ford (EUA)
Escalações
Brasil Ederson; Wesley (Ibañez), Bremer, Léo Pereira e Douglas Santos; Casemiro (Gabriel Sara) e Andrey Santos (Danilo); Raphinha (Luiz Henrique), Vinícius Júnior, Gabriel Martinelli (João Pedro) e Matheus Cunha (Igor Thiago). Técnico: Carlo Ancelotti
França Maignan; Malo Gusto, Konaté, Upamecano e Theo Hernández; Tchouaméni (Kanté) e Rabiot; Olise, Dembélé (Lacroix), Ekitike (Doué) e Mbappé (Thuram). Técnico: Didier Deschamps

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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