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Bragantino vence Fluminense e assume quinta posição no Brasileirão

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Em um confronto movimentado e com muitos gols, o Red Bull Bragantino superou o Fluminense por 4 a 2 neste sábado, em sua casa, consolidando sua recuperação no Campeonato Brasileiro. Com o triunfo, o time paulista alcançou 30 pontos e saltou para a quinta colocação na tabela, enquanto o clube carioca permanece com 27 pontos, ocupando a nona posição.

A equipe da casa demonstrou sua força desde os primeiros minutos, construindo uma vantagem decisiva na etapa inicial. O Fluminense, apesar de ter esboçado uma reação, não conseguiu conter o ímpeto ofensivo do Massa Bruta, que soube aproveitar as oportunidades para garantir os três pontos.

Primeiro tempo

O jogo começou com o Red Bull Bragantino em ritmo acelerado. Com apenas um minuto de bola rolando, John John abriu o placar ao aproveitar um cruzamento e finalizar para o gol. A pressão não diminuiu, e aos três minutos, Laquintana serviu Sasha, que ampliou para 2 a 0 em uma finalização precisa na saída do goleiro Fábio.

Após o impacto dos dois gols rápidos, o Fluminense buscou se organizar e, aos poucos, passou a frequentar o campo de ataque. Cano teve duas chances, mas sem perigo real para a meta de Cleiton. O Bragantino, por sua vez, administrou a vantagem, assustando novamente aos 27 minutos com um chute de Vanderlan que raspou a rede pelo lado de fora.

Nos minutos finais do primeiro tempo, o Fluminense cresceu. Aos 40, Freytes quase marcou em um cruzamento que obrigou Cleiton a uma boa defesa. E já nos acréscimos, Canobbio encontrou Hércules na área, que diminuiu para o time carioca antes do intervalo, reacendendo a esperança tricolor.

Segundo tempo

A volta do vestiário trouxe um Bragantino determinado a reafirmar sua superioridade. Logo aos dois minutos da segunda etapa, Vanderlan cruzou e Laquintana, de cabeça, fez o terceiro gol, recolocando uma boa vantagem para os paulistas.

O gol foi um golpe para o Fluminense, que demorou a encontrar seu ritmo novamente. No entanto, aos 17 minutos, a equipe carioca conseguiu diminuir mais uma vez. Após chute de Guga e defesa de Cleiton, Lucho Acosta pegou o rebote de primeira e mandou para o fundo das redes.

Com o placar em 3 a 2, a partida se tornou um verdadeiro “lá e cá”, com ambos os times buscando o ataque. O Fluminense teve uma chance de ouro para empatar com Fuentes, que cabeceou para baixo, facilitando a defesa de Cleiton. Mas foi o Bragantino quem selou a vitória aos 35 minutos: Davi Gomes foi lançado, aproveitou um escorregão de Guga, invadiu a área e tocou na saída de Fábio, marcando o quarto gol e garantindo o placar final de 4 a 2.

Próximos desafios

Com a vitória em casa, o Red Bull Bragantino foca agora no próximo compromisso pelo Brasileirão: um duelo contra o Botafogo, no sábado, às 18h30 (de Brasília), no Estádio Nilton Santos. Antes disso, o Fluminense terá uma importante partida pela Copa do Brasil, enfrentando o Bahia fora de casa, na quinta-feira, às 19h30, na Arena Fonte Nova, pelo jogo de ida das quartas de final. Pelo Campeonato Brasileiro, o Tricolor carioca recebe o Santos no domingo seguinte, às 16h, na Vila Belmiro.

FICHA TÉCNICA

Red Bull Bragantino 4 x 2 Fluminense

Local: Estádio Cícero de Souza Marques, Bragança Paulista (SP)
Data: 23/08/2025
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Lucas Paulo Torezin (PR)
Assistentes: Sidmar dos Santos Meurer (PR) e Andrey Luiz de Freitas (PR)
VAR: Rafael Traci (SC)
Cartões amarelos: Cleiton, Laquintana e Pedro Henrique (Bragantino); Marcelo Pitaluga, Lucho Acosta e Canobbio (Fluminense)
Gols: John John, 1′ do 1º T, Sasha, 3′ do 1ºT, Laquintana, 2′ do 2º T, Davi Gomes, 35′ do 2º T (Red Bull Bragantino) / Hércules, 46′ do 1º T, Lucho Acosta, 17′ do 2ºT (Fluminense)

Red Bull Bragantino: Cleiton, Nathan Mendes, Guzmán Rodríguez, Pedro Henrique (Gustavi Marques) e Vanderlan (Guilherme Lopes); Fabinho, Eric Ramires e Praxedes (Davi Gomes); Eduardo Sasha (Thiago Borbas), Laquintana (Mosquera) e Jhon Jhon. Técnico: Fernando Seabra

Fluminense: Fábio, Guga, Freytes, Manoel (Nonato) e Fuentes; Bernal, Hércules e Lucho Acosta (Santi Moreno); Serna, Cano e Canobbio (Soteldo). Técnico: Renato Gaúcho

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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