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Bragantino vence Atlético-MG por 2 a 0 e embala na reta final do Brasileirão
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O Red Bull Bragantino conquistou uma importante vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG neste domingo, em partida antecipada da 37ª rodada do Campeonato Brasileiro, disputada no Estádio Municipal Cícero de Souza Marques. Com gols de Lucas Barbosa e Gustavo Marques, o Massa Bruta engatou sua terceira vitória consecutiva na competição, embalando na reta final da temporada.
O triunfo coloca o Bragantino na décima posição da tabela, somando agora 43 pontos e deixando para trás uma sequência de quatro derrotas que preocupava a torcida. Já o Atlético-MG, apesar da derrota, mantém-se uma posição acima, com 45 pontos, e agora volta suas atenções para o desafio mais crucial de sua temporada: a final da Copa Sul-Americana, onde enfrentará o Lanús no próximo sábado, em Assunção, no Paraguai.
Detalhes da Partida
O placar foi aberto aos dez minutos do segundo tempo, com o Bragantino mostrando mais iniciativa ofensiva. Jhon Jhon, em jogada pela esquerda, serviu Juninho Capixaba, que finalizou cruzado. A bola passou pelo goleiro Everson e encontrou Lucas Barbosa, que se jogou de carrinho para empurrar para o fundo das redes.
A vantagem foi ampliada pouco depois, aos 14 minutos. Novamente Jhon Jhon foi crucial, cobrando uma falta precisa da intermediária direita. Gustavo Marques subiu mais alto que a defesa atleticana e testou firme, garantindo o segundo gol do Massa Bruta.
A situação do Galo piorou aos 30 minutos, quando o meia Igor Gomes foi expulso após uma entrada violenta em Fernando. Com um jogador a menos, a missão de reverter o placar tornou-se ainda mais complicada para o time mineiro.
Próximos compromissos
O Red Bull Bragantino terá pela frente um clássico do futebol brasileiro. No próximo sábado, 22 de novembro, às 21h30 (de Brasília), a equipe enfrentará o Flamengo no Maracanã, em partida válida pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Enquanto isso, o Atlético-MG terá a decisão da Copa Sul-Americana contra o Lanús, no mesmo sábado (22), mas às 17h (de Brasília), no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, no Paraguai. Um confronto que promete alta emoção e mobilizará a torcida atleticana.
FICHA TÉCNICA
Red Bull Bragantino 2 x 0 Atlético-MG
Competição: Campeonato Brasileiro (37ª rodada)
Local: Estádio Municipal Cicero De Souza Marques, em Bragança Paulista (SP)
Data: 16 de novembro de 2025 (domingo)
Horário: 19h (de Brasília)
Gols:
- Red Bull Bragantino: Lucas Barbosa (10′ do 2ºT), Gustavo Marques (14′ do 2ºT)
Arbitragem:
- Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (CE)
- Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Renan Aguiar da Costa (CE)
- Quarto Árbitro: Denis da Silva Ribeiro Serafim (AL)
- VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO)
Cartões Amarelos:
- Red Bull Bragantino: Gustavinho, Alix Vinicius, Juninho Capixaba, Jhon Jhon
- Atlético-MG: Guilherme Arana
Cartões Vermelhos:
RED BULL BRAGANTINO:
- Cleiton
- Andrés Hurtado (Nathan Mendes)
- Gustavo Marques (Eduardo Santos)
- Alix Vinicius
- Juninho Capixaba
- Fabinho
- Gabriel
- Gustavinho (Fernando)
- Lucas Barbosa
- Eduardo Sasha (Isidro Pitta)
- Jhon Jhon (Praxedes)
- Técnico: Vagner Mancini
ATLÉTICO-MG:
- Everson
- Saraiva
- Ruan
- Vitor Hugo
- Guilherme Arana
- Igor Gomes
- Fausto Vera (Alexsander)
- Bernard (Reinier)
- Rony
- Dudu (Caio Paulista)
- Hulk (Gustavo Scarpa)
- Técnico: Jorge Sampaoli
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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