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Botafogo vence o Bahia e assume a quarta posição no Brasileirão
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O Botafogo demonstrou resiliência e conquistou uma vitória importante por 2 a 1 sobre o Bahia na noite desta quarta-feira, no Estádio Nilton Santos. Em um duelo direto pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Glorioso abriu o placar com Santi Rodríguez no primeiro tempo e ampliou com Jeffinho na etapa final. Rodrigo Nestor descontou para o time baiano, que terminou a partida com um jogador a menos.
Com o triunfo, o Botafogo alcança 43 pontos e assume a quarta colocação na tabela, superando o Mirassol no número de vitórias (12 contra 11). O Bahia, por sua vez, permanece com 40 pontos, ocupando a sexta posição.
O Jogo
A partida começou com um ritmo morno, onde ambas as equipes, apesar da postura ofensiva, pecavam na construção de jogadas e na precisão no último passe. Aos 25 minutos, a primeira chance real veio dos pés de Cuiabano, que, após um bate e rebate na área, finalizou para uma defesa espetacular de Ronaldo, goleiro do Bahia. Contudo, a pressão botafoguense deu resultado no minuto seguinte: Santi Rodríguez aproveitou um cruzamento rasteiro e mandou para o fundo das redes, inaugurando o marcador para o Alvinegro.
O Bahia só conseguiu ameaçar o gol botafoguense nos minutos finais do primeiro tempo, com Zé Guilherme acertando a trave. O Botafogo ainda tentou responder com Santi Rodríguez, mas o chute parou na zaga adversária, mantendo a vantagem mínima até o intervalo.
Segundo Tempo
A volta para o segundo tempo foi avassaladora para o Botafogo, que ampliou sua vantagem logo aos 23 segundos. Após um cruzamento na área, Cuiabano chutou e Jeffinho apareceu para desviar a bola para o gol, fazendo 2 a 0.
No entanto, a alegria alvinegra foi breve. Na primeira investida ofensiva do Bahia, aos nove minutos, Rodrigo Nestor cobrou uma falta que desviou na barreira, enganou o goleiro Léo Linck e diminuiu o placar para 2 a 1. O gol animou os visitantes, que partiram em busca do empate. Contudo, a situação se complicou para o Bahia aos 13 minutos, quando Sanabria foi expulso após simular uma falta na área, já tendo um cartão amarelo.
Mesmo com um jogador a menos, o Bahia tentou pressionar, mas o Botafogo soube administrar a vantagem e garantir os três pontos em casa.
Próximos confrontos:
Na próxima rodada, o Botafogo enfrentará o Internacional fora de casa, no Beira-Rio, neste sábado (04), às 18h30 (de Brasília). No dia seguinte, o Bahia recebe o Flamengo na Arena Fonte Nova, também às 18h30 (de Brasília).
FICHA TÉCNICA
Botafogo 2 x 1 Bahia
Competição: Campeonato Brasileiro (26ª rodada)
Local: Estádio Nilton Santos, Rio de Janeiro (RJ)
Data: 1º de outubro de 2025 (quarta-feira)
Horário: 21h30 (de Brasília)
Arbitragem:
- Árbitro: Felipe Fernandes de Lima (MG)
- Assistentes: Felipe Alan Costa de Oliveira (MG) e Celso Luiz da Silva (MG)
- VAR: Thiago Duarte Peixoto (SP)
Cartões Amarelos:
- Botafogo: Cuiabano e Alexander Barboza
- Bahia: Arias, Luciano Juba, Gabriel Xavier e Rodrigo Nestor
Cartões Vermelhos:
Gols:
- Botafogo: Santi Rodríguez (26′ do 1ºT)
- Bahia: Rodrigo Nestor (9′ do 2ºT)
- Botafogo: Jeffinho (23′ do 2ºT)
Botafogo:
- Goleiro: Léo Linck
- Defensores: Vitinho (Mateo Ponte), Alexander Barboza, Kaio Pantaleão (Gabriel) e Cuiabano (David Ricardo)
- Meio-campistas: Newton (Allan), Marlon Freitas e Savarino
- Atacantes: Santi Rodríguez, Jeffinho (Artur) e Arthur Cabral
- Técnico: Davide Ancelotti
Bahia:
- Goleiro: Ronaldo
- Defensores: Arias, Gabriel Xavier, Santiago Mingo (Michel Araújo) e Luciano Juba (Zé Guilherme)
- Meio-campistas: Rezende, Jean Lucas e Everton Ribeiro (Rodrigo Nestor)
- Atacantes: Kayky (Tiago), Willian José (Ademir) e Sanabria
- Técnico: Rogério Ceni
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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