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Botafogo vence Boavista e garante vantagem na Taça Rio

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Em uma noite de estreia para o reforço Edenílson, o Botafogo mostrou sua força e venceu o Boavista por 2 a 0, neste sábado (21), no Estádio Elcyr Resende. O resultado positivo no jogo de ida da semifinal da Taça Rio concede ao Alvinegro uma confortável vantagem para o confronto de volta.

Com a vitória em Bacaxá, o Botafogo agora pode até perder por um gol de diferença no jogo de volta, que será realizado no próximo sábado, às 19h30 (de Brasília), no Estádio Nilton Santos, para assegurar sua classificação à final do torneio.

O jogo

O Boavista iniciou a partida com uma postura ofensiva, buscando surpreender o time da capital. Logo aos oito minutos, Kadu esteve perto de abrir o placar, mas Brunão interceptou a bola. Em seguida, Lucas Silva também teve uma chance clara, travado na hora da finalização. A equipe de Saquarema rondou a área botafoguense e, nos minutos finais do primeiro tempo, quase marcou com Isael, que arriscou de fora da área e viu a bola passar perto do ângulo.

No entanto, foi o Botafogo quem quebrou o zero no placar. Aos 43 minutos da etapa inicial, após um cruzamento na área, Ythallo escorou e Justino empurrou para as redes, levando o Alvinegro para o intervalo com a vantagem.

Segundo tempo

A volta do intervalo foi fulminante para o Botafogo. Com apenas um minuto do segundo tempo, Artur recebeu passe e finalizou sem chances para o goleiro Maticoli, ampliando a vantagem para 2 a 0. Com o placar mais elástico, o time visitante passou a administrar o resultado, enquanto o Boavista sentiu o golpe e encontrou dificuldades para reagir.

O Botafogo ainda chegou a balançar as redes novamente aos 18 minutos com Nathan Fernandes, mas o gol foi anulado por impedimento. O domínio alvinegro prosseguiu, com Arthur Izaque acertando o travessão e Caio Valle e Artur testando o goleiro Maticoli com chutes perigosos. O Boavista ainda teve um gol de Luis Henrique anulado, confirmando a noite de pouca sorte para a equipe da casa.

Próximo desafio: Pré-Libertadores

Antes do jogo de volta da Taça Rio, o Botafogo terá um importante compromisso pela Pré-Libertadores. A equipe carioca enfrentará o Nacional Potosí na quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, às 21h30 (de Brasília), no Estádio Nilton Santos, buscando uma vaga na fase de grupos da competição continental.

                                                FICHA TÉCNICA

Boavista 0 x 2 Botafogo
Competição Semifinal da Taça Rio (jogo de ida)
Local Estádio Elcyr Resende
Data 21 de fevereiro de 2026 (sábado)
Horário 21h (de Brasília)
Gols
  • Justino, aos 43′ do 1ºT (Botafogo)
  • Artur, aos 1′ do 2ºT (Botafogo)
Cartões Amarelos
  • Boavista: Titto e Cesinha
  • Botafogo: Alexander Barboza e Edenílson
Arbitragem
Árbitro Pierry Dias dos Santos (RJ)
Assistentes Thiago de Oliveira Exposito (RJ) e Fábio Ramo França (RJ)
VAR Pathrice Corrêa Maia (RJ)
Escalação – Boavista
Goleiro Maticoli
Defensores Cesinha, Guilherme Lacerda (André), Jesus e Titto
Meio-campistas Kadu (Gabriel), Fernando e Isael (Luís Henrique)
Atacantes Filipinho (Berê), Lucas e Brunão (Ryan)
Técnico Gilson Kleina
Escalação – Botafogo
Goleiro Raul
Defensores Kadu, Ythallo, Justino e Hernandez (Arthur Izaque)
Meio-campistas Edenílson (Bernardo Valim), Arthur Novaes e Caio Valle (Kadir)
Atacantes Villalba (Gabriel Abdias), Artur e Nathan Fernandes (Kauan Toledo)
Técnico Martín Anselmi

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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