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Botafogo surpreende PSG e assume a liderança do Grupo no Mundial de Clubes
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Em uma partida emocionante pela segunda rodada do Grupo B do Mundial de Clubes, o Botafogo mostrou garra e estratégia ao vencer o poderoso Paris Saint-Germain por 1 a 0, nesta quinta-feira, em Los Angeles. O resultado coloca o Glorioso na ponta da chave, com seis pontos, superando os franceses, que permanecem com três e ocupam a segunda posição.
O gol da vitória alvinegra saiu no primeiro tempo, aos 36 minutos. Igor Jesus foi o responsável por balançar as redes, com um chute que desviou na zaga e enganou o goleiro Donnaruma.
Com este triunfo crucial, o Botafogo agora depende apenas de um empate na última rodada para garantir sua vaga nas oitavas de final sem depender de outros resultados. O próximo desafio dos cariocas será contra o Atlético de Madrid, na segunda-feira, também em Los Angeles, às 16h (horário de Brasília). No mesmo dia e horário, o PSG enfrentará o Seattle Sounders-EUA, em Seattle, buscando a classificação.
O Jogo
O PSG começou ditando o ritmo e tendo a primeira grande chance logo no primeiro minuto, com Kvaratskhelia exigindo boa defesa de John. O atacante georgiano teve outra oportunidade em seguida, mandando para fora.
O Botafogo, por sua vez, apostava nos contra-ataques. Artur teve uma tentativa, mas chutou fraco para Donnaruma defender sem dificuldades. Após um início movimentado, o confronto diminuiu de intensidade. O PSG mantinha a posse, mas encontrava dificuldades para penetrar a defesa botafoguense. O Alvinegro tentava chegar, mas pecava no último passe.
No entanto, na primeira escapada em velocidade com precisão, o Botafogo foi letal. Aos 35 minutos, Igor Jesus recebeu, avançou e finalizou. O desvio em Pacho foi fundamental para tirar a bola do alcance de Donnaruma e abrir o placar.
Na segunda etapa, o PSG buscou pressionar, mas o Botafogo, bem postado, continuava perigoso nos contra-ataques, embora falhasse nas finalizações. Os franceses assustaram aos seis minutos, com Gonçalo Ramos desviando uma cobrança de falta no peito de John. O Botafogo respondeu em seguida, com Savarino cabeceando para defesa de Donnaruma.
Assim como no primeiro tempo, a intensidade da partida caiu. O PSG seguia com mais posse, mas a marcação forte do Botafogo era eficiente. Os franceses chegaram a comemorar um gol com Barcola, mas o lance foi corretamente anulado por impedimento.
Nos minutos finais, o Paris Saint-Germain lançou-se ao ataque em busca do empate, mas a defesa alvinegra se manteve firme e organizada, segurando a vantagem mínima e confirmando a importante vitória em Los Angeles.
FICHA TÉCNICA
PSG-FRA 0 X 1 BOTAFOGO-BRA
Local: Estádio Rose Bowl, em Los Angeles (Estados Unidos)
Data: 19/06/2025
Horário: 22h(de Brasília)
Árbitro: Drew Fischer (Canadá)
Assistentes: Michael Barwegen (Canadá) e Lyes Arfa (Canadá)
Cartões amarelos: Gregore e Cuiabano (Botafogo)
GOLS: Igor Jesus, aos 35′ do 1º T (BOTAFOGO)
PSG: Donnaruma, Hakimi, Pacho, Beraldo e Lucas Hernandez (Nuno Mendes); Zaire-Emery (João Neves), Vitinha e Mayulu (Fabian Ruiz); Doué (Lee), Gonçalo Ramos (Barcola) e Kvaratskhelia. Técnico: Luis Enrique
BOTAFOGO: John, Vitinho, Alexander Barboza, Jair Cunha e Alex Telles (Cuiabano); Gregore, Marlon Freitas, Allan (Newton) e Jefferson Savarino (Santi Rodríguez); Artur (Montoro) e Igor Jesus. Técnico: Renato Paiva
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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