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Botafogo goleia Red Bull Bragantino no Brasileirão

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O Botafogo transformou o Estádio Nilton Santos em um caldeirão de precisão neste sábado, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com uma performance avassaladora e três golaços fulminantes de fora da área, o Glorioso não deu chances ao Red Bull Bragantino, aplicando uma goleada de 4 a 1 que o cravou de vez na briga por uma vaga direta na próxima edição da Libertadores.

A contundente vitória teve as redes balançadas por Danilo, Newton, Savarino e Montoro pelo lado alvinegro, enquanto Jhon Jhon descontou para a equipe do interior paulista em um dos raros momentos de respiro.

Com o triunfo, o Fogão alcançou 35 pontos e se solidifica na quinta posição da tabela, respirando aliviado antes da pausa para a Data FIFA. O próximo desafio do time será em 11 de setembro, pelas quartas de final da Copa do Brasil, em um clássico contra o Vasco, novamente no Nilton Santos. Pelo Brasileirão, o compromisso seguinte é contra o São Paulo, no Morumbi, em 14 de setembro.

Para o Red Bull Bragantino, a derrota mantém a equipe na oitava colocação, com 30 pontos. Após o recesso internacional, o Massa Bruta retorna aos gramados em 14 de setembro para enfrentar o Sport, em Bragança Paulista.

O jogo

Desde o apito inicial, o Alvinegro impôs sua superioridade. Com maior posse de bola e uma intensidade ofensiva marcante, o Botafogo encurralou o Bragantino em seu próprio campo de defesa. A estatística final do jogo – o triplo de finalizações do Botafogo em relação ao adversário – é um espelho claro do domínio exercido.

A contagem foi aberta com um belo chute de Danilo, que, de fora da área, acertou o canto do goleiro. O segundo gol veio em outra finalização certeira de longa distância, desta vez com Newton, demonstrando que a mira botafoguense estava calibrada. Antes do intervalo, Savarino também deixou sua marca em mais um arremate potente de fora da área, sacramentando a vantagem alvinegra.

O solitário gol do Massa Bruta, anotado por Jhon Jhon, surgiu de um breve lapso da defesa botafoguense, mas em nenhum momento ameaçou o controle da partida. A atuação do Bragantino apenas acentuou a fase instável que a equipe atravessa na temporada. Para coroar a noite de gala do Botafogo, Montoro aproveitou sua oportunidade e selou a goleada, um placar que, dado o volume de jogo, poderia ter sido ainda mais elástico.

FICHA TÉCNICA

BOTAFOGO 4 x 1 RED BULL BRAGANTINO

Local: Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro
Data 30/08/2025 (de Brasília)
Árbitro: Lucas Casagrande (PR)
Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Maira Mastella Moreira (RS)
VAR: Diego Pombo Lopez (BA)
Cartões amarelos: Lucas Barbosa, Nathan Mendes (RDB)

Gols: Danilo (Botafogo), aos 5’/1ºT; Jhon Jhon (Red Bull Bragantino), aos 14/1ºT; Newton(Botafogo), aos 32’/1ºT; Savarino (Botafogo), aos 46’/1ºT; Montoro (Botafogo), aos 47’/2ºT

Botafogo: Neto, Mateo Ponte, Alexander Barboza, Kaio Pantaleão (David Ricardo) e Marçal; Newton, Danilo, Marlon Freitas e Jefferson Savarino; Álvaro Montoro e Arthur Cabral. Técnico: Davide Ancelotti

Bragantino: Cleiton, Nathan Mendes, Guzmán Rodríguez, Gustavo Marques e Vanderlan; Gabriel, Eric Ramires, Praxedes e Jhon Jhon; Eduardo Sasha e Lucas Barbosa (Ignacio Laquintana). Técnico: Fernando Seabra

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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