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Bahia vence Santos e afunda Peixe na luta contra o Z4
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O Santos sofreu mais um duro golpe no Campeonato Brasileiro neste domingo. Atuando na Arena Fonte Nova, o Peixe foi superado pelo Bahia por 2 a 0, em partida válida pela 21ª rodada da competição. Os gols de Luciano Juba e Lucho Rodríguez carimbaram a vitória do Tricolor de Aço, que segue em ascensão, enquanto o Alvinegro Praiano flerta perigosamente com a zona de rebaixamento sob o olhar atento de seu recém-contratado técnico, Vojvoda.
O jogo
O Bahia não demorou a mostrar sua superioridade. Com apenas 11 minutos de jogo, Luciano Juba recebeu com liberdade na intermediária e desferiu um potente chute de longa distância, sem chances para o goleiro santista, abrindo o placar e incendiando a Arena Fonte Nova.
Apesar de manter o domínio da posse de bola, o time baiano encontrou dificuldades para criar novas oportunidades claras na sequência do primeiro tempo. A melhor chance veio aos 25 minutos, com Cauly desviando um cruzamento rasteiro de Kayky para fora. O Santos, por sua vez, teve uma atuação ofensiva praticamente nula nos 45 minutos iniciais, registrando apenas uma finalização mais efetiva aos 36, em chute de Rollheiser defendido tranquilamente por Ronaldo.
Segundo tempo
O segundo tempo seguiu com o ritmo morno até que o Bahia voltou a ser letal. Aos 14 minutos, Lucho Rodríguezrecebeu um passe preciso de Everton Ribeiro, ficou cara a cara com o goleiro Brazão e finalizou com frieza na saída do arqueiro, ampliando a vantagem para 2 a 0 e consolidando a vitória tricolor.
A equipe da casa ainda teve chance de fazer o terceiro aos 37, com Tiago invadindo a área e finalizando cruzado para fora. O Santos, em contrapartida, continuou sem conseguir engrenar, produzindo muito pouco no ataque e assustando apenas aos 43 minutos, com Rollheiser pegando uma sobra na entrada da área e exigindo uma bela defesa de Ronaldo. O placar permaneceu inalterado até o apito final, confirmando mais um revés santista.
Cenário na Tabela e Presenças Ilustres
Com a derrota, o Santos permanece na delicada 15ª colocação, com 21 pontos, apenas dois acima do Vitória, que abre a zona de rebaixamento e ainda tinha um jogo a disputar na rodada. O resultado liga o alerta máximo na Vila Belmiro. Já o Bahia, com 36 pontos, dá um salto significativo e se consolida na quarta posição, entrando no grupo dos classificados para a Libertadores.
A partida teve a peculiaridade de ser comandada pelo auxiliar Matheus Bachi, após a saída de Cleber Xavier. O recém-contratado técnico santista, Vojvoda, acompanhou o jogo de um dos camarotes da Arena, observando de perto os desafios que terá pela frente. Outra presença notável foi a de Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, que foi homenageado com camisas dos dois clubes e se prepara para anunciar a convocação para as Eliminatórias na próxima segunda-feira.
Próximos Confrontos
O Santos terá a chance de se recuperar no próximo domingo, quando recebe o Fluminense na Vila Belmiro, às 16h (de Brasília), pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Bahia, por sua vez, terá uma semana agitada. Primeiro, encara o Fluminense na próxima quinta-feira, às 19h30 (de Brasília), na Fonte Nova, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. No domingo, pela Série A, visita o Mirassol às 18h30.
FICHA TÉCNICA
BAHIA 2 X 0 SANTOS
Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data: 24/08/2025
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Rafael Rodrigo Klein
Assistentes: Michael Stanislau e Mauricio Coelho Silva
VAR: Caio Max Augusto
Cartões amarelos: Ademir, Acevedo (Bahia); Rollheiser (Santos)
GOLS: Luciano Juba, aos 11 do 1ºT, e Lucho Rodríguez, aos 14 do 2ºT (Bahia)
BAHIA: Ronaldo; Santi Arias, David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba; Acevedo (Rezende), Jean Lucas e Everton Ribeiro (Rodrigo Nestor); Ademir (Cauly), Kayky (Tiago) e Willian José (Lucho Rodríguez). Técnico: Rogério Ceni
SANTOS: Brazão; Mayke (Igor Vinícius), Luisão, Luan Peres e Escobar (Escobar); João Schimdt (Hyan), Rincón, Gabriel Bontempo (Caballero), Rollheiser e Barreal; Tiquinho Soares (Deivid Washington). Técnico: Matheus Bachi (interino)
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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