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Bahia vence o Vasco e assume vice-liderança provisória do Brasileirão

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O Vasco da Gama sofreu uma derrota por 1 a 0 para o Bahia, na noite desta quarta-feira, em São Januário, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O gol solitário da partida, marcado por Luciano Juba no primeiro tempo, garantiu os três pontos para os visitantes e colocou o Tricolor baiano na vice-liderança provisória da Série A.

Com o resultado, o time cruzmaltino estende sua sequência sem vitórias, somando apenas um ponto no Campeonato Brasileiro e preocupando sua torcida. Já o Bahia, com sete pontos, celebra a ascensão na tabela, embora sua posição ainda possa ser alterada ao final da rodada.

O Jogo

O início da partida em São Januário prometia um Vasco agressivo. Logo aos quatro minutos, Coutinho teve uma boa chance, mas a finalização esbarrou na zaga adversária. Após o susto inicial, o Bahia conseguiu equilibrar a posse de bola, sem, contudo, criar grandes ameaças à meta de Léo Jardim. Coutinho, em cobrança de falta, novamente testou o goleiro Ronaldo, que fez boa defesa.

A eficiência, no entanto, veio do lado baiano. Aos 22 minutos, em uma jogada ensaiada de escanteio, Luciano Juba recebeu a bola na entrada da área e acertou um belo chute de primeira no canto, sem chances para o goleiro vascaíno, inaugurando o marcador.

O gol obrigou o Vasco a intensificar sua busca pelo empate, pressionando a saída de bola do Bahia. Cuesta e Puma Rodríguez tentaram, mas pecaram na pontaria. Robert Renan cabeceou com perigo e Brenner finalizou para fora em outra boa oportunidade. Já nos minutos finais da primeira etapa, Andrés Gomez exigiu uma grande defesa de Ronaldo, que assegurou a vantagem mínima para o Bahia antes do intervalo.

Segundo tempo

Na volta para o segundo tempo, o Vasco manteve a postura ofensiva, buscando o gol de empate. Puma Rodríguez chutou com perigo e a equipe rondou a área adversária com cruzamentos, mas a finalização decisiva não apareceu. O Bahia, por sua vez, optou por uma estratégia mais defensiva, cometendo erros de passe e avançando pouco no campo de ataque.

Apesar da crescente pressão vascaína, o Bahia quase ampliou aos 26 minutos em um contra-ataque veloz, com Luciano Juba finalizando com perigo. Nos minutos finais, o desgaste pareceu afetar o time da casa, que continuou tentando, mas sem a mesma precisão. O Bahia, bem postado defensivamente, conseguiu segurar a pressão final e garantiu a importante vitória fora de casa.

Próximos desafios

Vasco da Gama:

  • Adversário: Volta Redonda
  • Competição: Campeonato Carioca
  • Data e Horário: 14 de fevereiro de 2026 (sábado), 21h30 (de Brasília)
  • Local: São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Bahia:

  • Adversário: Jacuipense
  • Competição: Campeonato Baiano
  • Data e Horário: 14 de fevereiro de 2026 (sábado), 16h (de Brasília)
  • Local: Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
FICHA TÉCNICA
                                                                 Vasco 0 x 1 Bahia
Competição Campeonato Brasileiro (terceira rodada)
Local São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Data 11 de fevereiro de 2026 (quarta-feira)
Horário 21h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos Vasco: Andres Gomez, Puma Rodriguez, Barros, Paulo Henrique e Thiago Mendes
Bahia: Kanu, Acevedo, Caio Alexandre, Ronaldo e Oliveira
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem
Árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva
Assistentes Felipe Alan Costa de Oliveira e Celso Luiz da Silva
VAR Rodolpho Toski Marques
Gol
Bahia Luciano Juba, aos 22′ do 1ºT
Vasco
Jogadores Léo Jardim, Puma Rodríguez, Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton (Paulo Henrique); Cauan Barros, Thiago Mendes (GB) e Coutinho (Rojas); Nuno Moreira (Marino), Andrés Gómez e Brenner (Spinelli)
Técnico Fernando Diniz
 Bahia
Jogadores Ronaldo, Gomez, Ramos Mingo, Kanu (Gabriel Xavier) e Luciano Juba; Jean Lucas (Erick), Acevedo (Caio Alexandre) e Éverton Ribeiro; William José (Everaldo), Olivera e Ademir (Erick Pulga)
Técnico Rogério Ceni

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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