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Atlético-MG perde nos pênaltis para o Lanús e é vice-campeão da Sul-Americana 2025

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O Club Atlético Lanús sagrou-se bicampeão da Copa Sul-Americana na noite deste sábado (22.11), em um confronto dramático que culminou em uma vitória por 5 a 4 nos pênaltis sobre o Atlético-MG. Após 120 minutos de um jogo sem gols e repleto de emoção, a equipe argentina superou o Galo nas cobranças alternadas, levantando o troféu continental e frustrando o sonho atleticano de um título inédito na competição.

A partida, disputada em solo argentino, foi um embate tático e aguerrido, onde as defesas prevaleceram sobre os ataques. Ao longo dos 90 minutos regulamentares e da prorrogação, as duas equipes criaram oportunidades, mas pecaram na finalização ou encontraram goleiros inspirados.

O Jogo

Desde o início, o jogo mostrou-se equilibrado. A primeira ameaça veio do Lanús, aos 13 minutos, com Ramiro Carrera arriscando de fora da área para defesa de Everson. O Atlético-MG respondeu com força: Alan Franco assustou com um chute próximo ao travessão, e Arana, em uma jogada pela esquerda, obrigou o goleiro Losada a uma grande defesa, embora o lance tenha sido anulado por impedimento. O Galo teve sua melhor chance no primeiro tempo em uma cobrança de falta de Bernard que carimbou a trave, deixando a torcida mineira em êxtase por um breve momento.

O segundo tempo e a prorrogação mantiveram o ritmo intenso. Igor Gomes, do Atlético-MG, testou Losada, que espalmou a bola para escanteio. O Lanús, por sua vez, teve poucas finalizações precisas, com Castillo acertando a rede pelo lado de fora. Na prorrogação, o Galo criou as chances mais claras: Caio Paulista e Biel, de cabeça, desperdiçaram oportunidades na área. Aos cinco minutos da etapa final do tempo extra, o lance capital: Hulk lançou Biel, que ficou cara a cara com Losada. O atacante tentou a finalização, mas o goleiro argentino fez uma intervenção heroica, garantindo o 0 a 0 e levando a decisão para os pênaltis.

Drama nos pênaltis: Lanús conquista o Bi

A disputa de pênaltis foi um teste para cardíacos. Ambas as equipes começaram errando: Everson defendeu a cobrança de Walter Bou, e Hulk parou em Losada. Em seguida, Izquierdoz colocou o Lanús à frente, e Scarpa igualou para o Atlético. Marchich marcou para os argentinos, e Igor Gomes empatou novamente.

O momento decisivo veio quando Losada defendeu a cobrança de Biel, dando a Acosta a chance de selar o título. Contudo, o jogador do Lanús isolou a bola, mantendo o Galo vivo na disputa, com Everson convertendo sua cobrança. Nas alternadas, Cardozo e Alexsander mantiveram a igualdade até que Watson marcou para o Lanús e Victor Hugo, do Atlético-MG, desperdiçou, consolidando a vitória do time argentino por 5 a 4.

Lanús: Glória e Recompensas Financeiras

Com o título, o Lanús não apenas celebrou o bicampeonato da Copa Sul-Americana, mas também garantiu uma premiação de 6,5 milhões de dólares (aproximadamente R$ 36 milhões) e uma vaga direta na fase de grupos da próxima Conmebol Libertadores. Além disso, a equipe de Maurício Pellegrino disputará a Recopa Sul-Americana em 2026, aguardando o vencedor da final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, marcada para 29 de novembro.

Atlético-MG: O Sonho Adiamento e Consolo Financeiro

Para o Atlético-MG, a derrota representa a perda de uma oportunidade de adicionar um título internacional inédito à sua galeria. A equipe mineira teve que se contentar com o vice-campeonato e uma premiação de 2 milhões de dólares (cerca de R$ 11,3 milhões). A frustração pela taça perdida será um combustível para as próximas competições.

Próximos compromissos

Ambas as equipes já têm compromissos agendados:

LANÚS-ARG

  • Partida: Lanús x Tigre (oitavas de final do Campeonato Argentino)
  • Data e Horário: 26/11 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília)
  • Local: Estádio Ciudad de Lanús – Néstor Díaz Pérez, em Lanús (Argentina)

ATLÉTICO-MG

  • Partida: Atlético-MG x Flamengo (36ª rodada do Brasileirão)
  • Data e Horário: 25/11 (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
  • Local: Arena MRV, em Belo Horizonte (MG)

FICHA TÉCNICA

Lanús 0 (5) x (4) 0 Atlético-MG

Competição: Final da Copa Sul-Americana

Local: Estádio Defensores del Chaco, Assunção, Paraguai

Data: 22 de novembro de 2025 (sábado)

Horário: 17h (de Brasília)

Arbitragem:

  • Árbitro: Piero Maza (CHI)
  • Assistentes: Miguel Rocha (CHI) e Alejandro Molina (CHI)
  • VAR: Juan Lara (CHI)

Cartões Amarelos:

  • Lanús: Izquierdoz
  • Atlético-MG: Hulk, Alan Franco Cartões Vermelhos: Nenhum

Pênaltis:

  • Lanús:
    • ❌ Walter Bou
    • ⚽ Izquierdoz
    • ⚽ Marcich
    • ⚽ Aquino
    • ❌ Acosta
    • ⚽ Cardozo
    • ⚽ Watson
  • Atlético-MG:
    • ❌ Hulk
    • ⚽ Scarpa
    • ⚽ Igor Gomes
    • ❌ Biel
    • ⚽ Everson
    • ⚽ Alexsander
    • ❌ Victor Hugo

LANÚS-ARG:

  • Goleiro: Losada
  • Defensores: Pérez (Armando Méndez), Izquierdoz, Canale e Marcich
  • Meio-campo: Medina (Lautaro Acosta) e Cardozo
  • Atacantes: Salvio (Franco Watson), Marcelino Moreno (Ruan Ramírez) e Ramiro Carrera (Dylan Aquino)
  • Centroavante: Rodrigo Castillo (Walter Bou)
  • Técnico: Maurício Pellegrino

ATLÉTICO-MG:

  • Goleiro: Everson
  • Defensores: Ruan, Vitor Hugo e Junior Alonso
  • Meio-campo: Arana (Caio Paulista), Alan Franco (Alexsander), Igor Gomes e Bernard (Gustavo Scarpa)
  • Atacantes: Rony (Saravia), Dudu (Biel) e Hulk
  • Técnico: Jorge Sampaoli

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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