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Athletico-PR vence Cruzeiro e coloca Raposa na zona do rebaixamento
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O Athletico-PR garantiu uma vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro na noite desta quarta-feira (18.03), em partida válida pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto, disputado na Arena da Baixada, viu o Furacão demonstrar eficiência desde o início, enquanto a Raposa não conseguiu reverter o placar, o que a deixa em uma situação delicada na tabela.
Com o resultado, o Cruzeiro, que somou apenas três pontos em sete jogos, amarga a última posição do Campeonato Brasileiro. A equipe mineira agora torce por um tropeço do Internacional contra o Santos para não terminar a rodada como lanterna. Por outro lado, o Athletico-PR chega a dez pontos e ocupa a sétima colocação, consolidando sua campanha na parte de cima da tabela.
O jogo
O Athletico-PR não demorou a mostrar sua força. Com apenas 50 segundos de jogo, Mendoza aproveitou uma sobra na área e finalizou com precisão, marcando um golaço que abriu o placar para o time paranaense e incendiou a Arena da Baixada.
Ainda no início do primeiro tempo, aos nove minutos, a vantagem do Furacão foi ampliada. Após Viveros ser derrubado por Matheus Henrique dentro da área, o árbitro assinalou a penalidade máxima. O próprio Viveros cobrou e, mesmo com o goleiro Matheus Cunha tocando na bola, converteu o pênalti, colocando o Athletico-PR em uma confortável liderança de 2 a 0.
Segundo tempo
Na segunda etapa, o Cruzeiro buscou uma reação. Aos 12 minutos, Villarreal diminuiu o placar para a equipe celeste, aproveitando uma boa jogada de Kaiki Bruno. O gol trouxe esperança aos torcedores mineiros e impulsionou o time a pressionar mais. Aos 20 minutos, em um lance promissor, William fez um lançamento para Villarreal, que, após Aguirre não conseguir afastar, chutou por cima do travessão, perdendo a chance de empatar a partida.
Apesar da melhora no segundo tempo e das tentativas de buscar o empate, o Cruzeiro não conseguiu superar a defesa do Athletico-PR, que soube segurar o resultado e garantir os três pontos em casa.
Próximos confrontos
Ambas as equipes terão compromissos em casa pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro, no domingo, 22 de março de 2026. O Athletico-PR fará o clássico contra o Coritiba na Arena da Baixada, às 16h (de Brasília). No mesmo horário, o Cruzeiro receberá o Santos no Mineirão, em Belo Horizonte, em um duelo crucial para a sua recuperação na competição.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| ATHLETICO-PR 2 x 1 CRUZEIRO | |
| Competição | Campeonato Brasileiro | 7ª rodada |
| Local | Arena da Baixada, em Curitiba (PR) |
| Data | 18 de março de 2026 (quarta-feira) |
| Horário | 19h30 (de Brasília) |
| Cartões Amarelos | Julimar e Arthur Dias (Athletico-PR); Matheus Henrique, Arroyo e Lucas Silva (Cruzeiro) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Gols | |
| Athletico-PR | Mendoza, ao 1′ do 1ºT Viveros, aos 9′ do 1ºT |
| Cruzeiro | Villarreal, aos 12′ do 2ºT |
| Arbitragem | |
| Árbitro | Rodrigo Jose Pereira de Lima (PE) |
| Assistentes | Francisco Chaves Bezerra Junior (PE) e Alex Sandro Quadros Thome (RR) |
| VAR | Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP) |
| Escalações | |
| Athletico-PR | Santos; Benavídez, Aguirre, Arthur Dias e Esquível; Portilla (Jadson), Luiz Gustavo e Dudu (João Cruz); Mendoza (Bruninho), Julimar (Chiqueti) e Viveros Técnico: Odair Hellmann |
| Cruzeiro | Matheus Cunha, William (Kauã Moraes), Fabrício Bruno, Lucas Villalba e Kaiki; Lucas Silva (Murilo Rhikman), Matheus Henrique, Christian (Rhuan) e Japa (Wanderson); Arroyo e Néiser Villarreal (Chico da Costa) Técnico: Wesley Carvalho |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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