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Arena Pantanal vira caldeirão: Cuiabá garante 3ª vitória seguida
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O Cuiabá segue imparável em seus domínios. Na noite desta segunda-feira (04.08), o Dourado fez valer o mando de campo mais uma vez na Arena Pantanal, derrotando o Volta Redonda por 2 a 0. O resultado marcou a terceira vitória consecutiva do clube mato-grossense em casa, consolidando sua ascensão na tabela da Série B do Campeonato Brasileiro.
A rede balançou pela primeira vez aos 19 minutos da etapa inicial. Após Jader sofrer pênalti, o atacante Alisson Safira demonstrou frieza e converteu a cobrança com precisão, inaugurando o placar. Safira, aliás, tem se mostrado um exímio cobrador, com este sendo seu quarto gol pelo Cuiabá, todos eles marcados da marca da cal. Com o gol, o Dourado assumiu o controle da partida, ditando o ritmo do jogo, enquanto o Volta Redonda, apesar de tentar reter a posse de bola, esbarrava na falta de criatividade para furar o bloqueio auriverde.
Imagens de Flávio Prates
Na segunda etapa, o protagonismo foi do estreante Alejandro Martínez. O meia-atacante argentino, que já havia participado da jogada que resultou no pênalti do primeiro gol, brilhou ao deixar sua marca no placar. Após um belo passe do volante Calebe, Martínez finalizou com categoria, deslocando o goleiro Jean Drosny e ampliando a vantagem para 2 a 0.
Mesmo com a desvantagem, o Volta Redonda tentou reagir, buscando diminuir o placar. No entanto, encontrou um Cuiabá sólido defensivamente e extremamente perigoso nos contra-ataques. Com um fôlego renovado pelas alterações promovidas pelo técnico Guto Ferreira, o Dourado soube administrar a vantagem com inteligência, garantindo mais três pontos importantes na competição.
Com a vitória, o Cuiabá subiu para a quinta colocação na Série B, acumulando 31 pontos e ficando a apenas dois pontos da Chapecoense, primeira equipe dentro do G-4. Já a situação do Volta Redonda se complica ainda mais, com a equipe estacionada na 17ª posição, com 21 pontos, abrindo a zona de rebaixamento.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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