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Ancelotti apresenta lista da Seleção Brasileira; Neymar está fora
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Em coletiva realizada nesta segunda-feira (16.03), na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o técnico Carlo Ancelotti divulgou a lista dos 26 atletas que defenderão a Seleção Brasileira nos próximos amistosos contra França e Croácia, ambos a serem disputados nos Estados Unidos. A grande surpresa ficou por conta da ausência do meia-atacante Neymar, do Santos, enquanto a convocação trouxe rostos promissores e algumas apostas do treinador.
A lista de Ancelotti destaca um movimento de renovação e observação. Entre as novidades que ganham uma chance estão o zagueiro Léo Pereira, do Flamengo, os meio-campistas Danilo, do Botafogo, e Gabriel Sara, que atua pelo Galatasaray, além dos atacantes Igor Thiago, do Brentford, e Rayan, do Bournemouth. O jovem Endrick, do Lyon, também retorna ao grupo, indicando que o treinador busca consolidar um elenco diversificado e competitivo.
Estes amistosos representam a derradeira oportunidade para Carlo Ancelotti realizar ajustes e testes finais antes de anunciar a aguardada lista definitiva para a Copa do Mundo de 2026.
Convocados para os amistosos:
- Goleiros: Alisson (Liverpool), Bento (Al-Nassr) e Ederson (Fenerbahçe)
- Defensores: Alex Sandro (Flamengo), Bremer (Juventus), Danilo (Flamengo), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez (Al-Ahli), Léo Pereira (Flamengo), Marquinhos (PSG) e Wesley (Roma)
- Meio-campistas: Andrey Santos (Chelsea), Casemiro (Manchester United), Danilo (Botafogo), Fabinho (Al-Ittihad) e Gabriel Sara (Galatasaray)
- Atacantes: Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth), Vinicius Júnior (Real Madrid) e João Pedro (Chelsea)
Próximos desafios da Seleção:
A seleção enfrentará a França, atual vice-campeã mundial, no dia 26 de março (quinta-feira), às 17h (horário de Brasília), no Gillette Stadium, em Boston. O segundo compromisso será contra a Croácia, em 31 de março (terça-feira), a partir das 21h, no Camping World Stadium, em Orlando.
Caminho até a Copa do Mundo:
O calendário da Seleção Brasileira até o Mundial está definido. A lista final dos convocados será revelada por Ancelotti em 19 de maio. A partir de 25 de maio, o grupo inicia a preparação na Granja Comary, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.
A despedida da seleção em solo nacional acontecerá em 31 de maio, em um amistoso contra o Panamá no Maracanã. A delegação embarcará para os Estados Unidos em 1º de junho, onde fará o último teste pré-Copa contra o Egito, em Cleveland, no dia 6.
No Mundial, o Brasil está no Grupo C, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. A estreia brasileira está marcada para 13 de junho, contra Marrocos, em Nova Jersey. Em 19 de junho, a equipe enfrenta o Haiti, na Filadélfia, e encerra a fase de grupos em 24 de junho, contra a Escócia, em Miami.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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