Cultura
Viva Maria antecipa a Flip com vozes femininas do Norte
Cultura
Olá, gente amiga! Viva Maria, orgulhosamente, festeja uma grande conquista desse nosso Brasil Soberano. Depois de longos 4 anos, finalmente, nosso país saiu do Mapa da Fome. E como não há soberania sem justiça alimentar, como bem disse o ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, celebramos esse feito histórico com imensa alegria, muito embora a insegurança alimentar no Brasil ainda nos desafie a garantir uma refeição cada vez mais saudável para nossa população. Dito isso, como a gente não quer só comida, vamos tratar de nos alimentarmos agora de cultura.
Nesta edição, nosso programa antecipa a abertura oficial da 23ª FLIP, que começa amanhã em Paraty e que homenageia o poeta e músico curitibano Paulo Leminski.

Viva Maria destaca a programação do SESC, que este ano priorizou a presença feminina. Para isso, convidou mulheres da literatura do Norte, que levarão para o evento suas trajetórias, profundamente enraizadas em identidades culturais, territoriais e artísticas, ampliando o alcance da literatura brasileira.
São elas: Sofy Ferseck (RR), poeta e professora indígena macuxi, cofundadora da Wei Editora e referência na literatura indígena contemporânea, com obras bilíngues e premiadas; Paty Wolff (RO), artista visual e ilustradora, cria narrativas visuais que exploram o feminino, a infância e a diversidade; e Francis Mary (AC), poeta da geração mimeógrafo, que tem obra marcada pelo ativismo em defesa da Amazônia, da democracia e das culturas dos Povos da Floresta.
Em entrevista, Priscila Branco, analista de Literatura do Departamento Nacional do Sesc, reafirma o compromisso do Serviço Social do Comércio – SESC, com a valorização da produção cultural e literária de mulheres na FLIP 2025.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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