Cultura
Vik Muniz defende estímulo à criatividade na infância
Cultura
Engana-se quem pensa que a criatividade é um dom restrito a poucas pessoas. Especialistas afirmam que todos podem ser criativos, especialmente durante a infância, fase em que o cérebro está mais aberto para descobertas, experimentações e novas formas de aprender. O artista visual Vik Muniz comentou a própria experiência e como o estímulo mudou o engajamento nas artes.

“A única coisa que uma criança precisa na vida dela, está nesse momento assim super delicado de vulnerabilidade, é alguém aplaudindo ela. Uma vez, muda a vida para sempre.”
Estimular a criatividade ajuda a criança a enfrentar desafios, resolver problemas e lidar melhor com emoções como ansiedade e estresse. Atividades criativas também contribuem para o bem-estar emocional, promovendo o relaxamento, autoestima e satisfação pessoal.
Fernanda Moscom, psicóloga, explica como o apoio dos adultos pode incentivar a criatividade das crianças.
“Eles têm acesso a todas as brincadeiras. A gente senta para brincar com eles, mas a gente também sempre estimulou eles brincarem sozinhos. É importante a gente oferecer oportunidades da criança brincar. Oferecer oportunidade de deixar ela no chão, né, que é onde ela vai poder se desenvolver. Então, no tapetinho, o tempo de chão é uma coisa muito importante para a criança. É essencial. É como se fosse o trabalho da criança. É a ocupação que ela precisa ter, né? Porque é através do brincar que ela vai se desenvolver de todas as formas, né? Desde a área motora até a área da cognição lá na frente. Então o aprendizado da criança, ele também se dá através da brincadeira.”
Tanto no ambiente escolar quanto no convívio familiar, valorizar a criatividade é fundamental para o aprendizado contínuo e para o amadurecimento das crianças, incentivando a autonomia, a curiosidade e a construção de soluções inovadoras para o dia a dia.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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