Cultura
Uso de guindastes segue liberado no Festival de Parintins
Cultura
Há poucos dias do início do 58º Festival Folclórico de Parintins, o uso de guindastes pelos bois Caprichoso e Garantido segue autorizado, pelo menos, por enquanto.

A decisão é do juiz do Trabalho André Luiz Marques Cunha Júnior, que negou o pedido do Ministério Público do Trabalho para suspender os equipamentos alegando o risco à integridade dos trabalhadores.
Os guindastes são utilizados no festival como parte fundamental da cenografia dos bois, e ajudam a movimentar grandes alegorias, estruturas que chegam a ter dezenas de metros de altura, e a içar artistas que fazem parte das encenações. O uso dos guindastes é indispensável para dar vida à grandiosidade e ao efeito visual das encenações no bumbódromo.
O magistrado levou em consideração pareceres técnicos apresentados pelos bois e validados pelo Corpo de Bombeiros do Amazonas, que não apontaram irregularidades e liberaram o uso, desde que cumpridos todos os requisitos de segurança.
Nesta segunda-feira (23), o estado do Amazonas deve apresentar um relatório técnico e o Ministério Público do Trabalho deverá se manifestar na terça (24). Na quarta-feira (25), será realizada uma vistoria judicial no bumbódromo. Estarão presentes o juiz, um perito técnico, o Corpo de Bombeiros, representantes dos bois e do Ministério Público do Trabalho.
O laudo da inspeção poderá alterar o cenário. As agremiações devem arcar com os custos do perito e garantir a segurança de todos os envolvidos, incluindo o uso de equipamentos de proteção.
Cultura
Conheça a história por trás da tradição das bandeirolas juninas
Durante os festejos juninos, elas enfeitam ruas e praças. Mas muito antes de virarem decoração, as bandeirolas tinham um significado religioso. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses e foi se transformando ao longo dos séculos. O professor de História Ricardo Carvalho explica diferentes versões para o surgimento deste costume.

“A origem é bem mais distante daqui, mais ancestral. Já existia mesmo nas comemorações pagãs na Europa Ocidental, principalmente durante o solstício de verão, que é essa época mais ou menos do mês de junho. Eram comemorações em que se acendia fogueiras, que se colocava adereços, estandartes saudando a fertilidade, saudando aquele período de abundância que começava a ser marcado por esse período. E aí, com a cristianização da Europa, essas práticas pagãs acabaram de alguma forma sendo incorporadas dentro do imaginário cristão ocidental. Então, as festas de Santo Antônio, de São João e São Pedro acabaram adotando os estandartes com os santos, essas bandeiras com os santos, que faziam parte de um ato de devoção, mas, ao mesmo tempo, da liturgia católica em progressão na Europa. Com o trabalho jesuíta aqui no Brasil, o trabalho de catequese, que foi toda a aculturação cristã vinda através da Companhia de Jesus, essas práticas também foram incorporadas aqui aos festejos. Mas, curiosamente, não é essa a única teoria da origem das bandeirolas para os festejos juninos. Há alguns historiadores que defendem que elas vieram também do contato dos portugueses, durante a expansão marítimo-comercial, eles chegaram a ter contato com tradições budistas, no Himalaia, na região da Ásia Oriental, e que era muito costume se colocar orações budistas em bandeirolas coloridas. Talvez essa influência também tenha marcado essa presença portuguesa e que acabou migrando para os nossos festejos aqui no Brasil.”
Com o tempo, as antigas referências visuais foram dando lugar às cores e aos recortes geométricos que, hoje, marcam a decoração dos arraiás.
“As bandeirolas passam a ter um significado muito rico. Elas são quase que uma arquitetura efêmera, fazem parte de um componente de um teto novo que faz as praças se transformarem em arraiás, as ruas em desfiles de quadrilhas. Então é muito forte.”
Por isso, mais do que enfeites, estes símbolos ajudam a manter viva uma das mais belas tradições da cultura brasileira.
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