Cultura
Pesquisa vai mapear artistas do movimento hip hop pelo Brasil
Cultura
Uma pesquisa inédita pretende mapear todas as ações, iniciativas e artistas envolvidos no movimento hip hop no país.

A plataforma Construção Nacional do Hip-Hop, que reúne artistas do movimento aqui no Brasil, está realizando a pesquisa Mapeamento do Hip-Hop Brasileiro. Até o dia 30 de agosto, hip hoppers de todos os estados podem acessar o formulário disponível no instagram da iniciativa e preencher os dados solicitados.
A pesquisa abrange todas as expressões da cultura hip hop, como música, dança e artes visuais, entre outras, valorizando a pluralidade e a riqueza do movimento. O objetivo inicial é que o levantamento forneça um desenho de agentes, coletivos e entidades que atuam nesta cena cultural, explicando quem são, onde estão localizados e quais projetos realizam.
O departamento de marketing da coalizão vai fazer a triagem e o estudo com metodologia para gerar um documento com os resultados, que será divulgado a toda a sociedade. A iniciativa pretende entregar ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) um dossiê com o mapeamento das ações da cultura hip hop no Brasil, com o objetivo de obter também o reconhecimento como patrimônio cultural imaterial do país.
Além da disseminação e apoio a projetos que fortalecem a cultura urbana do movimento, a coalizão busca junto ao Instituto Brasileiro de Museus a criação de um Museu Nacional da Cultura Hip-Hop e o reconhecimento de casas do movimento cultural como pontos de memória. Em paralelo, profissionais da plataforma também apoiam projetos e iniciativas que combatam a pobreza e promovam a equidade racial, social e de gênero.
* Com sonoplastia de Jaílton Sodré.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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