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Museu Afro Brasil Emanoel Araujo: arte, espiritualidade e memória

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Em São Paulo, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, que fica dentro do Parque Ibirapuera, reúne uma programação com exposições e uma série de atividades que aproximam o público do acervo e de produções que dialogam com as culturas afro-brasileiras.

O público tem até o próximo domingo (22) para conferir a exposição de Isa do Rosário, com cerca de 20 obras em pintura, colagem, bordados dedicados aos orixás e às bonecas abayomi. A artista cria um imaginário de serpentes, rios e mantos. O título da mostra, “Como a Terra Respira”, veio da referência à terra remexida pelas serpentes.

O diretor-executivo do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Paulo Roberto, ressalta a presença da ancestralidade, da arte contemporânea, da educação e das práticas culturais vivas na programação deste mês.

“Entre os destaques está a visita temática Odoyá: a presença de Iemanjá no acervo, que propõe uma reflexão sobre as representações de Iemanjá nas religiões de matriz africana do Brasil, ampliando o diálogo entre arte, espiritualidade e memória”.

Na área externa do museu, na Marquise do Parque Ibirapuera, está em cartaz a mostra com fotografias de Arlindo de Souza Amorim, reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, que capturou manifestações culturais como o maracatu rural e o cavalo-marinho. Na exposição intitulada “Orquestra”, o fotógrafo, também chamado de Xirumba, acompanhou o Cambinda Brasileira, o maracatu mais antigo em atividade no país.

Outra mostra em destaque no Museu é “A História Inventada e a Invenção de Histórias”, do artista Roméo Mivekannin, que nasceu na Costa do Marfim, mas vive entre a França e o Benin. São mais de 30 trabalhos entre pinturas e têxteis que questionam a história da arte no Ocidente sob o viés dos colonizadores. O artista denuncia a escravização e o genocídio de povos negros. 

Paulo Roberto comenta as atividades relacionadas à mostra e outras ações em destaque na programação.

“No dia 26 de fevereiro, o curador Claudinei Roberto da Silva conduz uma palestra sobre a exposição A História Inventada e a Invenção de Histórias, mostra que estabelece conexões entre imagens consagradas da história da arte e narrativas da diáspora africana. No dia 28, o público poderá participar da oficina de xequerê, dedicada à confecção do instrumento tradicional; além do lançamento do livro O futuro ancestral de Acauã, de Henrique André, na Biblioteca Carolina Maria de Jesus”.

Outras exposições seguem em exibição no Museu Afro Brasil até o mês de março: “Singular Plural” de Rubem Valentim, artista baiano, referência para a pintura construtivista no país; a mostra coletiva “Popular, Populares”, que reflete sobre as noções de arte popular, com obras de artistas negros e indígenas; a exposição “Silêncio Retumbante”, do pernambucano Izidorio Cavalcanti, que cria uma dimensão experimental em sua arte, com instalações, pinturas, esculturas e videoperformances.

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo fica dentro do Parque Ibirapuera, e funciona de terça a domingo, das 10h às 17h.  Os ingressos custam a partir de R$ 7,50. Às quartas-feiras, a entrada é gratuita.


Fonte: EBC Cultura

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Em Cachoeira (BA), Festa da Boa Morte começa nesta quinta-feira

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Começa nesta quinta-feira (13) e segue até a próxima segunda (17) a Festa da Boa Morte, realizada há mais de 200 anos na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. A tradição secular é celebrada somente por mulheres que fazem parte da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reunindo missas, procissões, gastronomia e atividades culturais.

O administrador do centro cultural da Irmandade, Valmir dos Santos, explica como a organização tem trabalhado para preservar a tradição e receber cada vez mais visitantes na cidade histórica:

“As mulheres daqui preservam e salvaguardam isso com muito vigor. A gente sabe que não existe um livro, uma Bíblia, uma coisa para dar esse norte, para seguir, mas essa força ancestral, de uma passando para outra. E, depois, tiveram a inteligência de, já agora, no início do século XXI, criar um estatuto, justamente para salvaguardar esse processo.”

Segundo os historiadores, a Irmandade da Boa Morte surgiu a partir da união de mulheres que haviam sido escravizadas, com o objetivo de conseguir a alforria e facilitar a fuga de outros escravos. Desde então, as integrantes mantêm o legado das ancestrais, passando a tradição de mãe para filha e levando o espetáculo de devoção para as ruas da cidade, em uma homenagem a Nossa Senhora da Boa Morte.

A atual presidente da irmandade é Cleusa Maria Santana, que explica como é fazer parte da confraria e destaca o momento de maior emoção durante as celebrações:

“O momento mais importante para mim é o dia 15. É uma celebração de Nossa Senhora da Glória, na qual ela não morreu, foi uma dormição. E, no dia 15, ela é levada ao céu, a assunção da bem-aventurada Virgem Maria, a mãe de Jesus. A porta para a vitória da humanidade redimida, glória que alcançaremos acolhendo e vivendo a palavra de Deus.”

A programação completa, que segue até a próxima segunda-feira, pode ser conferida no perfil no Instagram @irmandadedaboamorte.oficial.




Fonte: EBC Cultura

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