Cultura
Jetski, Panamera e Vampirinha: as músicas do Carnaval de Salvador
Cultura
A cada verão, novos lançamentos musicais passam a embalar ensaios, pré-carnavais, até fazer os circuitos estremecerem. Em Salvador (BA), o ritmo que vai dominar os trios é sempre motivo de curiosidade, expectativa e até disputa entre artistas e foliões.

Nas ruas da cidade, muita gente arrisca o o palpite sobre qual música vai marcar a folia neste ano.
“Eu acho que é música de Tony Salles, Panamera“
“Vampirinha, de Ivete Sangalo”
“A de Léo Santana, ‘passa o olhinho aqui no meu corpinho, amor. Ai!”
“A de Bell Marques.“
“Então, eu tô achando que Jetski, de Pedro Sampaio e Melody vai bombar, viu?”
“Vampirinha é claro, né, meu amor? Vampirinha, com certeza, vai ser a música do Carnaval.”
Músicas antigas em alta
Ainda é cedo para cravar qual música vai bombar neste ano, mas o levantamento do Ecad aponta as músicas mais tocadas no Carnaval de Salvador em 2025. No topo do ranking aparece “O Verão Bateu em Minha Porta”, seguida de “Faraó, Divindade do Egito” e do clássico “Eva”, mostrando que músicas mais antigas continuam na moda.
Entre os artistas mais executados:
- Ivete Sangalo,
- Léo Santana, e
- Durval Lellis.
Além de ditar tendências e revisitar canções que fizeram história, o Carnaval também move a economia das músicas. Segundo o Ecad, a Bahia foi o segundo estado do país que mais arrecadou direitos autorais durante o Carnaval do ano passado, responsável por 17% do total nacional.
Os dados reforçam a importância do pagamento dos direitos autorais, da valorização dos compositores e do reconhecimento de quem cria a trilha sonora da maior festa de rua do planeta.
Cultura
Fanfarras são tradição em desfiles em memória da Independência Baiana
No 2 de Julho, as ruas do centro histórico de Salvador não celebram apenas a história. Elas ganham ritmo. Entre os personagens mais marcantes dessa engrenagem cultural estão as fanfarras escolares, que desfilam todos os anos, arrastando multidões e mantendo viva a memória da Independência Baiana.

Sob a liderança de Valteir Menezes, a Banda Marcial da Escola Municipal da Palestina (Bamup) reúne há 15 anos cerca de 60 jovens e veteranos da comunidade em uma rotina rigorosa que lhes rendeu o bicampeonato baiano. O regente, à frente da banda há mais de uma década, fala como surgiu a queridinha do bairro.
“A Bamup nasceu no dia 16 de abril de 2011 na própria sede aqui da Escola Municipal da Palestina. E ela nasceu não como fanfarra da rede, e sim como projeto Mais Educação na época. Um ano depois de ela ter surgido, eu fui convidado pela coordenação da SMED para a banda deixar de fazer parte do projeto Mais Educação para fazer parte das fanfarras da rede municipal. Foi quando recebemos o instrumental em 2012, todo instrumental dela de fanfarra, e daí em diante a gente passou a fazer parte de todos os desfiles cívicos do 2 de Julho de lá até aqui. Nessa trajetória de 15 anos, a fanfarra foi consagrada bicampeã baiana no campeonato que ela disputa desde de 2013. E em 2020, quando acabou a pandemia, nós nos tornamos banda marcial e retornamos as atividades em 2022. Em 2023, a banda foi para a sua primeira disputa como banda marcial e ela foi campeã. Em 2024 também fomos campeões baianos de novo como banda marcial.”
A alguns quilômetros da Palestina, a Famtesa, Fanfarra da Escola Municipal Teodoro Sampaio, em Pirajá, é quem comanda o tom. Mr. Ball, maestro da fanfarra há mais de 25 anos, defende que o projeto, além de ser uma maneira de mostrar que nas comunidades existem muitos jovens talentosos, também é uma ferramenta de transformação social para a juventude local.
“Eu vejo a fanfarra na vida desses jovens na escola de bastante produção. Porque a fanfarra na escola, aqui, por exemplo, ajudou muito a disciplina dos alunos, o interesse deles com estudo. Eles se dedicaram mais aos estudos, diminuiu muito a evasão desses meninos na escola. E o mais importante, ajudou muito com que o tráfico não venha recrutar eles; a música num todo contribuiu muito com isso, pode ter certeza.”
Para além do civismo, o movimento das fanfarras em Salvador cumpre um papel social indispensável nas periferias e escolas públicas, funcionando como refúgio criativo e uma vitrine de talentos durante o ano inteiro.
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