Cultura
Blocos, shows e cortejos marcam a segunda de Carnaval em Brasília
Cultura
O carnaval tomou conta das ruas da capital do país. Ao longo dos dias de festa, mais de 70 blocos espalhados por diversos cantos de Brasília prometem animar os foliões.

Tem muita animação, música para todos os gostos, gente de todas as idades e fantasias para lá de criativas. Três grandes espaços têm programação na tarde e na noite desta segunda-feira (16).
No Setor Carnavalesco Sul, Circuito Brasília em Folia, no setor Comercial Sul, a programação é bem diversificada. Tem a apresentação dos blocos Passo Largo, Lambada de Serpente e do Afeto. Também vai haver shows de bandas, aparelhagem de som e DJs, além de um cortejo com baterias de escolas de samba.
O cantor Felipe Cordeiro é o convidado do bloco Bora Coisar e faz um convite para o show às 20h. “Eu estarei no bloco amazônico Bora Coisar, da maravilhosa Emília Monteiro, nesta segunda-feira de Carnaval, dia 16, para incendiar o Setor Carnavalesco Sul. Eu quero te ver demais, Brasília. Vem! Muitos ritmos quentes do Norte: guitarrada, lambada, brega, carimbó. Te vejo lá, vem pro Bora Coisar.”
Na plataforma Carnaval Monumental, na área externa do Museu da República, a festa será comandada pelos blocos Na Batida do Morro e Baile Brega. No Gran Folia 2026, na Esplanada dos Ministérios, a festa fica por conta das bandas Batucada dos Raparigueiros, Podre do Pacotão, Mamãe Taguá e a Orquestra Popular Menino de Ceilândia.
E a diversão continua para a criançada com o bloco Baratinha, no Parque da Cidade.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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