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Blocos mantêm folia na quarta-feira de cinzas no Rio

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Depois da maratona de desfiles, cortejos, blocos e megablocos, a quarta-feira de cinzas costuma ser um dia de descanso para muitos. Mas não para cariocas e turistas que lotam a cidade. Mantendo o ritmo do carnaval, foliões se concentraram bem cedinho para acompanhar o bloco Me Beija Que Eu Sou Sem Censura, na Glória, e o Mulheres Rodadas, no Largo do Machado. Com mais de uma década de existência, o Mulheres Rodadas leva mensagem de empoderamento, para combater o machismo e toda forma de violência contra as mulheres.

E à tarde tem mais: ao meio-dia tem o Ainda Aguento, na Ribeira, e a partir das 15 horas, o tradicional Cordão do Me Enterra na Quarta ganha a Avenida Augusto Severo, no Centro da cidade, mantendo viva a tradição dos cortejos.

Depois, tem Planta na Mente, Bloco Guri da Merck e Grêmio Recreativo Chave de Ouro fechando o dia de desfiles dos blocos oficiais.

Calor sem trégua

E precisa ter muita resistência para enfrentar a folia. É que o calor não deu trégua esses dias. Nas ruas, foliões buscaram alívio em pontos de hidratação e nos jatos d’água de carros-pipa durante os blocos. Segundo o Climatempo, a cidade fecha o carnaval como a capital mais quente do país.

Mas o clima deve mudar. Segundo o Sistema Alerta Rio, da prefeitura, as condições atmosféricas nesta quarta-feira (18) serão influenciadas pelo calor, mas também pela aproximação de uma frente fria. A previsão é de céu parcialmente nublado a nublado, com pancadas de chuva isoladas a partir da tarde. Os ventos estarão fracos a moderados e as temperaturas seguem elevadas, com máxima prevista de 36°C.


Fonte: EBC Cultura

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Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)

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DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si

anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda

  

Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.

Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento

“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”

A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.

Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.


Fonte: EBC Cultura

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