Várzea Grande
Escuta Pública da Cultura é marcada por grande participação e contribuições
Várzea Grande
Evento reforçou a importância do diálogo com a comunidade cultural na construção de políticas efetivas
A Escuta Pública dedicada à elaboração do Plano de Aplicação de Recursos referente ao Ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), no município de Várzea Grande, realizada pela Superintendência de Cultura da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, foi um sucesso e demonstrou a força, diversidade e mobilização do setor cultural local. Na última quinta-feira (31), o evento reuniu artistas, produtores, gestores, coletivos, grupos tradicionais, representantes de comunidades e sociedade civil em geral, que contribuíram ativamente com propostas, relatos e demandas específicas de seus segmentos.
O encontro, promovido pela superintendência de Cultura do Município, no Centro Cultural Orla da Alameda, teve como objetivo ouvir os diversos agentes culturais da cidade para subsidiar a elaboração de políticas públicas mais inclusivas, representativas e eficazes. Durante a escuta, foram abordados temas como fomento à cultura, formação artística, acesso a editais, valorização das manifestações culturais tradicionais, inclusão, infraestrutura cultural e fortalecimento da economia criativa.
Dividida por segmentos – como artesanato, literatura, audiovisual, artes plásticas e cultura afrodescendente – a escuta permitiu que cada grupo expusesse suas realidades, desafios e sugestões. A metodologia adotada garantiu a escuta qualificada e a construção coletiva de caminhos para o fortalecimento do setor.
A Assessora de Gestão da Cultura, Rachel Galesso, destacou a importância deste processo participativo. “Este movimento de escuta é essencial para que as verdadeiras demandas da classe artística e cultural sejam efetivamente contempladas no planejamento”, afirmou.
Ela reforçou o princípio de que quem conhece profundamente a realidade e as necessidades do setor são os próprios trabalhadores e trabalhadoras da cultura. Sua fala reforça o compromisso da gestão na construção de políticas públicas de forma democrática e colaborativa, valorizando o saber direto daqueles que fazem a cultura acontecer no dia a dia.
“Foi um momento histórico para a cultura de Várzea Grande. O poder público abriu espaço real de escuta e nós, fazedores de cultura, pudemos falar, propor e colaborar com o desenvolvimento do nosso setor”, destacou a artesã Neyva Ribeiro.
PNAB – A escuta pública também representou um passo importante no cumprimento das diretrizes do Sistema Nacional de Cultura e do Plano Nacional de Cultura, promovendo a gestão democrática e participativa na aplicação dos recursos provenientes das políticas públicas de fomento, como os recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e demais programas federais, estaduais e municipais.
A organização do evento avaliou positivamente o resultado da iniciativa. “Estamos muito satisfeitos com a participação expressiva dos segmentos culturais. As contribuições recebidas serão fundamentais para a construção de um plano de ação cultural que atenda às reais necessidades da classe artística e cultural da nossa cidade”, afirmou o superintendente de Cultura Leandro Manduca.
NOVAS DATAS EM AGOSTO – As propostas coletadas serão sistematizadas e incluídas no planejamento das próximas ações culturais, garantindo que a cultura siga sendo construída com quem vive e faz cultura todos os dias. Haverá também novos encontros para a Escuta Pública. Dia 5 de agosto, às 17h, para o segmento de Artes Cênicas, dia 7 de agosto, às 17h, para música & cultura popular e dia 14 de agosto, às 9h, com a apresentação final do PAR para todos os segmentos, todos a serem realizados no Centro Cultural Orla da Alameda.
Várzea Grande
CAPS AD III amplia rede de saúde mental com estrutura própria e acolhimento 24 h em Várzea Grande
A construção da sede própria do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS AD III) representa um passo histórico para a saúde mental de Várzea Grande. Mais do que uma nova estrutura física, a unidade promete ampliar o atendimento especializado às pessoas em sofrimento psíquico decorrente do uso abusivo de álcool e outras drogas, oferecendo acolhimento 24 horas e suporte multiprofissional contínuo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Com investimento superior a R$ 3,1 milhões, viabilizado por meio do Novo PAC Saúde, a obra já está em andamento e deve ser concluída em aproximadamente dez meses. Atualmente, o CAPS AD funciona em um prédio alugado de 250 metros quadrados. A nova sede terá 635 metros quadrados e estrutura voltada para acolhimento humanizado, atendimento intensivo, acompanhamento terapêutico integral e hospitalidade.
A secretária municipal de Saúde, Valeria Nogueira, destacou que a implantação da unidade marca uma transformação no cuidado em saúde mental no Município. “Essa é uma conquista muito grande para Várzea Grande. Estamos falando de um CAPS que vai funcionar 24 horas, com atendimento integrado, equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogo e psiquiatra, ofertando terapias voltadas aos usuários do SUS. É uma tratativa diferenciada, que vai abarcar toda a questão social, mental e também os problemas relacionados ao álcool e outras drogas”, afirmou.
Segundo a secretária, a nova sede permitirá oferecer mais conforto, acolhimento e dignidade aos pacientes e familiares. “Hoje funcionamos em um espaço alugado e improvisado que havia se tornado, até então, definitivo. Com a sede própria, teremos uma estrutura ampla, adequada e dentro dos padrões recomendados pelo Ministério da Saúde”, completou.
DEMANDA LEVADA A SÉRIO – A responsável técnica dos CAPS do Município, Marisa Rodrigues, explicou que a transformação do CAPS AD II em CAPS AD III era uma demanda defendida pela equipe desde 2018. A principal diferença entre os dois modelos está justamente na possibilidade de acolhimento noturno e permanência transitória de pacientes em situações de crise o atendimento permanente 24 horas por dia e sete vezes por semana.
“O CAPS III permite leitos de hospitalidade, ou seja, o paciente pode permanecer na unidade por um período transitório para estabilização clínica e acompanhamento intensivo. É uma ampliação muito importante da estrutura e no cuidado individualizado”, explicou.
Atualmente, cerca de 800 pacientes são acompanhados pelo serviço no Município. Grande parte deles é formada por usuários de álcool e outras drogas, incluindo pessoas em situação de rua. O trabalho desenvolvido pela equipe busca reduzir danos, fortalecer vínculos sociais e estimular a autonomia dos usuários.
“A gente trabalha a autonomia e a redução de danos dentro da unidade. Muitos pacientes procuram ajuda justamente para diminuir o uso da droga e reconstruir a própria vida”, ressaltou Marisa.
O funcionamento da unidade será dividido entre atendimentos terapêuticos diurnos e acolhimento intensivo noturno. Durante o dia, os pacientes terão acesso às consultas individualizadas, grupos terapêuticos, oficinas de expressão, atividades culturais e ações psicoeducativas voltadas ao fortalecimento emocional e social.
Já o acolhimento noturno será destinado às pessoas em crise, incluindo casos de intoxicação aguda, abstinência, descompensações psíquicas ou vulnerabilidade social. O objetivo, segundo a equipe técnica, não é institucionalizar o paciente, mas oferecer suporte temporário até sua estabilização.
“O acolhimento noturno não tem caráter de asilo. É um apoio transitório para estabilização e retomada do projeto terapêutico no território”, reforçou a responsável técnica.
NOVO ESPAÇO – A estrutura contará com oito leitos — cinco masculinos e três femininos — para permanência breve de até 14 dias. O espaço foi planejado para oferecer suporte clínico e psicossocial intensivo, evitando internações hospitalares desnecessárias e mantendo o cuidado em ambiente comunitário e protegido.
Além do atendimento clínico, a equipe também atuará no acompanhamento social dos usuários, auxiliando em processos de escolarização, inserção no mercado de trabalho, acesso a benefícios sociais e fortalecimento da rede de apoio familiar e reinserção na sociedade.
A nova sede terá salas de atendimento individualizado, banheiros adaptados, farmácia, sala administrativa, sala de reunião, espaços internos e externos de convivência, refeitório, cozinha, lavanderia, posto de enfermagem, almoxarifado, abrigo de resíduos, DML, DMI e sala de repouso. A unidade contará ainda com quartos coletivos separados em alas masculina e feminina, além de quarto de plantão para os profissionais.
Para a médica psiquiatra Dra. Ackermann Fortes, a nova estrutura permitirá ampliar o acolhimento humanizado tanto aos pacientes quanto às famílias.
“Ter uma sede adequada significa poder oferecer um tratamento mais humanizado aos nossos acolhidos e também estender esse cuidado às famílias, que muitas vezes também precisam de apoio para enfrentar o sofrimento causado pelo álcool e outras substâncias psicoativas”, afirmou.
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