Agricultura
USDA projeta safra recorde e reforça liderança do Brasil no mundo
Agricultura
O mercado internacional da soja ganhou novo impulso nesta terça-feira após a divulgação do primeiro relatório de oferta e demanda da safra 2026/27 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os números confirmaram expectativa de produção mundial recorde e reforçaram o protagonismo do Brasil no comércio global da oleaginosa.
Segundo o relatório divulgado pelo USDA, a safra mundial de soja deverá alcançar 441,54 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 8,5% em relação ao ciclo anterior. O avanço é puxado principalmente pela expansão da produção sul-americana, especialmente no Brasil, além da recuperação da oferta norte-americana.
Para os Estados Unidos, o USDA estimou produção de 120,70 milhões de toneladas, aumento de 4,1% sobre a safra anterior. O volume ficou praticamente em linha com as projeções do mercado e ajudou a movimentar os preços na Bolsa de Chicago. Os contratos mais negociados operaram em alta após a divulgação dos dados, sustentados principalmente pelos estoques americanos abaixo do esperado.
Os estoques finais dos Estados Unidos foram estimados em 8,44 milhões de toneladas, número inferior às expectativas dos analistas. O dado foi interpretado pelo mercado como sinal de demanda aquecida, principalmente por parte da indústria de biocombustíveis, que deve ampliar o consumo interno de soja no país em mais de 12%.
Mesmo com o crescimento das exportações norte-americanas, o próprio USDA reconheceu que os Estados Unidos continuam perdendo participação relativa no comércio global diante da força da produção sul-americana.
“O grande volume de oferta da América do Sul, combinado com a forte demanda doméstica nos EUA, tende a limitar o avanço das exportações americanas no longo prazo”, destacou o órgão no relatório.
O Brasil aparece novamente como principal destaque global. O USDA projeta safra de 186 milhões de toneladas em 2026/27, volume 6 milhões de toneladas superior ao ciclo atual e suficiente para manter o país na liderança mundial da produção e exportação da commodity.
As exportações brasileiras também devem crescer, alcançando 117,5 milhões de toneladas, consolidando o país como principal fornecedor mundial da oleaginosa, especialmente para a China.
O gigante asiático, maior comprador global de soja, deverá importar 114 milhões de toneladas no próximo ciclo, aumento de 2 milhões de toneladas em relação à temporada anterior. A manutenção da demanda chinesa elevada segue sendo um dos principais fatores de sustentação para o mercado internacional.
Com a combinação entre safra recorde, demanda aquecida e estoques globais relativamente ajustados, analistas avaliam que o mercado continuará sensível ao clima nos Estados Unidos, ao ritmo das exportações brasileiras e ao comportamento das compras chinesas ao longo dos próximos meses.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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