Agricultura
Reciprocidade: comitiva em Washington discute barreiras comerciais e produtores pedem calma
Agricultura
Uma comitiva de mais de cem representantes do setor produtivo brasileiro desembarca nesta semana em Washington para uma série de encontros com autoridades e empresários norte-americanos. A agenda antecede a audiência pública marcada para esta quarta-feira (3), no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que analisa a imposição de tarifas adicionais a produtos nacionais.
Em paralelo à mobilização internacional, entidades brasileiras reforçaram posicionamentos sobre a recém-regulamentada Lei nº 15.122/2025, que autoriza o país a aplicar medidas de reciprocidade comercial. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) destacou, em nota, que o uso precipitado do instrumento pode enviar sinais equivocados ao mercado e comprometer a estratégia de negociação. Para a bancada, é necessário agir com firmeza, mas com sensatez, assegurando estabilidade e previsibilidade ao setor produtivo em um momento de turbulência no comércio global.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) também apontou que a aplicação imediata da lei seria prematura, uma vez que ainda não ocorreu uma rodada bilateral de negociações formais entre Brasil e Estados Unidos. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reiterou a defesa do diálogo, lembrando que o objetivo central deve ser reverter tarifas ou ampliar exceções, sem ampliar tensões.
Enquanto isso, o governo brasileiro mantém consultas abertas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e acompanha o processo com apoio de assessoria jurídica internacional. A expectativa é de que a atuação coordenada entre setor privado e governo contribua para reduzir barreiras e preservar o acesso dos produtos nacionais ao mercado norte-americano.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Confinamento avança no Brasil e amplia eficiência da produção de carne bovina
Impulsionado pela demanda internacional por carne bovina e pela busca por maior produtividade nas fazendas, o confinamento de bovinos segue avançando no Brasil. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que o sistema responde atualmente por cerca de 20% dos animais abatidos no país e registrou crescimento de 148% nas últimas duas décadas, consolidando-se como uma das principais estratégias de intensificação da pecuária nacional.
O crescimento do confinamento acompanha a expansão do mercado global para a carne brasileira. Em 2025, o país exportou 3,5 milhões de toneladas e faturou mais de R$ 90 bilhões, o maior resultado da história do setor. Nos quatro primeiros meses de 2026, a receita das exportações já se aproximava de R$ 30 bilhões. Para atender uma demanda cada vez maior por carne padronizada, de qualidade e com fornecimento regular, sistemas intensivos de produção ganharam espaço nas principais regiões pecuárias do país.
Nesse contexto, o confinamento ganhou protagonismo por permitir maior controle nutricional e acelerar o ganho de peso dos animais. Segundo pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisas Agronecuárias (Embrapa), bovinos terminados nesse sistema costumam ser abatidos entre 24 e 30 meses de idade, enquanto animais criados exclusivamente a pasto podem permanecer na propriedade por até 48 meses antes de atingir o peso ideal. A redução do ciclo produtivo aumenta a eficiência da atividade, melhora o giro do capital investido e amplia a capacidade de produção das fazendas.
Outra vantagem apontada por especialistas é o aumento da produtividade por hectare. Ao concentrar a fase final de engorda em áreas menores e com alimentação planejada, o pecuarista consegue utilizar melhor as pastagens disponíveis e destinar parte das áreas para recuperação, integração lavoura-pecuária ou outras atividades produtivas. O modelo é frequentemente citado como uma das ferramentas que permitiram à pecuária brasileira ampliar a produção nas últimas décadas sem crescimento proporcional da área ocupada.
Na prática, o confinamento é mais utilizado durante o período seco do ano, quando a qualidade e a disponibilidade das pastagens diminuem. A estratégia garante regularidade no fornecimento de animais para os frigoríficos e contribui para atender às exigências dos mercados consumidores, especialmente no segmento exportador, que demanda padronização de carcaças, qualidade da carne e previsibilidade de entrega.
O crescimento do sistema, no entanto, também tem gerado debates sobre bem-estar animal e gestão ambiental. Entidades de proteção animal defendem regras mais específicas para o setor, enquanto representantes da cadeia produtiva destacam que os confinamentos modernos operam sob protocolos sanitários rigorosos e padrões de manejo cada vez mais exigidos pelos mercados nacionais e internacionais.
Para especialistas da pecuária, a tendência é que o confinamento continue avançando nos próximos anos, impulsionado pela necessidade de produzir mais carne em menos espaço, aumentar a competitividade do setor e atender à crescente demanda global por proteína animal. Em um país que ocupa posição de liderança mundial no mercado de carne bovina, a intensificação produtiva é vista como um dos principais caminhos para sustentar o crescimento da atividade e fortalecer a presença brasileira no comércio internacional.
Fonte: Pensar Agro
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