Agricultura
Produtores globais debatem estratégias para fortalecer mercado
Agricultura
Foz do Iguaçu (distante 630 km da capital, Curitiba), no Paraná, sedia, ao longo desta semana, a 27ª edição do Diálogo Internacional dos Produtores de Oleaginosas (IOPD), um dos principais fóruns globais voltados à cadeia de soja, milho e demais oleaginosas.
O encontro, que começou na terça-feira (22.07) e segue até sexta (25), reúne lideranças e especialistas de sete países — Brasil, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Paraguai e Austrália — para discutir caminhos sustentáveis e estratégias de defesa comercial no atual cenário global.
Com foco na sustentabilidade e na segurança alimentar mundial, o evento organizado pela Aprosoja Mato Grosso e Aprosoja Brasil, serve como espaço de troca entre produtores e instituições que atuam diretamente na produção, exportação e consumo de oleaginosas. A programação inclui painéis técnicos e debates sobre barreiras comerciais, impactos da geopolítica na exportação de alimentos, mudanças climáticas, rastreabilidade e exigências ambientais, como as impostas pela União Europeia.
Logo no primeiro dia, representantes de entidades de produtores internacionais defenderam maior articulação entre países exportadores para lidar com legislações que impactam diretamente o comércio, como as normas antidesmatamento da Europa. Houve também destaque para as oportunidades de mercado geradas por parcerias internacionais e pelos avanços tecnológicos na produção tropical, com exemplos do Brasil e do Paraguai.
Além de aspectos regulatórios, o evento tem aprofundado discussões sobre inovação e produtividade. Pesquisadores e economistas apresentaram dados sobre a adoção de boas práticas agrícolas, o uso de tecnologias digitais no campo e estratégias para enfrentar os efeitos climáticos na produção. As palestras técnicas abordaram temas como manejo inteligente, políticas de crédito e tendências de consumo em diferentes mercados.
Outro ponto de atenção foram os impactos do novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O aumento de 50% nas tarifas de importação tem gerado preocupação entre produtores, especialmente na cadeia da soja e da proteína animal, e também foi tema de análise durante o evento. Para os debatedores, a resposta passa por diversificação de mercados e fortalecimento da imagem do agronegócio brasileiro como fornecedor confiável e sustentável.
Com uma programação que se estende até o fim da semana, o 27º IOPD reforça a importância do diálogo entre nações produtoras para superar desafios comuns e ampliar a competitividade das oleaginosas no mercado internacional. A expectativa dos organizadores é que as propostas e alinhamentos debatidos em Foz do Iguaçu contribuam para consolidar políticas mais harmônicas entre os países e fortalecer a posição do produtor rural frente às novas exigências do comércio global.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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