Agricultura
Parceria entre Embrapa e FAO mira produtividade e renda no campo
Agricultura
Firmado no início de março, o acordo entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) visa a aplicação direta de tecnologia no campo para aumentar a produtividade e reduzir custos. A parceria prevê o desenvolvimento de cultivares mais resistentes ao clima, uso de dados para melhorar o manejo e soluções de baixo custo, com impacto tanto em grandes culturas quanto na agricultura familiar.
Um dos focos práticos está no avanço de materiais genéticos mais adaptados a estresses climáticos. Culturas como mandioca e batata, relevantes para segurança alimentar e renda em pequenas propriedades, entram como prioridade. A proposta é acelerar a geração de variedades mais produtivas e resistentes a seca e doenças, reduzindo risco de quebra de safra. No campo, isso se traduz em maior estabilidade de produção — fator decisivo em um cenário de clima irregular e margens mais apertadas.
Outro ponto central é o uso de ferramentas digitais no manejo. A parceria prevê ampliar o emprego de sensoriamento remoto, modelagem climática e inteligência de dados para orientar decisões agronômicas. Na prática, isso significa melhorar o zoneamento agrícola, ajustar época de plantio e antecipar riscos. Para o produtor, o ganho está na redução de erro e no uso mais eficiente de insumos — especialmente fertilizantes, que seguem como um dos principais custos da lavoura.
A cooperação também reforça uma frente em que o Brasil já é competitivo: tecnologias de baixo custo adaptadas à realidade tropical. Casos como a Fixação Biológica de Nitrogênio — que reduz a dependência de adubos nitrogenados — e sistemas integrados como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta entram como modelos a serem difundidos internacionalmente. Além de reduzir custos, esses sistemas atendem à crescente exigência por produção com menor impacto ambiental.
No campo da renda, a expectativa é de avanço na agregação de valor. O incentivo a cadeias como mandioca inclui não apenas produção de raiz, mas também aproveitamento da biomassa para bioinsumos e energia, como biogás. Isso amplia a fonte de receita dentro da propriedade e reduz dependência de um único produto — estratégia cada vez mais necessária diante da volatilidade de preços.
A proteção da base produtiva também entra no radar. A cooperação com redes internacionais como o CGIAR fortalece o acesso a bancos genéticos, essenciais para o desenvolvimento de novas variedades. Em um cenário de avanço de pragas e eventos climáticos extremos, a diversidade genética passa a ser ativo estratégico.
Para o Brasil, há ainda um efeito indireto relevante: a exportação de tecnologia. A agricultura tropical desenvolvida no País tem demanda crescente em regiões da África, Ásia e América Latina. Ao estruturar essa cooperação com a FAO, o país amplia sua presença nesse mercado, transformando conhecimento em ativo econômico.
O desafio, segundo técnicos do setor, está na ponta: fazer a tecnologia chegar ao produtor. Sem assistência técnica e capacitação, o ganho potencial se perde. Por isso, a eficácia do acordo dependerá menos do conteúdo científico já consolidado e mais da capacidade de difusão e adoção no campo.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas, estima Deral
A primeira estimativa para a safra 2026/27, divulgada nesta quinta-feira (27.09), aponta uma nova expansão da produção de soja, com 22,64 milhões de toneladas previstas, crescimento de 4% em relação ao ciclo atual. O avanço deve ocorrer praticamente sem aumento da área plantada, sustentado principalmente pela expectativa de maior produtividade nas lavouras.
A projeção foi divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e coloca a produtividade como principal fator para o crescimento esperado na próxima temporada.
A área destinada à soja está estimada em 5,76 milhões de hectares, apenas 0,5% acima dos 5,73 milhões de hectares cultivados em 2025/26. Já o rendimento médio deve passar de 3.802 para 3.930 quilos por hectare, avanço de aproximadamente 3,4%.
Se a previsão se confirmar, serão quase 840 mil toneladas adicionais de soja sem uma expansão proporcional das lavouras. O resultado reforçaria um movimento importante para o produtor em um momento de margens mais apertadas, no qual elevar a produção por hectare tende a ser mais relevante do que simplesmente aumentar a área cultivada.
A estimativa parte de uma base já elevada. Para 2025/26, o Deral calcula produção de 21,80 milhões de toneladas, 3% superior às 21,14 milhões de toneladas colhidas em 2024/25. A projeção praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.
O desempenho da próxima temporada, entretanto, ainda dependerá principalmente do clima. A projeção inicial trabalha com condições consideradas normais de desenvolvimento, enquanto o plantio e as fases mais importantes para definição da produtividade ocorrerão ao longo dos próximos meses.
Milho verão mantém produção acima de 4 milhões de toneladas
Para o milho da primeira safra, a expectativa é de estabilidade. A produção está projetada em 4,10 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 1% abaixo dos 4,14 milhões de toneladas obtidos no ciclo atual.
A área, por outro lado, deve crescer 2%, passando de 365,7 mil para 373 mil hectares. A produtividade esperada é de 10.984 quilos por hectare.
O número chama atenção pelo elevado rendimento do milho verão, que permanece concentrado em uma área muito menor do que a ocupada pela segunda safra. A maior parte do milho paranaense é produzida depois da colheita da soja.
Na temporada 2025/26, o milho verão apresentou forte recuperação. As 4,14 milhões de toneladas representam crescimento de 36% em relação às 3,05 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.
A segunda safra de milho, atualmente em fase final, também recebeu uma revisão positiva. O Deral elevou sua estimativa de 17,05 milhões para 17,32 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 270 mil toneladas em relação à previsão de julho.
Mesmo com a revisão, o volume permanece 3% abaixo das 17,90 milhões de toneladas obtidas em 2024/25. A área cresceu 3%, para 2,917 milhões de hectares, mas a produtividade caiu de 6.317 para 5.940 quilos por hectare.
Trigo perde área e produção
O quadro é menos favorável para o trigo. A estimativa para a safra 2025/26 caiu para 2,37 milhões de toneladas, redução de 18% frente às 2,88 milhões de toneladas do ciclo anterior.
A retração combina menor área e menor produtividade. O plantio recuou 11%, para 726,9 mil hectares, enquanto o rendimento médio está estimado em 3.259 quilos por hectare, ante 3.526 quilos na temporada passada.
A primeira fotografia da safra 2026/27, portanto, indica que a soja continuará ocupando praticamente a mesma área, mas poderá entregar uma produção maior. Para o produtor, o desafio será transformar o ganho esperado de produtividade em resultado financeiro num cenário em que custos de produção e preços recebidos continuam determinantes para a margem da atividade.
Fonte: Pensar Agro
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