Agricultura
Goiânia recebe encontro nacional sobre confinamento bovino
Agricultura
De 10 a 12 de setembro, Goiânia (capital de Goiás) será palco de um dos principais eventos dedicados à pecuária de corte no Brasil. O Feedlot Summit reunirá pecuaristas, técnicos e gestores em torno de debates sobre manejo, mercado e inovações em confinamento.
A programação foi organizada em quatro grandes eixos: mercado e previsões, inovações técnicas dentro da porteira, sustentabilidade e gestão de pessoas. A proposta é oferecer um panorama atualizado das tendências nacionais e internacionais, abordando desde custos de produção até estratégias de eficiência em sistemas intensivos.
Na parte econômica, o evento trará análises de mercado, cenários futuros para a arroba e perspectivas para os grãos que compõem a base da nutrição animal. No eixo técnico, ganham espaço temas como fertilidade de pastagens, manejo reprodutivo, avaliação de carcaça e estratégias nutricionais, além de protocolos sanitários voltados para recria e terminação.
O programa também abre espaço para experiências internacionais, com especialistas convidados da América do Norte e da África do Sul, trazendo comparativos sobre sistemas de confinamento em diferentes realidades produtivas.
A gestão de pessoas será outro destaque, com apresentações sobre liderança, uso de sensores e inteligência artificial para mensuração de indicadores, além de cases de empresas que atuam em larga escala no confinamento. O encerramento contará com uma palestra voltada para estratégias de adaptação e resiliência em sistemas de produção.
Serviço:
Evento: Feedlot Summit
Data: 10 a 12 de setembro
Local: Espaço Dois Ipês, Goiânia (GO)
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27
Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.
Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.
A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.
O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.
Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.
Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.
A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.
O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.
Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.
Fonte: Pensar Agro
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