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Custo de produção recua, mas clima e crédito trazem alerta

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O mês de setembro trouxe algum alívio nas planilhas de custos do agricultor mato-grossense. Segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o desembolso necessário para semear um hectare de soja transgênica caiu para R$ 4.173,76, uma queda de 1,96% em relação a agosto. A redução veio impulsionada especialmente pela baixa nos preços de fertilizantes e defensivos, mesmo com o gasto em sementes subindo no período.

No milho segunda safra, a realidade foi inversa: o custo subiu levemente, atingindo R$ 3.305,87 por hectare, alta de 0,32% em relação ao mês anterior. O incremento é explicado pelo aumento do custo operacional efetivo, que ultrapassou R$ 4.790 por hectare em setembro. Já o algodão de alta tecnologia teve o maior recuo entre as culturas, com retração de 2,7% no custo de produção, fechando o mês em R$ 10.769,75 por hectare. Os fertilizantes, especialmente macronutrientes, foram os grandes responsáveis pelo movimento de baixa também nesta cultura.

Apesar do respiro nos custos de alguns insumos, o clima volta a colocar pressão sobre o planejamento do campo em Mato Grosso. A irregularidade das chuvas traz preocupação extra: faltam precipitações adequadas para garantir o desenvolvimento das lavouras, ampliando o risco de replantio e impactando a janela do milho safrinha. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça que o atraso das chuvas compromete a produtividade, e, em um ano de margens enxutas, cada replantio ou falha de estande pesa ainda mais no bolso do agricultor.

Outro fator apontado pelo setor, além do clima, é a necessidade de crédito e condições financeiras adequadas para manter a viabilidade das operações. Na avaliação das entidades, o produtor precisa de apoio para atravessar um cenário de investimentos mais restritos e incertezas na safra, evitando prejuízos e buscando garantir segurança econômica mesmo diante dos desafios em campo.

Nos bastidores do agronegócio, a cautela é palavra de ordem: queda pontual nos custos pode ser uma boa notícia, mas o balanço final da safra depende de um conjunto de fatores. Regularidade das chuvas, estabilidade no mercado de insumos e acesso ao crédito continuarão determinando o sucesso de quem trabalha de sol a sol no cerrado mato-grossense.

Fonte: Pensar Agro

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Produto Interno Bruto da agropecuária cresceu 0,7% no primeiro trimestre de 2026

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O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária iniciou o ano de 2026 em crescimento, registrando uma leve alta de 0,7% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação aos três últimos meses de 2025, o avanço do setor foi de 2,0%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29.05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que o PIB total do País cresceu 1,8% na comparação anual e 1,1% frente ao trimestre anterior.

Apesar do ritmo moderado na comparação interanual, o resultado é classificado como positivo por entidades do setor, dado que ocorre sobre uma base comparativa recorde do ano anterior. De acordo com o Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a safra passada foi excelente, o que torna o avanço de 0,7% um desempenho expressivo que ajuda a sustentar o resultado econômico nacional.

Integrando a leitura do cenário macroeconômico, o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto) destaca que o acompanhamento de longo prazo reflete melhor a realidade do campo. “A análise da variação anual é a mais pertinente, em função das sazonalidades existentes na produção agropecuária”, afirma.

Segundo Rezende, “embora o conflito no Oriente Médio tenha afetado o setor e gerado um resultado inicialmente mais fraco em termos de expectativas, o saldo final foi muito mais positivo do que negativo para o agronegócio brasileiro, já que o setor ainda impulsionou os resultados neste trimestre”.

“O agro vive muito de ciclos. Lá atrás, você tinha um ciclo muito favorável, e acho que isso explica boa parte do resultado do ano passado. Agora, o que a gente observa no agro tem a ver com ciclos e cenários externos. Mas também há um ponto interessante: às vezes temos impactos negativos do clima e, em outras, positivos. No caso deste ano, o impacto foi mais positivo”, explica o presidente.

Safrinha

De acordo com a análise de especialistas, o PIB do setor ainda deve contar com impactos positivos vindos da soja no segundo trimestre, mas o milho segunda safra desponta como um limitador para os próximos resultados. A avaliação da consultoria indica que será difícil registrar crescimentos fortes no PIB da agropecuária ao longo do ano, com o milho safrinha pressionando o desempenho principalmente na segunda metade de 2026.

A colheita da segunda safra de milho já começou sob a expectativa de redução na oferta. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a produção do cereal deve alcançar 108,4 milhões de toneladas na segunda safra, volume 4,2% menor do que o registrado no ciclo 2024/25. A falta de chuvas afetou severamente a produtividade no Estado de Goiás, e problemas pontuais em menor proporção são observados em Minas Gerais e São Paulo.

Além do milho, analistas do setor privado citam o algodão e a cana-de-açúcar como pontos de atenção para os próximos meses. No primeiro trimestre, o crescimento anual foi sustentado pela soja — que registrou novo recorde de 4,8% na estimativa anual de produção — e pelo segmento de carnes, além de contribuições do café arábica, beneficiado pela bienalidade positiva, e do cacau. Na outra ponta, as principais retrações foram registradas na batata inglesa, no arroz (-10,6%) e no milho (-2,5%).

Juros

O início de ano positivo ocorre em um momento em que a agropecuária começa a sentir com maior intensidade o peso da taxa Selic elevada. Economistas da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV) avaliam que o custo do crédito tende a desacelerar o ritmo de produção nos próximos meses, período em que o clima se tornará uma variável crítica.

A CNA projeta que os resultados do segundo e do terceiro trimestres fiquem próximos da margem, podendo oscilar levemente para cima ou para baixo devido à base comparativa elevada de 2025. Contudo, o grande ponto de interrogação reside no fechamento do ano. A coordenação técnica da entidade alerta que há dúvidas sobre como o fenômeno climático El Niño vai se refletir na safra de inverno, tornando o clima a principal incógnita do setor.

Petróleo e gás

Diferentemente do observado em períodos anteriores, a agropecuária não deve figurar como o principal motor do PIB brasileiro neste ano. Estimativas do Núcleo Econômico da CNA indicam que o protagonismo do crescimento em 2026 deve ser assumido pelos setores de petróleo e gás, do ponto de vista da produção.

O prolongamento dos conflitos no Oriente Médio elevou os preços internacionais do barril de petróleo, levando a indústria extrativa nacional a intensificar o ritmo de atividade. Como o Brasil exporta petróleo bruto e importa subprodutos como diesel e gasolina, a valorização da commodity no mercado internacional deve fazer com que a Petrobras mantenha a produção em patamares elevados, gerando reflexos estatísticos positivos sobre o PIB ao longo de todo o ano.

Fonte: Pensar Agro

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