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Commodities sobem com tensão global e mantêm renda do agro sob influência externa

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A valorização das commodities agrícolas desde o início de março reforça uma característica cada vez mais presente no agronegócio: a formação de preços está mais dependente do cenário internacional do que de fatores internos. Levantamento do Rabobank (um banco internacional de origem holandesa, especializado em agronegócio.) mostra que o índice S&P GSCI Agriculture (indicador que mostra como estão os preços das principais commodities agrícolas no mundo) avançou 0,7% na semana encerrada em 3 de março, puxado por grãos, óleos vegetais e açúcar.

O movimento foi liderado por produtos diretamente ligados ao mercado de energia e à geopolítica, como óleo de soja e milho, além de trigo e café. A alta do petróleo, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, elevou a atratividade dos biocombustíveis e, por consequência, sustentou os preços de matérias-primas agrícolas.

Ao mesmo tempo, houve aumento da participação de investidores financeiros, com compra líquida de mais de 82 mil contratos no período. O fluxo indica recomposição de posições em commodities, mas ainda com cautela: no consolidado, o mercado segue com posição vendida líquida, refletindo incerteza sobre o ritmo da economia global.

No Brasil, o cenário externo se combina com um ambiente doméstico ainda restritivo. O Banco Central iniciou o ciclo de corte da Selic com redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano, mas sinalizou que os próximos movimentos dependerão da evolução da inflação e do cenário internacional.

Na prática, isso significa que o produtor rural entra na safra com duas variáveis centrais ainda instáveis: preço internacional e custo financeiro. Se, por um lado, a valorização das commodities sustenta a receita, por outro, juros elevados continuam pressionando o custo de produção e o capital de giro.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o momento exige leitura mais estratégica do mercado. “Hoje, o preço da commodity não depende só da safra. Ele está diretamente ligado ao que acontece fora do Brasil, seja no petróleo, seja em conflitos internacionais. Isso exige do produtor uma atenção maior à gestão comercial e ao momento de venda”, afirma.

Segundo ele, o avanço dos fundos no mercado reforça a volatilidade. “Quando o investidor financeiro entra com mais força, o preço reage mais rápido, tanto para cima quanto para baixo. Isso pode ser positivo em momentos de alta, mas também aumenta o risco de correções bruscas. O produtor precisa estar protegido, seja com hedge ou com estratégia de comercialização escalonada”, diz.

Rezende também destaca o impacto dos juros sobre a decisão produtiva. “Mesmo com preços melhores, o custo financeiro ainda pesa muito. O crédito continua caro, e isso limita investimento e expansão. Enquanto a taxa de juros não recuar de forma mais consistente, o produtor vai trabalhar mais defensivo, priorizando eficiência e controle de custo”.

No mercado internacional, alguns movimentos específicos chamam atenção. O trigo subiu cerca de 3%, influenciado pelo risco geopolítico, enquanto o óleo de soja avançou 3,8%, refletindo a conexão com energia e biocombustíveis. Já o cacau recuou com melhora climática na África Ocidental, evidenciando o peso das condições de oferta.

O conjunto desses fatores reforça um cenário de maior complexidade para o agro. A renda no campo segue sustentada por preços firmes, mas a volatilidade e o custo do dinheiro impõem uma gestão mais técnica.

No curto prazo, o comportamento das commodities deve continuar sensível ao cenário externo. Para o produtor brasileiro, isso significa operar em um ambiente em que clima, geopolítica e mercado financeiro passaram a ter o mesmo peso na definição do resultado da safra.

Fonte: Pensar Agro

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Nova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas, estima Deral

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A primeira estimativa para a safra 2026/27, divulgada nesta quinta-feira (27.09), aponta uma nova expansão da produção de soja, com 22,64 milhões de toneladas previstas, crescimento de 4% em relação ao ciclo atual. O avanço deve ocorrer praticamente sem aumento da área plantada, sustentado principalmente pela expectativa de maior produtividade nas lavouras.

A projeção foi divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e coloca a produtividade como principal fator para o crescimento esperado na próxima temporada.

A área destinada à soja está estimada em 5,76 milhões de hectares, apenas 0,5% acima dos 5,73 milhões de hectares cultivados em 2025/26. Já o rendimento médio deve passar de 3.802 para 3.930 quilos por hectare, avanço de aproximadamente 3,4%.

Se a previsão se confirmar, serão quase 840 mil toneladas adicionais de soja sem uma expansão proporcional das lavouras. O resultado reforçaria um movimento importante para o produtor em um momento de margens mais apertadas, no qual elevar a produção por hectare tende a ser mais relevante do que simplesmente aumentar a área cultivada.

A estimativa parte de uma base já elevada. Para 2025/26, o Deral calcula produção de 21,80 milhões de toneladas, 3% superior às 21,14 milhões de toneladas colhidas em 2024/25. A projeção praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.

O desempenho da próxima temporada, entretanto, ainda dependerá principalmente do clima. A projeção inicial trabalha com condições consideradas normais de desenvolvimento, enquanto o plantio e as fases mais importantes para definição da produtividade ocorrerão ao longo dos próximos meses.

Milho verão mantém produção acima de 4 milhões de toneladas

Para o milho da primeira safra, a expectativa é de estabilidade. A produção está projetada em 4,10 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 1% abaixo dos 4,14 milhões de toneladas obtidos no ciclo atual.

A área, por outro lado, deve crescer 2%, passando de 365,7 mil para 373 mil hectares. A produtividade esperada é de 10.984 quilos por hectare.

O número chama atenção pelo elevado rendimento do milho verão, que permanece concentrado em uma área muito menor do que a ocupada pela segunda safra. A maior parte do milho paranaense é produzida depois da colheita da soja.

Na temporada 2025/26, o milho verão apresentou forte recuperação. As 4,14 milhões de toneladas representam crescimento de 36% em relação às 3,05 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.

A segunda safra de milho, atualmente em fase final, também recebeu uma revisão positiva. O Deral elevou sua estimativa de 17,05 milhões para 17,32 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 270 mil toneladas em relação à previsão de julho.

Mesmo com a revisão, o volume permanece 3% abaixo das 17,90 milhões de toneladas obtidas em 2024/25. A área cresceu 3%, para 2,917 milhões de hectares, mas a produtividade caiu de 6.317 para 5.940 quilos por hectare.

Trigo perde área e produção

O quadro é menos favorável para o trigo. A estimativa para a safra 2025/26 caiu para 2,37 milhões de toneladas, redução de 18% frente às 2,88 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A retração combina menor área e menor produtividade. O plantio recuou 11%, para 726,9 mil hectares, enquanto o rendimento médio está estimado em 3.259 quilos por hectare, ante 3.526 quilos na temporada passada.

A primeira fotografia da safra 2026/27, portanto, indica que a soja continuará ocupando praticamente a mesma área, mas poderá entregar uma produção maior. Para o produtor, o desafio será transformar o ganho esperado de produtividade em resultado financeiro num cenário em que custos de produção e preços recebidos continuam determinantes para a margem da atividade.

Fonte: Pensar Agro

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