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Brasil reforça protagonismo global no agronegócio em congresso da Abag

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Realizado nesta segunda-feira (11.08) em São Paulo o 24º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) em parceria com a Bolsa de Valores B3. o vento reuniu executivos do agronegócio, influenciadores do setor e autoridades políticas para debater desafios e oportunidades do campo brasileiro.

A abertura contou com uma avaliação forte da sanidade agropecuária brasileira, feira pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Guilherme Campos Júnior. Ele lembrou que, enquanto os Estados Unidos enfrentam crise sanitária — com quase 180 milhões de aves abatidas por influenza —, o Brasil controlou com sucesso o único foco identificado, no Rio Grande do Sul, com 17 mil aves eliminadas. “Isso colocou o Brasil em outro patamar”, declarou o secretário, ressaltando que esse diferencial reforça a posição do país no mercado global.

Campos destacou o papel pioneiro do Brasil na transição energética, que teve início nos anos 1970 com o Proálcool, e ressaltou o recente leilão internacional do programa Brazilian Greenway.

A iniciativa mobilizou recursos da ordem de R$ 164,5 bilhões, para projetos de recuperação de terras, com um montante mínimo de R$ 7,63 bilhões já disponível para investimentos de produtores rurais. “São recursos que vão fortalecer ainda mais a capacidade do agro brasileiro de produzir de forma sustentável e competitiva”, afirmou.

O secretário também comparou o cenário brasileiro com a crise sanitária que afeta os Estados Unidos, onde a influenza aviária levou ao abate de quase 180 milhões de aves, pressionando a oferta e os preços. No Brasil, o problema foi restrito a um foco controlado no Rio Grande do Sul, com cerca de 17 mil aves abatidas. “Essa sanidade diferenciada colocou o Brasil em um outro patamar no comércio internacional”, ressaltou.

Durante o congresso, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), foram discutidos temas cruciais como inovação, sustentabilidade, financiamento e políticas públicas. O presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Antonio Mello Alvarenga, reforçou que, apesar das turbulências políticas internas e das tarifas impostas no comércio exterior, o agro brasileiro segue resiliente e é fundamental para a segurança alimentar global.

O presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, apontou o atual cenário mundial como marcado pelo unilateralismo crescente. Segundo ele, as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros refletem uma estratégia norte-americana de reposicionamento em um mundo cada vez mais fragmentado. Para manter o protagonismo internacional do agro brasileiro, o dirigente defende que o diálogo e a negociação são caminhos essenciais, capazes de garantir equilíbrio e previsibilidade no comércio global, transformando tensões em oportunidades para uma ordem mais estável.

Em sintonia com esse posicionamento, o vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Arnaldo Jardim, ressaltou a importância da negociação contínua, mesmo após a aprovação da lei da reciprocidade pelo Congresso Nacional, que não deve ser acionada precipitadamente. Ele também destacou a expectativa em relação às medidas de apoio que o governo federal deve anunciar para os setores mais afetados pelas tarifas. Apesar dos desafios, o presidente da Abag expressou otimismo, afirmando que o Brasil tem condições de acelerar reformas e consolidar seu papel como parceiro estratégico global, especialmente nas relações com Estados Unidos e China, em prol da segurança alimentar e energética do planeta.

Além dos debates técnicos, o evento contou com homenagens a instituições tradicionais da mídia e a entrega de prêmios que reconhecem contribuições importantes ao setor.

Com a presença de executivos, políticos e representantes da cadeia produtiva, o congresso reforçou a importância da colaboração entre setores para garantir o crescimento e a liderança do agronegócio brasileiro no cenário mundial.

Fonte: Pensar Agro

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Projeto abre caminho para reduzir diesel e cria estímulos a insumos nacionais

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O Senado aprovou nesta quarta-feira (12.08) um projeto que autoriza a redução de tributos federais sobre o óleo diesel e cria medidas de apoio aos biocombustíveis, às exportações do agronegócio e à produção nacional de fertilizantes e bioinsumos. O texto recebeu 61 votos favoráveis e dois contrários e segue para sanção presidencial.

Para o produtor rural, o efeito mais próximo poderá vir do diesel, utilizado no plantio, na colheita, no transporte interno da propriedade e no escoamento da produção. A proposta, no entanto, não reduz automaticamente o preço nas bombas. Ela permite que o governo diminua tributos ou conceda subvenções para conter aumentos provocados pela crise internacional de energia.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026 abrange a importação, a produção e a comercialização de diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. As medidas foram negociadas pelo governo e pelo Congresso diante dos efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre o preço do petróleo.

Na prática, o impacto sobre o custo do produtor dependerá da sanção presidencial, das medidas que forem adotadas posteriormente pelo governo e do repasse da redução tributária ao preço final do diesel. O texto cria as condições legais para a desoneração, mas não estabelece quanto o combustível ficará mais barato nem quando a queda chegará às bombas.

A proposta também determina que qualquer benefício concedido aos combustíveis fósseis preserve a competitividade dos biocombustíveis. A diferença tributária em favor do biodiesel e do etanol deverá permanecer equivalente à existente antes do conflito no Oriente Médio.

Se a tributação federal da gasolina for reduzida em pelo menos 30%, as alíquotas incidentes sobre o etanol serão zeradas. O objetivo é evitar que uma eventual queda artificial no preço da gasolina retire a competitividade do combustível renovável.

O texto autoriza ainda uma subvenção de até R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado em 2026. Usinas e cooperativas também poderão utilizar saldos credores do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para compensar débitos administrados pela Receita Federal. O limite global será de R$ 750 milhões.

Outra mudança alcança empresas que compram produtos agropecuários in natura para exportação. O percentual mínimo de receita obtida no mercado externo necessário para suspender o pagamento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) cairá de 50% para 30%.

Com isso, um número maior de compradores poderá adquirir produtos agropecuários sem o recolhimento imediato desses tributos. A intenção é reduzir o acúmulo de créditos tributários e o custo financeiro das empresas exportadoras, facilitando as operações com produtos destinados ao mercado internacional.

O projeto também autoriza até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para projetos de produção de fertilizantes, matérias-primas, remineralizadores, biofertilizantes e bioinsumos no Brasil entre 2027 e 2031. O limite inicial será de R$ 1 bilhão por ano, e o benefício poderá corresponder a até 20% dos gastos realizados com a produção nacional.

Esse incentivo não representa desconto imediato na compra de adubo pelo produtor. O efeito esperado é de médio e longo prazo, com a ampliação da fabricação brasileira e a redução da vulnerabilidade do País às oscilações cambiais, aos custos internacionais e às interrupções no fornecimento externo.

Mercadorias destinadas aos projetos aprovados também ficarão isentas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). A renúncia será limitada a R$ 200 milhões por ano entre 2027 e 2031.

Segundo o governo, a perda de arrecadação será compensada pelo aumento das receitas federais provenientes do setor de petróleo e gás. Entre janeiro e março de 2026, essa arrecadação somou R$ 28 bilhões, ante R$ 9 bilhões no mesmo período de 2025.

Para o produtor, portanto, o projeto atua em três frentes: permite uma intervenção para conter o custo do diesel, protege as cadeias de etanol e biodiesel e cria incentivos para ampliar a oferta nacional de insumos. A redução efetiva das despesas no campo, porém, dependerá da aplicação das medidas e de quanto dos benefícios chegará aos preços pagos pelo setor agropecuário.

Fonte: Pensar Agro

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