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Agronegócio entra em 2026 mais tecnológico, mais exposto e sob pressão

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A trajetória do agronegócio brasileiro em 2025 foi marcada por números históricos e por uma transformação estrutural que vai muito além de simples recordes de exportação. Se, no ano passado, a balança comercial do Brasil alcançou aproximadamente R$ 1,88 trilhão – LEIA AQUI), esse desempenho revela não apenas a força das commodities, mas também um campo cada vez mais inserido em cadeias globais de valor, competências digitais e riscos sistêmicos inéditos.

A despeito da visibilidade midiática dos dados — que mostraram avanços em soja, carnes, café e pecuária em mais de 500 mercados —, a verdadeira pauta para 2026 não está no quanto exportamos, mas no como nos preparamos para manter esse patamar competitivo em cenários geopolíticos e tecnológicos mais complexos.

O avanço tecnológico no campo deixou de ser promessa para virar infraestrutura produtiva. Tratores autônomos, drones com mapeamento em tempo real, sensores de solo integrados à nuvem e rede 5G ampliada transformaram a agricultura. Mas essa mesma digitalização que elevou a produtividade criou um novo vetor de risco: a dependência de sistemas e dados.

“O campo brasileiro é hoje tão dependente de tecnologia quanto de chuva, e isso exige uma mudança de mentalidade sobre segurança que ainda não aconteceu. Máquinas conectadas são computadores móveis. Se um sistema for comprometido por um ataque, a cadeia produtiva inteira pode travar”, como observa Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT).

Casos recentes nos Estados Unidos e na Europa, onde sistemas agrícolas foram alvo de ataques cibernéticos que paralisaram operações, mostram que esse risco não é abstrato. No Brasil, a expansão da conectividade rural avançou de modo acelerado, mas a proteção digital não acompanhou na mesma proporção.

“Não estamos falando de proteger dados, mas de garantir continuidade operacional. Esse é o novo eixo de competitividade. Se a segurança digital não for prioridade em 2026, o agro pode regredir tão rápido quanto evoluiu”, defende Rezende.

É inegável que a China continua sendo o principal destino das commodities brasileiras — e isso traz tanto vantagem quanto dependência. Em 2025, o país asiático respondeu por quase metade dos volumes embarcados em produtos como soja e carnes. Mas essa concentração de mercado, se não for gerida de forma estratégica, expõe o Brasil a alterações abruptas de política comercial externa.

“Diversificar não é apenas conquistar novos clientes, é reduzir risco sistêmico. O agro já percebeu isso, mas o passo agora é transformar essa percepção em política comercial ativa — e não apenas em missões pontuais”, diz Isan.

O mesmo vale para mercados emergentes no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e na África, onde produtos brasileiros ainda têm espaço de ampliação, mas exigem estrutura logística e negociações de longo prazo.

Números robustos escondem um gargalo persistente: logística. O Brasil continua a exportar pela mesma estrutura portuária e rodoviária que emperrou em períodos de safra volumosa. A dependência de modais saturados encarece a produção e reduz a competitividade em tempos de crise global.

O êxito exportador de 2025 foi conquistado apesar, não por causa da infraestrutura. Isso significa que manter competividade em 2026 pressupõe avanços concretos em portos, ferrovias e integração modal, algo que ainda não entrou de forma decisiva na agenda nacional.

Para Isan Rezende, a transformação digital não é neutra — ela redefine toda a gestão rural. “O que vemos hoje é uma agricultura que domina hardware e software, mas ainda guarda práticas antiquadas de proteção e governança de risco. O salto de produtividade tem que ser acompanhado de governança e resiliência. Só assim o agro brasileiro fará mais do que exportar valor: fará valer sua reputação global”.

Se 2025 ficará nos livros como ano de recordes, 2026 será lembrado como o ano em que o agro terá de provar que pode sustentar esse desempenho em um ambiente global reconfigurado. Isso inclui:

  • Gerenciar dependências comerciais críticas — especialmente com a China;

  • Ampliar mercados de alto valor agregado;

  • Integrar segurança digital aos modelos operacionais;

  • Investir em logística e infraestrutura física;

  • Desenvolver capacidade institucional interna de governança de risco tecnológico.

“Em síntese, o agronegócio brasileiro alcançou números extraordinários em 2025 — mas o consenso entre lideranças técnicas é claro: a competitividade do futuro dependerá menos da produção física e mais da capacidade de proteger, conectar e governar essa produção dentro de um ambiente global cada vez mais interdependente e digital”, completou o Presidente do IA e da Feagro-MT.

Fonte: Pensar Agro

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Nova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas, estima Deral

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A primeira estimativa para a safra 2026/27, divulgada nesta quinta-feira (27.09), aponta uma nova expansão da produção de soja, com 22,64 milhões de toneladas previstas, crescimento de 4% em relação ao ciclo atual. O avanço deve ocorrer praticamente sem aumento da área plantada, sustentado principalmente pela expectativa de maior produtividade nas lavouras.

A projeção foi divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e coloca a produtividade como principal fator para o crescimento esperado na próxima temporada.

A área destinada à soja está estimada em 5,76 milhões de hectares, apenas 0,5% acima dos 5,73 milhões de hectares cultivados em 2025/26. Já o rendimento médio deve passar de 3.802 para 3.930 quilos por hectare, avanço de aproximadamente 3,4%.

Se a previsão se confirmar, serão quase 840 mil toneladas adicionais de soja sem uma expansão proporcional das lavouras. O resultado reforçaria um movimento importante para o produtor em um momento de margens mais apertadas, no qual elevar a produção por hectare tende a ser mais relevante do que simplesmente aumentar a área cultivada.

A estimativa parte de uma base já elevada. Para 2025/26, o Deral calcula produção de 21,80 milhões de toneladas, 3% superior às 21,14 milhões de toneladas colhidas em 2024/25. A projeção praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.

O desempenho da próxima temporada, entretanto, ainda dependerá principalmente do clima. A projeção inicial trabalha com condições consideradas normais de desenvolvimento, enquanto o plantio e as fases mais importantes para definição da produtividade ocorrerão ao longo dos próximos meses.

Milho verão mantém produção acima de 4 milhões de toneladas

Para o milho da primeira safra, a expectativa é de estabilidade. A produção está projetada em 4,10 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 1% abaixo dos 4,14 milhões de toneladas obtidos no ciclo atual.

A área, por outro lado, deve crescer 2%, passando de 365,7 mil para 373 mil hectares. A produtividade esperada é de 10.984 quilos por hectare.

O número chama atenção pelo elevado rendimento do milho verão, que permanece concentrado em uma área muito menor do que a ocupada pela segunda safra. A maior parte do milho paranaense é produzida depois da colheita da soja.

Na temporada 2025/26, o milho verão apresentou forte recuperação. As 4,14 milhões de toneladas representam crescimento de 36% em relação às 3,05 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.

A segunda safra de milho, atualmente em fase final, também recebeu uma revisão positiva. O Deral elevou sua estimativa de 17,05 milhões para 17,32 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 270 mil toneladas em relação à previsão de julho.

Mesmo com a revisão, o volume permanece 3% abaixo das 17,90 milhões de toneladas obtidas em 2024/25. A área cresceu 3%, para 2,917 milhões de hectares, mas a produtividade caiu de 6.317 para 5.940 quilos por hectare.

Trigo perde área e produção

O quadro é menos favorável para o trigo. A estimativa para a safra 2025/26 caiu para 2,37 milhões de toneladas, redução de 18% frente às 2,88 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A retração combina menor área e menor produtividade. O plantio recuou 11%, para 726,9 mil hectares, enquanto o rendimento médio está estimado em 3.259 quilos por hectare, ante 3.526 quilos na temporada passada.

A primeira fotografia da safra 2026/27, portanto, indica que a soja continuará ocupando praticamente a mesma área, mas poderá entregar uma produção maior. Para o produtor, o desafio será transformar o ganho esperado de produtividade em resultado financeiro num cenário em que custos de produção e preços recebidos continuam determinantes para a margem da atividade.

Fonte: Pensar Agro

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