Cultura
Musical une realidade e fantasia para contar a vida de Moraes Moreira
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Mais uma estrela da música popular brasileira terá sua história contada e cantada nos palcos. Estreia em agosto, em Salvador, o espetáculo Moraes Musical Moreira, que trata da vida do músico baiano

Inspirado na linguagem do cordel e embalado pelas canções do artista, o espetáculo costura realidade e fantasia para materializar a vida e a obra de Moraes.
A dramaturgia aborda a infância, as influências, os mestres, as pesquisas de repertório, as parcerias e tudo mais que maturou a música de Moraes Moreira tanto em sua carreira solo, quanto no período em que esteve presente no grupo Novos Baianos, sem deixar de lado a contribuição dele para a consolidação dos Trios Elétricos no Carnaval da Bahia.
Em cena, o ator Rodrigo Sestrem vai interpretar o Poeta Cantador, título afetivo de Moraes, que acompanha a jornada do alter ego, o Vaqueiro do Som – papel de Cris Meirelles – que atravessa o país recolhendo harmonias em busca da própria musa, a Música, encarnada pela atriz e cantora Júlia Tizumba.
Rodrigo, um dos intérpretes de Moraes, conta como o artista já fazia parte de seu cotidiano antes mesmo do musical.
“Eu lembro que desde jovem as pessoas falavam: ‘você é filho de Moraes’. ‘Meu Deus, você parece Moraes’. Essa figura de Moraes sempre me perseguiu de alguma forma. E a obra dele sempre me encantou . E a caracterização realmente transforma a gente. Ela realmente influencia. Você se sente um pouco r,esponsável por contar essa história da forma mais próxima possível. Moraes Moreira, para mim, é um grande presente”.
Júlia, a “Musa Música”, destaca que o espetáculo investiga como o repertório de Moraes criou uma conexão tão popular.
“Traz essa conexão da forma como a obra de Moraes chega no povo, chega na praça, chega na rua. é um verdadeiro musical popular brasileiro que tá chegando para tremer o chão da praça e a gente tá muito feliz de poder trazer essas danças populares, essa música popular brasileira, nessa diversidade que é o elenco, nessa diversidade que é a equipe e honrando essa obra genial de Moraes Moreira”.
As apresentações do musical Moraes Musical Moreira acontecerão no Teatro Castro Alves, entre os dias 13 e 30 de agosto. Os ingressos já estão à venda pela plataforma Sympla. Após a temporada baiana, o espetáculo seguirá em turnê, entre os meses de setembro e novembro, passando por Recife, Brasília e Rio de Janeiro.
O músico tem o pioneirismo vocal ligado ao carnaval. No ano de 1976, assumiu os vocais do trio de Dodô e Osmar, em Salvador. A discografia do artista conta com quase 100 títulos entre álbuns solos, parcerias, singles e coletâneas, deixando várias canções reconhecidas no cenário da MPB em vários gêneros.
Moraes Moreira é o nome artístico de Antônio Carlos Moraes Pires, nascido em Ituaçu, na Bahia. Ele faleceu em 13 de abril de 2020. O músico completaria 79 anos no último dia 8 de julho.
* Com produção de Luciene Cruz.
Cultura
Em Cachoeira (BA), Festa da Boa Morte começa nesta quinta-feira
Começa nesta quinta-feira (13) e segue até a próxima segunda (17) a Festa da Boa Morte, realizada há mais de 200 anos na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. A tradição secular é celebrada somente por mulheres que fazem parte da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reunindo missas, procissões, gastronomia e atividades culturais.

O administrador do centro cultural da Irmandade, Valmir dos Santos, explica como a organização tem trabalhado para preservar a tradição e receber cada vez mais visitantes na cidade histórica:
“As mulheres daqui preservam e salvaguardam isso com muito vigor. A gente sabe que não existe um livro, uma Bíblia, uma coisa para dar esse norte, para seguir, mas essa força ancestral, de uma passando para outra. E, depois, tiveram a inteligência de, já agora, no início do século XXI, criar um estatuto, justamente para salvaguardar esse processo.”
Segundo os historiadores, a Irmandade da Boa Morte surgiu a partir da união de mulheres que haviam sido escravizadas, com o objetivo de conseguir a alforria e facilitar a fuga de outros escravos. Desde então, as integrantes mantêm o legado das ancestrais, passando a tradição de mãe para filha e levando o espetáculo de devoção para as ruas da cidade, em uma homenagem a Nossa Senhora da Boa Morte.
A atual presidente da irmandade é Cleusa Maria Santana, que explica como é fazer parte da confraria e destaca o momento de maior emoção durante as celebrações:
“O momento mais importante para mim é o dia 15. É uma celebração de Nossa Senhora da Glória, na qual ela não morreu, foi uma dormição. E, no dia 15, ela é levada ao céu, a assunção da bem-aventurada Virgem Maria, a mãe de Jesus. A porta para a vitória da humanidade redimida, glória que alcançaremos acolhendo e vivendo a palavra de Deus.”
A programação completa, que segue até a próxima segunda-feira, pode ser conferida no perfil no Instagram @irmandadedaboamorte.oficial.
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