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Conab moderniza armazém e entrega equipamentos a produtores

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entregou, na última quinta-feira (18), a modernização da Unidade Armazenadora (UA) de Ananindeua (PA), devolvendo 17,5 mil toneladas de capacidade estática ao mercado. Com a reforma, a estatal busca reduzir o gargalo de armazenagem na região, permitindo que o produtor paraense tenha onde guardar sua safra com segurança e evitar a venda forçada no momento da colheita, quando os preços costumam ser pressionados pela oferta elevada.

O reforço na logística faz parte de um conjunto de medidas para alavancar a produção no Estado, que incluiu o aporte de R$ 3,1 milhões via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Além do capital para comercialização, a estatal entregou oito mini colheitadeiras e quatro kits de maquinários, focados em resolver gargalos operacionais que limitam a escala e a produtividade da agricultura familiar local.

O volume de R$ 3,1 milhões será direcionado à compra de 147,2 toneladas de alimentos, além da entrega de 18,8 toneladas de sementes crioulas e 23,5 mil mudas frutíferas. A estratégia é fomentar a agrobiodiversidade e garantir que as comunidades tenham insumos de qualidade para o plantio.

A Associação Estadual de Agricultores e Guardiões da Agrobiodiversidade na Amazônia (Aefaga), de Igarapé-Açu, foi uma das entidades beneficiadas, com um contrato de R$ 615 mil. O recurso viabilizará a distribuição de mudas e sementes para 385 famílias em Ananindeua, Santa Luzia do Pará e Viseu, conectando a produção dessas propriedades ao mercado.

Desde 2023, a atuação da Conab no Pará soma mais de R$ 96,3 milhões em investimentos, distribuídos em 328 projetos. O trabalho alcança 94 municípios, permitindo a comercialização de 12,2 mil toneladas de alimentos produzidos por cerca de 8,3 mil famílias. As ações visam garantir renda ao produtor e, ao mesmo tempo, regular o abastecimento regional, oferecendo infraestrutura de estocagem para o escoamento eficiente da produção.

Fonte: Pensar Agro

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Com cota chinesa por um fio, JBS suspende abates e acende alerta na pecuária nacional

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Esta cota é um mecanismo de salvaguarda previsto no protocolo sanitário e comercial entre Brasil e China. O objetivo chinês é proteger sua própria cadeia produtiva e evitar uma dependência total de um único fornecedor, mantendo o controle sobre os preços internos e o volume de entrada da proteína. Para o Brasil, a solução estrutural para este gargalo passa obrigatoriamente pela diversificação da pauta de destinos: a indústria precisa acelerar a habilitação de novos mercados, como Indonésia, Vietnã e o fortalecimento de blocos como o Oriente Médio, para reduzir a suscetibilidade à política de “torneira fechada” de Pequim.

Paralelamente à crise na proteína bovina, um novo vetor de instabilidade surge no setor de grãos, aumentando a pressão sobre o agro brasileiro. A recente reaproximação comercial entre Pequim e Washington, após a cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump, coloca os Estados Unidos novamente como um concorrente agressivo no fornecimento de soja. O anúncio pelo USDA de que a China já iniciou a compra de 132 mil toneladas da safra americana 2026/27 — somadas a outras 384 mil toneladas de destino ainda não confirmado — sinaliza o cumprimento dos compromissos de importação firmados pelos chineses, que prometem adquirir cerca de US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas dos EUA até 2028.

Na opinião do presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o cenário atual revela uma fragilidade estrutural que o setor vinha tentando postergar. “Nossa dependência excessiva do mercado chinês transformou uma política de salvaguardas em um freio de mão para toda a economia agropecuária brasileira. Quando o maior comprador do mundo decide, por meio de cotas tarifárias, o ritmo em que devemos produzir, perdemos a soberania sobre o ciclo produtivo e entregamos o controle das margens ao sabor de decisões geopolíticas em Pequim”, afirma Rezende.

“Essa pressão sobre a carne bovina é apenas o primeiro sinal de um reposicionamento comercial mais amplo. A entrada agressiva dos Estados Unidos como concorrente direto na oferta de grãos, após os recentes compromissos entre Washington e Pequim, retira do Brasil a vantagem de ser o fornecedor único ou preferencial. O produtor precisa entender que o mundo não está mais jogando com as mesmas cartas de 2025; estamos diante de uma disputa por participação de mercado onde o Brasil, pela primeira vez em anos, começa a ser pressionado em múltiplas frentes de exportação simultaneamente”, destaca o presidente do IA.

“A solução não é simples, mas é urgente: a profissionalização da gestão dentro da porteira não bastará se não houver um esforço nacional para a diversificação de mercados. O agro brasileiro precisa descolar sua rentabilidade da volatilidade das relações sino-americanas. Se não buscarmos ativamente novos destinos e não modernizarmos nossa estratégia de comercialização para não sermos apenas um fornecedor de volume, continuaremos vulneráveis a essas ‘torneiras fechadas’ que, cada vez mais, ameaçam a estabilidade financeira das nossas propriedades”, conclui Rezende.

Para o produtor brasileiro, esse cenário desenha um desafio duplo. Se por um lado a pecuária enfrenta o teto de cota que limita o escoamento da carne, por outro, a agricultura lida com o retorno dos EUA à disputa pelo mercado chinês, o que pode pressionar as cotações da soja e forçar uma revisão nas margens de lucro para a próxima colheita. A combinação entre a salvaguarda chinesa na carne e o retorno da competitividade americana na soja exige que o setor brasileiro profissionalize ainda mais sua gestão de estoque e busque mercados de nicho, sob o risco de ficar refém de decisões políticas tomadas entre Washington e Pequim, que pouco levam em conta a realidade da porteira brasileira.

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