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Corinthians vence o Atlético-MG com gol no fim e ganha fôlego na tabela
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O Corinthians conquistou uma vitória importante na noite deste domingo ao derrotar o Atlético-MG por 1 a 0, na Neo Química Arena, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol decisivo foi marcado por Zakaria Labyad já na reta final do segundo tempo, em um jogo que também ficou marcado pelo retorno de Memphis Depay após dois meses afastado por lesão na coxa.
Com o resultado, o time paulista chegou aos 21 pontos, subiu para a 15ª colocação e abriu três de vantagem sobre o Santos, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento, com 18. O Atlético-MG, que vinha de três partidas sem perder, estacionou nos 21 pontos e permaneceu na 11ª posição.
O jogo
O Corinthians começou a partida com mais iniciativa e criou a primeira boa oportunidade logo aos quatro minutos, quando Gustavo Henrique tabelou com Yuri Alberto e finalizou com perigo, rente à trave esquerda de Everson. O Atlético respondeu pouco depois em cobrança de falta de Bernard, que encontrou Cuello em condição favorável, mas o atacante não conseguiu acertar o alvo.
O confronto seguiu equilibrado ao longo da primeira etapa. O time mineiro voltou a assustar aos 15 minutos em jogada construída pela esquerda, enquanto o Corinthians tentou responder em chegada de Breno Bidon, que finalizou sem direção. A melhor chance atleticana surgiu aos 33, quando Cuello completou para as redes após cruzamento rasteiro de Renan Lodi, mas o lance foi invalidado por impedimento.
Nos minutos finais antes do intervalo, o Corinthians cresceu em campo e passou a pressionar mais. André teve chance pelo alto em cruzamento de Garro, e o próprio meia argentino ainda obrigou Everson a fazer boa defesa em chute de primeira da entrada da área.
Na etapa complementar, o Atlético-MG conseguiu levar perigo em contra-ataques, enquanto o Corinthians buscava mais presença ofensiva. Aos 15 minutos, a noite ganhou um ingrediente especial para a torcida alvinegra com a entrada de Memphis Depay, que voltou a atuar depois de mais de dois meses fora. A última participação do holandês havia sido no empate por 1 a 1 com o Flamengo, em 22 de março.
Mesmo ainda retomando o ritmo de jogo, Memphis participou de lances importantes no setor ofensivo. Em uma das jogadas, avançou pela esquerda e conseguiu um escanteio. Depois, apareceu dentro da área após cruzamento de Kaio César e escorada de Yuri Alberto, mas não conseguiu concluir.
O Atlético também teve suas oportunidades. Bernard desperdiçou uma boa chance de cabeça, e Cassierra tentou uma finalização de voleio, sem sucesso. Quando o empate parecia encaminhado, o Corinthians encontrou o caminho da vitória aos 42 minutos. Matheuzinho foi ao fundo e cruzou para a segunda trave. A bola atravessou a área até encontrar Labyad livre, que bateu de primeira para definir o placar.
Nos acréscimos, o Timão ainda tentou ampliar em contra-ataque puxado por Kaio César e Yuri Alberto, mas a defesa atleticana conseguiu cortar o passe que buscava Memphis. O apito final confirmou um resultado valioso para o Corinthians, que respira um pouco mais aliviado na luta para se afastar das últimas posições, enquanto o Atlético-MG voltou a tropeçar fora de casa.
Próximos jogos
Corinthians
Jogo: Corinthians x Platense
Competição: Copa Libertadores (6ª rodada)
Data e horário: 27 de maio de 2026 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
Atlético-MG
Jogo: Atlético-MG x Puerto Cabello
Competição: Copa Sul-Americana (5ª rodada)
Data e horário: 27 de maio de 2026 (quinta-feira), às 19h (de Brasília)
Local: Arena MRV, em Belo Horizonte (MG)
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Corinthians 1 x 0 Atlético-MG | |
| Competição | 17ª rodada do Campeonato Brasileiro |
| Local | Neo Química Arena, em São Paulo (SP) |
| Data | 24 de maio de 2026 (domingo) |
| Horário | 18h30 (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Yuri Alberto (Corinthians); Cuello e Ruan Tressoldi (Atlético-MG) |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Rafael Rodrigo Klein (RS) |
| Assistentes | Rafael da Silva Alves (RS) e Anne Kesy Gomes Sá (AM) |
| VAR | Paulo Renato Moreira da Silva Coelho (RJ) |
| Gols | Zakaria Labyad, aos 43′ do 2ºT (Corinthians) |
| Corinthians | Hugo Souza; Matheuzinho, Gustavo Henrique, Gabriel Paulista e Matheus Bidu; André (Memphis Depay), Raniele (Allan), Rodrigo Garro (Zakaria Labyad) e Bidon (André Carrillo); Lingard (Kaio César) e Yuri Alberto. Técnico: Fernando Diniz |
| Atlético-MG | Everson; Natanael, Ruan Tressoldi, Júnior Alonso e Renan Lodi; Alan Franco, Maycon e Victor Hugo (Alan Minda); Cuello, Bernard (Cissé) e Cassierra. Técnico: Eduardo Domínguez |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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