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Cruzeiro vence a Chapecoense no Mineirão e sobe na tabela
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O Cruzeiro conquistou uma vitória importante diante da Chapecoense neste domingo, no Mineirão, ao bater o adversário por 2 a 1 pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois de abrir boa vantagem com gols de Kaio Jorge e Sinisterra, a equipe mineira viu a Chape reagir na reta final, mas conseguiu sustentar o resultado e ampliar sua sequência positiva na competição.
Com os três pontos, a Raposa chegou aos 23 e avançou para a nona colocação. A Chapecoense, por outro lado, permanece na última posição, com apenas nove pontos somados.
O jogo
O time celeste saiu na frente ainda no primeiro tempo. Aos 24 minutos, Matheus Pereira foi derrubado por Carvalheira dentro da área, e o árbitro assinalou pênalti. Na cobrança, Kaio Jorge bateu com firmeza e colocou o Cruzeiro em vantagem.
Na etapa complementar, os donos da casa voltaram a balançar as redes aos 18 minutos. Sinisterra recebeu já dentro da área e finalizou para marcar o segundo da equipe mineira, dando a impressão de que a partida estava encaminhada.
A Chapecoense, no entanto, voltou para o jogo aos 34 minutos, quando João Paulo aproveitou cobrança de escanteio e cabeceou com força para descontar. Pouco depois, Bolasie chegou a marcar o que seria o empate, mas o gol foi invalidado por impedimento.
Nos acréscimos, a equipe catarinense ainda reclamou de um possível pênalti após toque de mão de Bruno Rodrigues. O lance foi revisado pelo VAR, mas a arbitragem decidiu não marcar a penalidade.
Mesmo com o susto no fim, o Cruzeiro confirmou a vitória em casa e alcançou o terceiro jogo seguido sem perder no Brasileirão. A Chapecoense, apesar da reação na parte final, segue afundada na lanterna e sem conseguir transformar a melhora ofensiva em resultado.
Próximos jogos
Cruzeiro
- Cruzeiro x Barcelona-EQU (Libertadores)
- Data e horário: 28 de maio de 2026 (quinta-feira), 21h30
- Local: Mineirão, em Belo Horizonte (BH)
Chapecoense
- Chapecoense x Novorizontino (Copa sul-sudeste)
- Data e horário: 27 de maio de 2026 (quarta-feira), 19h
- Local: Arena Condá, em Chapecó.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Cruzeiro 2 x 1 Chapecoense | |
| Competição | 17ª rodada do Campeonato Brasileiro |
| Local | Mineirão, em Belo Horizonte (BH) |
| Data | 24 de maio de 2026 (domingo) |
| Horário | 16h (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Eduardo Doma e Vinicius (Chapecoense); Kaique Kenji (Cruzeiro) |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Gols | Kaio Jorge, aos 27’ do 1ºT (Cruzeiro); Luis Sinisterra, aos 18’ do 2ºT (Cruzeiro); João Paulo, aos 34’ do 2ºT (Chapecoense) |
| Árbitro | Flávio Rodrigues de Souza (SP) |
| Auxiliares | Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Joverton Wesley de Souza Lima (RO) |
| VAR | Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP) |
| Cruzeiro | Otávio; Kauã Moraes (Fagner), Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Kaiki; Lucas Romero (Matheus Henrique), Gerson, Kenji (Christian) e Matheus Pereira; Sinisterra (Bruno Rodrigues) e Kaio Jorge (Villarreal). Técnico: Artur Jorge |
| Chapecoense | Anderson; Eduardo Doma (Vinicius (Jean Carlos)), Bruno Leonardo e João Paulo; Everton (Marcos Vinicius), Bruno Pacheco, Vinícius Balieiro (Higor Meritão) e Rafael Carvalheira; Ênio, Marcinho (Garcez) e Bolasie. Técnico: Fábio Matias |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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