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Cruzeiro vence o Goiás e garante vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil

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Em uma partida de forte pressão e muitas chances desperdiçadas, o Cruzeiro superou o Goiás por 1 a 0, nesta terça-feira (12.05), no Mineirão, e confirmou a classificação na Copa do Brasil. O gol da vitória foi marcado por Kaio Jorge, de pênalti, ainda no primeiro tempo.

O jogo

A equipe mineira começou a partida ditando o ritmo e criando as melhores oportunidades. Logo nos primeiros minutos, o time de Belo Horizonte já mostrava intensidade ofensiva, com chegada frequente à área adversária e volume suficiente para encurralar o Goiás. Tadeu foi um dos principais nomes do jogo ao evitar que a vantagem celeste fosse ainda maior.

A pressão cruzeirense aumentou até a marcação da penalidade, confirmada após revisão do VAR. Kaio Jorge foi para a cobrança com tranquilidade, deslocou o goleiro e abriu o placar no Mineirão. O gol fez jus ao domínio do Cruzeiro na etapa inicial, que terminou com ampla superioridade nas finalizações e posse de bola favorável.

Segundo tempo

O Goiás tentou reagir e passou a adiantar suas linhas em busca do empate. O time goiano apostou em mudanças para ganhar fôlego no ataque e chegou a assustar em alguns lances, especialmente com Esli García e Anselmo Ramon. Mesmo assim, o Cruzeiro conseguiu sustentar a vantagem e ainda levou perigo nos contra-ataques.

Nos minutos finais, a partida ficou ainda mais dramática. O Goiás pressionou, teve chance clara de empatar e chegou a acertar a trave, mas parou na boa atuação da defesa celeste e na segurança do sistema defensivo mineiro. O Cruzeiro, por sua vez, administrou o resultado até o apito final e confirmou a classificação diante de sua torcida.

A noite no Mineirão terminou com festa azul e alívio depois de um confronto tenso, marcado por intensidade, disputa física e momentos de grande emoção. O Cruzeiro segue vivo na competição e agora volta suas atenções para os próximos compromissos da temporada.

FICHA TÉCNICA
Cruzeiro 1 x 0 Goiás
Competição Copa do Brasil – Quinta fase (volta)
Local Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Data 12 de maio de 2026 (terça-feira)
Horário 21h30 (de Brasília)
Cartões amarelos Lucas Romero (Cruzeiro); Lucas Lima, Bruno Sávio e Lourenço (Goiás)
Cartões vermelhos Nenhum
Gol Kaio Jorge, aos 32′ do 1ºT (Cruzeiro)
Árbitro Bruno Arleu de Araújo (RJ)
Assistentes Luanderson Lima dos Santos (BA) e Thiago Henrique Neto Corrêa Farinha (RJ)
VAR José Cláudio Rocha Filho (SP)
Cruzeiro Otávio; Kauã Moraes, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus, Kaiki Bruno; Lucas Romero, Gerson, Matheus Pereira (Marquinhos); Arroyo (Bruno Rodrigues), Kaio Jorge (Neyser Villarreal) e Kaique Kenji (Sinisterra)
Técnico do Cruzeiro Artur Jorge
Goiás Tadeu; Rodrigo Soares (Diego Caito), Ramon Menezes, Lucas Ribeiro, Nicolas; Felipe Machado, Lucas Rodrigues, Lucas Lima (Anselmo Ramon), Gegê (Lourenço); Kadu Sousa (Bruno Sávio) e Jean Carlos (Esli García)
Técnico do Goiás Daniel Paulista

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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