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Palmeiras vence o Bahia e dispara na liderança do Brasileirão

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O Palmeiras deu um passo importante na corrida pelo título do Campeonato Brasileiro ao vencer o Bahia por 2 a 1, na noite deste domingo, na Fonte Nova. Com um gol decisivo nos minutos finais da partida, o Alviverde demonstrou a força de um líder e ampliou sua vantagem na ponta da tabela, deixando o tricolor baiano para trás na disputa por posições no G4.

Com a vitória, o time paulista alcança os 25 pontos e abre uma distância de cinco pontos sobre o segundo colocado, o São Paulo, consolidando sua posição na liderança. Para o Bahia, o resultado foi um revés, somando agora 17 pontos e caindo para a quinta posição, sendo ultrapassado pelo Flamengo na rodada.

O jogo

O Bahia começou o confronto com mais intensidade e ditando o ritmo do jogo. Aos 16 minutos, Kike Oliveira assustou o goleiro Carlos Miguel com um potente chute de fora da área, exigindo uma boa defesa. O time da casa continuou pressionando, e aos 31, Everaldo arriscou uma bicicleta que não encontrou o alvo.

O Palmeiras demorou a engrenar, com o primeiro chute a gol saindo apenas aos 38 minutos, em uma tentativa de Arthur que não levou perigo. No entanto, a eficiência alviverde logo se fez presente. Aos 40, em uma jogada ensaiada de falta, Jhon Arias encontrou Maurício, que parou em Léo Vieira. Mas dois minutos depois, Arias tabelou com Flaco López, recebeu de calcanhar e, de primeira, acertou um lindo chute no ângulo direito, marcando um golaço e abrindo o placar para o Verdão.

Segundo tempo

A segunda etapa começou com um susto para o Bahia. Logo aos dois minutos, Flaco López lançou Maurício, que marcou, mas o gol foi anulado por impedimento. O tricolor baiano, então, buscou o empate com determinação. Aos 11, Kike Oliveira e Everton Ribeiro testaram Carlos Miguel, que realizou defesas importantes.

A pressão surtiu efeito aos 14 minutos. Em uma cobrança de escanteio curta, Jean Lucas rolou para Everton Ribeiro, que cruzou na cabeça de David Duarte. O zagueiro cabeceou firme, no contrapé de Carlos Miguel, e deixou tudo igual na Fonte Nova. Onze minutos depois, o Bahia quase virou o jogo em um lance onde Giay salvou o Palmeiras em cima da linha após um calcanhar de Everton Ribeiro.

Quando o empate parecia ser o desfecho, o Palmeiras, fiel à sua característica de não desistir, encontrou o gol da vitória. Aos 43 minutos, após cobrança de escanteio de Andreas Pereira, a bola passou pela primeira trave e Santiago Ramos Mingo, do Bahia, acabou desviando contra o próprio gol, definindo o placar de 2 a 1 para o Alviverde. Nos acréscimos, Andreas Pereira ainda cobrou uma falta direta que exigiu boa defesa de Léo Vieira.

Próximos desafios

Com a liderança consolidada, o Palmeiras agora volta suas atenções para a Copa Libertadores, onde enfrentará o Junior Barranquilla na Colômbia, na próxima quarta-feira, 8 de abril de 2026, às 21h30 (de Brasília).

Já o Bahia terá a chance de se recuperar no Campeonato Brasileiro, enfrentando o Mirassol fora de casa pela 11ª rodada, no sábado, 11 de abril de 2026, às 18h30 (de Brasília).

FICHA TÉCNICA
BAHIA 1 X 2 PALMEIRAS
Local Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data 05 de abril de 2026 (domingo)
Horário 19h30 (de Brasília)
Competição Campeonato Brasileiro (10ª rodada)
Gols Minuto Time
Jhon Arias 42′ do 1ºT Palmeiras
David Duarte 14′ do 2ºT Bahia
Santiago Ramos Mingo (contra) 43′ do 2ºT Palmeiras
Cartões Amarelos Time
Luciano Juba Bahia
Jhon Arias Palmeiras
Giay Palmeiras
Khellven Palmeiras
Cartões Vermelhos Detalhe
Nenhum
Arbitragem Nome
Árbitro Lucas Casagrande (PR)
Assistente 1 Victor Hugo Imazu dos Santos (PR)
Assistente 2 Brígida Cirilo Ferreira (AL)
VAR Rodolpho Toski Marques (PR)
Escalação Bahia
Jogadores Léo Vieira; Acevedo, David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba; Caio Alexandre (Erick), Jean Lucas e Everton Ribeiro (Michel Araújo); Kike Olivera (Ademir), Erick Pulga (Dell) e Everaldo (Willian José).
Técnico Rogério Ceni
Escalação Palmeiras
Jogadores Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Arthur (Khellven); Marlon Freitas, Andreas Pereira, Allan (Felipe Anderson) e Jhon Arias (Sosa); Mauricio (Lucas Evangelista) e Flaco López (Luighi).
Técnico Abel Ferreira

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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