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Atlético-MG vence Athletico-PR na Arena MRV pela 10ª rodada do Brasileirão
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Em uma noite de domingo movimentada na Arena MRV, o Atlético-MG conquistou uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Athletico-PR, em partida válida pela décima rodada do Campeonato Brasileiro. Com gols de Reinier e Gustavo Scarpa, o Galo garantiu os três pontos, enquanto Julimar descontou para o Furacão nos momentos finais do confronto.
A vitória marca a segunda consecutiva do Atlético-MG na temporada, um feito inédito até então, impulsionando a equipe na classificação da liga.
O jogo
O time mineiro não demorou a mostrar sua força em casa. Logo aos seis minutos do primeiro tempo, em uma jogada bem trabalhada, Cuello serviu Hulk, cuja finalização foi bloqueada pela defesa. No rebote, Reinier não perdoou, chutando de primeira. A bola desviou e enganou o goleiro Santos, abrindo o placar para o Atlético-MG.
Apesar da vantagem inicial, o Athletico-PR buscou reagir. O Atlético-MG, por sua vez, quase ampliou a vantagem aos 39 minutos, quando Victor Hugo cruzou e Cello finalizou para boa defesa de Santos. Reinier pegou a sobra e arriscou novamente, mas a zaga paranaense conseguiu afastar a bola em cima da linha, mantendo a diferença mínima no placar antes do intervalo.
Segundo tempo
A etapa final começou com o Athletico-PR buscando mais o ataque, tentando a igualdade. Aos 13 minutos, o Atlético-MG ameaçou com Renan Lodi, que recebeu um lançamento em profundidade e chutou cruzado, mas Santos estava atento para defender. O Furacão respondeu aos 28, com Luiz Gustavo arriscando um chute colocado que passou perto da trave esquerda de Everson.
Aos 35 minutos, o Galo conseguiu respirar aliviado. O recém-entrado Gustavo Scarpa recebeu na entrada da área e finalizou com precisão. A bola desviou em Leozinho, dificultando a defesa e indo parar no fundo das redes, ampliando para 2 a 0. Pouco depois, Bernard chegou a fazer o terceiro para o Atlético-MG, mas o lance foi anulado por impedimento.
No entanto, o Athletico-PR não se deu por vencido. Aos 42 minutos, após cobrança de escanteio, Julimar subiu mais alto que a defesa e cabeceou para o gol, diminuindo a vantagem e dando um novo gás à equipe paranaense nos minutos finais, mas sem tempo para buscar o empate.
Impacto na tabela e próximos desafios
Com a vitória, o Atlético-MG alcançou 14 pontos e subiu da oitava para a décima colocação na tabela do Campeonato Brasileiro, consolidando sua ascensão após um início de temporada instável. Já o Athletico-PR, com a derrota, perdeu a chance de entrar no G4, caindo para o sexto lugar com 16 pontos.
Ambas as equipes terão compromissos importantes na sequência. O Atlético-MG viajará para a Venezuela para enfrentar o Puerto Cabello-VEN pela primeira rodada da Sul-Americana, na quarta-feira (08/04), às 23h (de Brasília). O Athletico-PR, por sua vez, retorna à Arena da Baixada para receber a Chapecoense pelo Campeonato Brasileiro, no domingo (12/04), às 11h (de Brasília).
FICHA TÉCNICA
| Atlético-MG 2 x 1 Athletico-PR | |
|---|---|
| Competição | Campeonato Brasileiro (décima rodada) |
| Local | Arena MRV, em Belo Horizonte (MG) |
| Data | 05 de abril de 2026 (domingo) |
| Horário | 17h30 (de Brasília) |
| Gols | Minuto | Time |
|---|---|---|
| Victor Hugo | 06′ do 1ºT | Atlético-MG |
| Gustavo Scarpa | 35′ do 2ºT | Atlético-MG |
| Julimar | 42′ do 2ºT | Athletico-PR |
| Cartões Amarelos | Time |
|---|---|
| Aguirre | Athletico-PR |
| Cartões Vermelhos | Detalhe |
|---|---|
| Nenhum |
| Arbitragem | Nome |
|---|---|
| Árbitro | Matheus Delgado Candançan (SP) |
| Assistente 1 | Neuza Inês Back (SP) |
| Assistente 2 | Alessandro Álvaro Rocha de Matos (BA) |
| VAR | Thiago Duarte Peixoto (SP) |
| Escalação | Atlético-MG |
|---|---|
| Jogadores | Everson; Natanael, Ruan, Vitor Hugo e Renan Lodi; Victor Hugo (Gustavo Scarpa), Tomás Perez (Cissé) e Alan Franco; Reinier (Bernard), Cuello (Dudu) e Hulk (Cassierra). |
| Técnico | Eduardo Dominguez |
| Escalação | Athletico-PR |
|---|---|
| Jogadores | Santos; Aguirre, Arthur Dias e Esquivel; Benavídez, Luiz Gustavo (Bruninho), Jadson (Portilla), Dudu (João Cruz) e Léo Derik (Leozinho); Mendoza (Julimar) e Viveros. |
| Técnico | Odair Hellmann |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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