Agricultura

Esmagamento recorde de soja sinaliza avanço da indústria e reposiciona o agro brasileiro

Publicado em

Agricultura

A indústria brasileira de soja deve atingir em 2026 o maior nível de processamento da história, com 61,5 milhões de toneladas, em um movimento que reforça a capacidade do país de avançar na agregação de valor e reduzir a dependência exclusiva da exportação de grãos in natura.

A projeção é da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e representa crescimento sobre as 58,7 milhões de toneladas esmagadas em 2025. O avanço sustenta a produção de derivados: são esperadas 47,4 milhões de toneladas de farelo e 12,35 milhões de toneladas de óleo, ampliando a participação de produtos industrializados na cadeia.

O desempenho ocorre em paralelo à manutenção da liderança brasileira nas exportações de soja em grão, estimadas em 111,5 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, o país amplia embarques de derivados, com previsão de 24,6 milhões de toneladas de farelo e 1,5 milhão de toneladas de óleo. Na prática, o Brasil passa a operar em duas frentes: segue como grande fornecedor global de matéria-prima, mas amplia gradualmente sua presença na exportação de produtos com maior valor agregado.

Os dados mais recentes indicam que esse movimento já está em curso. Em janeiro, o processamento somou 3,689 milhões de toneladas, alta de 8,9% na comparação anual, sinalizando resposta rápida da indústria diante da oferta elevada de soja e da demanda por derivados.

O avanço da industrialização ganha relevância em um momento de reconfiguração do comércio internacional. O acordo entre Mercosul e União Europeia tende a ampliar exigências e, ao mesmo tempo, abrir espaço para produtos com maior nível de processamento, reforçando a necessidade de o Brasil capturar mais valor dentro da própria cadeia.

Na avaliação do presidente do Instituto do Agronegócio (IA) Isan Rezende (foto), o crescimento do esmagamento representa uma mudança estrutural no papel do país no mercado global.

“O Brasil construiu sua competitividade na produção de commodities, mas chegou a um ponto em que precisa avançar na industrialização. Processar mais significa exportar menos volume bruto e mais valor, o que fortalece a economia e reduz vulnerabilidades”, afirma.

Segundo ele, a indústria de transformação é o elo que conecta produção agrícola a cadeias mais amplas. “Quando o país amplia o esmagamento, ele não está apenas aumentando números. Está abastecendo a proteína animal, fortalecendo o biodiesel e criando um ciclo econômico mais completo. Isso gera emprego, renda e estabilidade para toda a cadeia”, diz.

Rezende avalia que o ambiente internacional favorece essa transição, mas exige rapidez. “A tendência global é clara: mercados estão valorizando produtos com rastreabilidade, sustentabilidade e maior nível de processamento. O Brasil tem matéria-prima, tecnologia e escala. O que falta é acelerar esse movimento para não ficar preso ao papel de exportador de grãos”, afirma.

Para o produtor, o avanço do processamento tem impacto direto na comercialização. A maior demanda da indústria doméstica amplia opções de venda, reduz a dependência de portos e cria um ambiente mais competitivo na formação de preços. Em um cenário de margens pressionadas, essa diversificação pode fazer diferença no resultado final.

O recorde projetado pela Abiove, portanto, vai além da safra. Ele indica uma transição gradual do agro brasileiro — de fornecedor de commodities para um sistema produtivo mais integrado, com maior capacidade de capturar valor dentro da própria porteira.

Fonte: Pensar Agro

;

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Agricultura

Nova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas, estima Deral

Publicados

em

A primeira estimativa para a safra 2026/27, divulgada nesta quinta-feira (27.09), aponta uma nova expansão da produção de soja, com 22,64 milhões de toneladas previstas, crescimento de 4% em relação ao ciclo atual. O avanço deve ocorrer praticamente sem aumento da área plantada, sustentado principalmente pela expectativa de maior produtividade nas lavouras.

A projeção foi divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e coloca a produtividade como principal fator para o crescimento esperado na próxima temporada.

A área destinada à soja está estimada em 5,76 milhões de hectares, apenas 0,5% acima dos 5,73 milhões de hectares cultivados em 2025/26. Já o rendimento médio deve passar de 3.802 para 3.930 quilos por hectare, avanço de aproximadamente 3,4%.

Se a previsão se confirmar, serão quase 840 mil toneladas adicionais de soja sem uma expansão proporcional das lavouras. O resultado reforçaria um movimento importante para o produtor em um momento de margens mais apertadas, no qual elevar a produção por hectare tende a ser mais relevante do que simplesmente aumentar a área cultivada.

A estimativa parte de uma base já elevada. Para 2025/26, o Deral calcula produção de 21,80 milhões de toneladas, 3% superior às 21,14 milhões de toneladas colhidas em 2024/25. A projeção praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.

O desempenho da próxima temporada, entretanto, ainda dependerá principalmente do clima. A projeção inicial trabalha com condições consideradas normais de desenvolvimento, enquanto o plantio e as fases mais importantes para definição da produtividade ocorrerão ao longo dos próximos meses.

Milho verão mantém produção acima de 4 milhões de toneladas

Para o milho da primeira safra, a expectativa é de estabilidade. A produção está projetada em 4,10 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 1% abaixo dos 4,14 milhões de toneladas obtidos no ciclo atual.

A área, por outro lado, deve crescer 2%, passando de 365,7 mil para 373 mil hectares. A produtividade esperada é de 10.984 quilos por hectare.

O número chama atenção pelo elevado rendimento do milho verão, que permanece concentrado em uma área muito menor do que a ocupada pela segunda safra. A maior parte do milho paranaense é produzida depois da colheita da soja.

Na temporada 2025/26, o milho verão apresentou forte recuperação. As 4,14 milhões de toneladas representam crescimento de 36% em relação às 3,05 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.

A segunda safra de milho, atualmente em fase final, também recebeu uma revisão positiva. O Deral elevou sua estimativa de 17,05 milhões para 17,32 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 270 mil toneladas em relação à previsão de julho.

Mesmo com a revisão, o volume permanece 3% abaixo das 17,90 milhões de toneladas obtidas em 2024/25. A área cresceu 3%, para 2,917 milhões de hectares, mas a produtividade caiu de 6.317 para 5.940 quilos por hectare.

Trigo perde área e produção

O quadro é menos favorável para o trigo. A estimativa para a safra 2025/26 caiu para 2,37 milhões de toneladas, redução de 18% frente às 2,88 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A retração combina menor área e menor produtividade. O plantio recuou 11%, para 726,9 mil hectares, enquanto o rendimento médio está estimado em 3.259 quilos por hectare, ante 3.526 quilos na temporada passada.

A primeira fotografia da safra 2026/27, portanto, indica que a soja continuará ocupando praticamente a mesma área, mas poderá entregar uma produção maior. Para o produtor, o desafio será transformar o ganho esperado de produtividade em resultado financeiro num cenário em que custos de produção e preços recebidos continuam determinantes para a margem da atividade.

Fonte: Pensar Agro

;

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA