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Santos vence Remo por 2 a 0, deixa o Z-4 e ganha fôlego no Brasileirão

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O Santos conquistou uma vitória crucial na noite desta quinta-feira, superando o Remo por 2 a 0 na Vila Belmiro. O triunfo não só alivia a pressão sobre a equipe, mas também a tira da incômoda zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Os gols que garantiram os três pontos foram marcados por Thaciano e Moisés, um em cada etapa do confronto, com participação decisiva de Neymar em ambos os lances.

Sob o comando do técnico Cuca, esta é a primeira vitória do Peixe, que agora salta para a 12ª posição na tabela, somando dez pontos. Para o Remo, a situação é mais delicada, permanecendo na lanterna da competição com apenas seis pontos.

O Jogo

O primeiro tempo foi marcado por um futebol aguerrido, mas com pouca fluidez. O Santos enfrentou dificuldades para furar a bem postada defesa do Remo, que neutralizou as investidas ofensivas alvinegras nos 30 minutos iniciais. No entanto, a persistência santista foi recompensada na única oportunidade clara da etapa. Aos 39 minutos, a genialidade de Neymar se fez presente com um lançamento preciso para Thaciano, que dominou na área e finalizou com maestria na saída do goleiro Marcelo Rangel, abrindo o placar.

Na segunda etapa, o Remo teve a chance de igualar o marcador logo aos nove minutos. Picco aproveitou um erro de Gustavo Henrique na entrada da área e ficou cara a cara com Gabriel Brazão, mas chutou por cima do gol, desperdiçando a oportunidade de ouro. O Santos respondeu em seguida, aos 13 minutos, novamente com Neymar comandando a jogada, que lançou Moisés. O atacante invadiu a área pela esquerda e finalizou cruzado, mas Marcelo Rangel fez uma boa defesa, mantendo a diferença mínima.

A confirmação da vitória veio aos 36 minutos do segundo tempo. Em mais uma jogada arquitetada por Neymar, a bola foi enfiada para Escobar, que tocou para Moisés. Livre na grande área, o atacante bateu de primeira, sem chances para o goleiro do Remo, sacramentando o 2 a 0.

Próximos Desafios

Santos agora se prepara para um clássico fora de casa. Enfrentará o Flamengo pela 10ª rodada do Brasileirão no domingo, dia 5 de abril, às 18h30 (de Brasília), no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).

Remo terá outro confronto difícil contra o Grêmio, também no domingo, 5 de abril, às 20h30 (de Brasília), na Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS).

FICHA TÉCNICA
                                                                Santos 2 x 0 Remo
Competição Campeonato Brasileiro (9ª rodada)
Local Vila Belmiro, em Santos (SP)
Data 2 de abril de 2026 (quinta-feira)
Horário 19h (de Brasília)
Público 12.242 torcedores
Renda R$ 850.094,99
Cartões Amarelos Remo: Zé Ricardo, Zé Welison
Santos: Gustavo Henrique, Thaciano, Rony, Neymar
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem Árbitro: Savio Pereira Sampaio (DF)
Assistentes: Leila Naiara Moreira da Cruz (DF) e Daniel Henrique da Silva Andrade (DF)
VAR: Heber Roberto Lopes (SC)
Gols Thaciano (Santos), aos 39′ do 1ºT
Moisés (Santos), aos 36′ do 2ºT
Escalação Santos Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Oliva (João Schmidt), Gustavo Henrique (Willian Arão) e Neymar; Barreal (Moisés), Rony (Robinho Jr.) e Thaciano (Bontempo).
Técnico: Cuca
Escalação Remo Marcelo Rangel; Marcelinho, Tchamba, Marllon e Mayk; Zé Welison, Picco e Zé Ricardo (David Braga); Jajá (Yago Pikachu), Alef Manga (Diego Hernández) e Taliari (Poveda).
Técnico: Léo Condé

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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