Várzea Grande
Várzea Grande marca presença em treinamento para prevenir assédio no transporte coletivo
Várzea Grande
A programação contará com orientações práticas sobre formas de identificar e conduzir casos de violência e ainda, despertar a conscientização sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes
Com foco na segurança dos usuários e no enfrentamento ao assédio sexual, a Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (MTU) realiza, na próxima terça-feira (31), um treinamento voltado aos profissionais do transporte coletivo de Cuiabá e Várzea Grande. A capacitação acontece das 8h30 às 11h30, no auditório do SEST SENAT, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, reunindo trabalhadores que atuam diretamente no atendimento à população.
O encontro tem como objetivo preparar motoristas, monitores e demais colaboradores para identificar, prevenir e agir diante de situações de assédio e importunação sexual dentro de ônibus, estações e terminais. A iniciativa também busca fortalecer uma cultura de respeito e acolhimento às vítimas, ampliando a segurança no sistema de transporte público.
Para o secretário de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, Gerson Scarton, que vai participar do evento, “o treinamento promovido pela MTU é extremamente importante para o momento que vivemos, em que o enfrentamento à violência sexual precisa ser tratado com responsabilidade e prioridade. Iniciativas como essa fortalecem a segurança no transporte coletivo e mostram que não podemos nos omitir diante desse problema. É fundamental destacar que essa responsabilidade é de todos, mas especialmente dos profissionais que estão diariamente em contato com a população. Ao investir na capacitação, damos mais um passo para melhorar a qualidade do serviço, garantindo mais segurança, respeito e conforto aos usuários de Cuiabá e Várzea Grande.”
A programação contará com orientações práticas da psicóloga Aijalene dos Santos, que abordará formas de identificar e conduzir casos de violência, além da participação da engenheira de segurança do trabalho Cleri Maróstica, com foco na conscientização sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes.
O evento reúne autoridades municipais e estaduais ligadas à mobilidade urbana, segurança pública e políticas para as mulheres. A Prefeitura de Várzea Grande participa por meio da Secretaria de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, além da área de políticas públicas para mulheres, reforçando o compromisso do município com ações de prevenção e proteção.
Atualmente, o sistema que atende Cuiabá e Várzea Grande conta com cerca de 899 motoristas e mais de 120 profissionais entre monitores e promotores, evidenciando a importância da qualificação contínua para garantir um atendimento mais seguro e humanizado.
A capacitação integra uma série de ações permanentes da MTU, como campanhas educativas, distribuição de cartilhas informativas, instalação de QR Codes em ônibus e terminais com acesso a canais de denúncia, além do cumprimento da Lei da Parada Segura, que permite o desembarque de mulheres fora dos pontos fixos no período noturno.
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Entre lágrimas, abraços e esperança: Histórias de quem dedica a vida ao cuidado da população
“Eu saí no quintal para chorar”. A frase simples, dita pela Agente Comunitária de Saúde, Francisca dos Santos Barata, carrega quase duas décadas de dedicação ao cuidado com o próximo. Aos 70 anos, Francisca revive na memória uma das cenas mais marcantes da sua trajetória: a visita a uma moradora encontrada debilitada, sozinha, desidratada e tomada por piolhos dentro da própria casa, na região do Capão Grande.
Agente Comunitária de Saúde da Unidade Maria José Pedrosa, do bairro Capão Grande, desde 2007, Francisca lembra que, ao ver a situação da paciente, sentiu o coração apertar. Voltou ao local junto com a enfermeira-chefe da unidade, e juntas, iniciaram um verdadeiro mutirão de cuidado humano. Deram banho na paciente, limparam a casa, providenciaram roupas e lençóis e passaram a acompanhá-la constantemente.
“Eu peguei roupa da minha casa para ajudar ela. A gente acompanhava, fazia visitas, conversava. Ela estava em depressão por problemas familiares”, relembra emocionada.
O cuidado contínuo mudou a vida da moradora, que conseguiu superar o quadro de abandono e reconstruir a própria história. Hoje vivendo no Rio Grande do Sul, ela mantém contato frequente com Francisca e costuma repetir uma frase que emociona a agente até hoje: “Se não fosse você, eu não estaria viva”.
Histórias como essas mostram que a rotina dos agentes vai muito além das visitas domiciliares. É um trabalho silencioso, diário e profundamente humano.
CATEGORIA VALORIZADA – No último dia 25, a Prefeitura realizou a posse de 48 Agentes de Combate às Endemias e de 86 Agentes Comunitários de Saúde. A efetivação dos profissionais foi possível após uma articulação inédita conduzida pela prefeita Flávia Moretti (PL), junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que autorizou a incorporação dos ACS e ACE ao regime estatutário, tornando Várzea Grande o primeiro município do estado a cumprir a Lei Federal nº 14.536/2023 e servindo de referência na valorização e reconhecimento desses profissionais.
Entre os profissionais empossados também estava Suzana Nádia Romão, Agente de Combate às Endemias que iniciou a carreira aos 19 anos e hoje soma 24 anos de atuação. “É um momento de vitória, inexplicável, sem palavras. Só quero agradecer”, disse emocionada durante a cerimônia.
Mas foi ao lembrar de uma história vivida há 16 anos que Suzana traduziu o tamanho do vínculo criado com a comunidade ao longo da profissão.
Ela conta que uma colega de trabalho havia sido vítima de feminicídio. A notícia se espalhou rapidamente e chegou até uma antiga área onde Suzana atuava. No horário de almoço, uma moradora apareceu desesperada na frente da casa dela, pedalando uma bicicleta.
“Ela gritava no meu portão. Quando eu apareci, ela jogou a bicicleta no chão e veio me abraçar com as mãos tremendo, geladas. Ela dizia: ‘Ô minha baixinha, não foi você? Achei que era você que aquele homem tinha matado’”, relembra.
Naquele instante, Suzana chorou junto com a moradora. “Ali eu tive a confirmação de que estava exercendo a profissão que Deus preparou para mim. Eu percebi que estava deixando um legado por onde passava, criando vínculos não só profissionais, mas humanos”, disse.
As histórias de Francisca e de Suzana representam a realidade de centenas de agentes que enfrentam sol, chuva, distância e dores sociais diariamente para garantir dignidade, prevenção e acolhimento à população.
Mais do que profissionais da saúde pública, eles se tornaram presença constante na vida de milhares de famílias — muitas vezes sendo o primeiro abraço, o primeiro cuidado e a primeira esperança dentro de uma casa que não é a deles.
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