Mato Grosso
MP leva diálogo sobre violência de gênero à Águas Cuiabá
Mato Grosso
O projeto “Por Elas e Por Nós: Diálogo Masculino”, desenvolvido pelo Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, do Ministério Público, promoveu, na manhã desta sexta-feira (20/03), um encontro com 45 trabalhadores da área operacional da concessionária Águas Cuiabá. A empresa é a primeira de outras organizações programadas para receber, ao longo deste ano, o diálogo masculino sobre violência de gênero contra a mulher. O projeto teve início em novembro de 2025, durante os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, período em que também foram realizados encontros nas empresas Carvalima, Nova Rota Oeste e Energisa Mato Grosso. A iniciativa objetiva fomentar a reflexão sobre o papel dos homens na prevenção e no enfrentamento à violência contra a mulher, por meio de diálogos com o público masculino acerca das masculinidades, das emoções e da construção de relações pautadas no respeito e na empatia. A abordagem contempla, ainda, os impactos dos padrões de masculinidade tóxica, tanto sobre a saúde dos homens – mais expostos ao suicídio – quanto sobre as mulheres, frequentemente submetidas a diversas formas de violência em relações abusivas, cujos efeitos se estendem aos filhos e a todo o núcleo familiar. O diretor operacional da empresa, Lucas Alves, destacou a parceria com o Ministério Público para o desenvolvimento contínuo de ações no âmbito organizacional e da responsabilidade social voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. Segundo ele, a atividade possibilitou uma abordagem aberta e prática sobre o machismo e os comportamentos cotidianos, contribuindo para o fortalecimento de uma cultura organizacional pautada no respeito e na equidade. “Gostaria de agradecer a todas as pessoas envolvidas no programa e ao Ministério Público por essa parceria com a Águas Cuiabá, que contribui para o nosso desenvolvimento contínuo nesse tema”, afirmou. Na mesma linha, o colaborador Daniel Lopes enfatizou a importância do debate e da conscientização. Segundo ele, o que mais lhe chamou a atenção foram os elevados índices de violência contra a mulher em Mato Grosso, estado que atualmente ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de feminicídios. Para ele, a atividade evidenciou a necessidade de enfrentamento ao machismo estrutural e de promoção de mudanças culturais, especialmente ao respeito à autonomia das mulheres e à corresponsabilidade dos homens na construção de relações mais igualitárias e na promoção do bem-estar familiar. O supervisor de manutenção da Águas Cuiabá, Remir Mamede Araújo, avaliou a ação como esclarecedora, destacando a contextualização histórica apresentada durante a atividade e a importância da mudança de mentalidade como um processo contínuo, que deve partir do indivíduo e alcançar o coletivo. Ressaltou, ainda, que iniciativas dessa natureza contribuem para a conscientização e para o fortalecimento de práticas preventivas no enfrentamento à violência contra as mulheres. “Palestras e treinamentos são fundamentais para esclarecer e sensibilizar, inclusive aqueles que não apresentam comportamentos violentos. Com certeza, contribuem para mitigar e até eliminar todas as formas de violência contra as mulheres”, afirmou. A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra destacou a continuidade do projeto e a relevância do diálogo com o público masculino. Segundo ela, a atividade foi marcada por ampla participação e troca de experiências, evidenciando o interesse dos participantes na temática. “Foi uma manhã de bastante discussão e aproveitamento. E é exatamente essa a proposta do projeto, fortalecer ações preventivas, ampliar o conhecimento sobre a violência de gênero e incentivar a atuação ativa dos homens na construção de uma cultura de respeito e na redução dos índices de violência contra a mulher”, disse.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Mato Grosso
Comarca de Pontes e Lacerda debate prevenção ao extremismo nas escolas
A prevenção ao extremismo violento nas escolas exige atuação integrada entre instituições, compartilhamento de informações e fortalecimento dos vínculos humanos. Com esse propósito, a Comarca de Pontes e Lacerda realizou, na quinta-feira (25), um encontro que reuniu representantes do Poder Judiciário, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da Polícia Judiciária Civil, gestores da educação e integrantes da rede de proteção para discutir estratégias de prevenção à violência no ambiente escolar.
O evento, realizado no plenário do Fórum, foi um desdobramento do encontro promovido em maio, em Cuiabá, sobre o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). A iniciativa integra um projeto voltado à identificação de processos de radicalização, ao intercâmbio de experiências entre as forças de segurança e à prevenção da violência por meio da Justiça Restaurativa.
As palestras foram ministradas pelo assessor de Relações Institucionais do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Rauny José da Silva Viana, por um representante da Abin em Mato Grosso e pelo delegado da Polícia Judiciária Civil Sued Dias da Silva Júnior.
Durante o encontro, os especialistas apresentaram o processo de radicalização de possíveis autores de ataques e destacaram a importância da integração entre escolas, órgãos de inteligência e forças de segurança para identificar sinais de risco e agir preventivamente.
Para a juíza da Comarca de Pontes e Lacerda, Djéssica Küntzer, a iniciativa amplia o conhecimento dos profissionais que atuam diretamente com crianças e adolescentes.
“O evento foi pensado em conjunto pelo Poder Judiciário, a Abin e a Polícia Judiciária Civil, justamente para discutir a violência nas escolas sob a perspectiva do extremismo. Nas explanações foram apresentadas experiências, dados e reflexões para professores, gestores, equipes que atuam com a infância e juventude e demais autoridades, permitindo que todos possam identificar sinais, buscar ajuda e saber como agir diante de situações de risco”, afirmou.
Muito antes da violência
Na palestra “Círculos de Construção de Paz como Estratégia de Desmobilização da Violência Extrema nas Escolas”, Rauny Viana defendeu que medidas de segurança são importantes, mas, isoladamente, não impedem que um adolescente decida cometer um ataque.
“Primeiro o adolescente perde o pertencimento. Depois perde os vínculos. Depois perde a esperança. Então encontra alguém que o compreende, uma comunidade, uma narrativa, um inimigo e, por fim, uma justificativa para a violência. Os Círculos de Construção de Paz atuam justamente antes desse processo se consolidar, fortalecendo relações, promovendo escuta qualificada e reconstruindo o senso de pertencimento”, explicou.
Ele também informou que os Círculos de Construção de Paz foram retomados em Pontes e Lacerda e que novos facilitadores estão sendo capacitados com apoio do NugJur.
Integração para prevenir
O superintendente da Abin em Mato Grosso, Felipe Midon, destacou que a prevenção depende da união entre instituições e comunidade.
“É uma honra para a Abin participar de um debate tão importante para a população de Pontes e Lacerda. Estar ao lado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, das forças de segurança e dos profissionais da educação aponta caminhos para fortalecermos a prevenção contra ataques violentos em escolas e, também, para construirmos novos círculos de paz.”
Cenário nacional
O encontro também apresentou dados que evidenciam a importância das ações preventivas. Em 2025, o Brasil registrou três ataques a escolas, com duas mortes e oito feridos. No mesmo período, 280 ameaças foram identificadas e 22 ataques foram impedidos graças à atuação integrada da comunidade de inteligência, das forças de segurança e da comunidade escolar.
Entre os casos recentes está o ataque ocorrido em maio deste ano, quando um adolescente de 13 anos utilizou a arma do padrasto (advogado com registro de CAC) para atirar contra alunos e funcionários de uma escola. Duas mulheres morreram, e o autor teve a internação provisória decretada pela Justiça.
Os dados também mostram que a violência em instituições de ensino cresceu de forma significativa nos últimos anos: cerca de 64% dos ataques registrados desde o início dos anos 2000 ocorreram apenas nos três anos mais recentes. O pico foi em 2023, com 12 ataques com vítimas. Em 2024 foram registrados cinco casos, enquanto as ações de prevenção seguem sendo fortalecidas.
Estudos do Instituto Sou da Paz apontam ainda que o uso de armas de fogo dobra o potencial letal dos ataques em comparação com armas brancas, reforçando a importância da prevenção precoce e da atuação integrada entre escolas, famílias e instituições públicas.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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