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Grêmio bate Atlético-MG de virada e afunda Galo no Z4
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O Grêmio mostrou resiliência e inteligência para aproveitar a vantagem numérica ainda no primeiro tempo e garantiu uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-MG, na noite desta quarta-feira, na Arena do Grêmio, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Erick Noriega e Marlon marcaram os gols da virada gremista, enquanto Victor Hugo balançou as redes para os visitantes, que amargam mais um resultado negativo na competição.
O triunfo leva o Grêmio à oitava posição, com sete pontos, embalado para o clássico Gre-Nal que decide o Campeonato Gaúcho no domingo. Do outro lado, o Atlético-MG vive momento delicado: com apenas dois pontos, ocupa a 16ª colocação e ainda não sabe o que é vencer no Brasileirão — um jejum que já dura quatro jogos e acende o alerta no elenco comandado por Gabriel Milito.
Expulsão relâmpago muda a história do jogo
A partida mal havia esquentado quando um lance polêmico definiu os rumos do confronto. Aos 16 minutos, o lateral Natanael deu uma entrada forte em Marlon e recebeu o cartão amarelo do árbitro. Mas o VAR chamou atenção para a gravidade do lance, e após revisão, a punição mudou: cartão vermelho direto para o jogador do Galo. O Atlético-MG ficaria com um homem a menos por quase 80 minutos.
Na cobrança de falta do lance seguinte, Pavón arriscou e obrigou Éverson a fazer boa defesa. Apesar da vantagem numérica, o Grêmio não conseguiu transformar o domínio territorial em chances claras até o intervalo. A etapa inicial terminou com mais posse de bola do time da casa, mas pouca efetividade ofensiva.
Segundo tempo de virada e golaço
O panorama mudou drasticamente na volta do intervalo. Aos cinco minutos, o Grêmio finalmente furou o bloqueio atleticano. Após escanteio curto, Marlon levantou na área e encontrou Erick Noriega, que testou firme no chão para abrir o placar: 1 a 0.
A resposta do Atlético-MG foi imediata e cirúrgica. Aos 11, Éverson lançou Victor Hugo, que ganhou a disputa com o zagueiro e, com um toque sutil, encobriu Weverton para empatar a partida em um lance de extrema categoria. Era o gol de quem, mesmo com um a menos, não se entregava.
Mas o Grêmio tinha mais gás e, principalmente, mais espaço. Aos 20 minutos, Nardoni serviu Marlon na intermediária, e o camisa 13 soltou um verdadeiro “pombo sem asa” — um chute despretensioso que traiu Éverson e morreu no fundo das redes. Golaço para recolocar o Tricolor na frente.
Aos 30, Carlos Vinícius quase ampliou de cabeça, mas parou em defesa de Éverson. Aos 44, o atacante até balançou as redes novamente, mas o bandeirinha já havia assinalado impedimento. O placar final ficou mesmo em 2 a 1, para alívio da torcida gremista que lotou a Arena.
Clássico decisivo no horizonte
O resultado dá fôlego ao Grêmio para o maior desafio da temporada até aqui. No domingo (1º), às 18h, a equipe de Renato Portaluppi encara o Internacional na final do Campeonato Gaúcho, novamente na Arena. A vitória sobre o Galo serve como preparação e moral para o Gre-Nal que vale taça.
Pelo lado atleticano, o cenário é de preocupação. No sábado (28), às 18h, o Galo visita o América-MG na Arena Independência pela semifinal do Campeonato Mineiro. Mais do que a classificação, o time precisa urgentemente de uma vitória para estancar a crise e recuperar a confiança no Brasileirão.
FICHA TÉCNICA
GRÊMIO 2 x 1 ATLÉTICO-MG
Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Data: 25 de fevereiro de 2026 (quarta-feira)
Horário: 21h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos: Juan Nardoni (Grêmio), Pavón (Grêmio), Gabriel Mec (Grêmio), Carlos Vinícius (Grêmio)
Cartões vermelhos: Natanael (Atlético-MG)
Arbitragem
- Árbitro: Raphael Claus (SP)
- Assistentes: Alex Ang Ribeiro (SP) e Evandro de Melo Lima (SP)
- VAR: Jose Claudio Rocha Filho (SP)
Gols
- Erick Noriega, aos 6′ do 2ºT (Grêmio)
- Victor Hugo, aos 11′ do 2ºT (Atlético-MG)
- Marlon, aos 21′ do 2ºT (Grêmio)
Grêmio
Weverton, Pavón (João Pedro), G. Martins, Viery e Marlon; Erick Noriega, Enamorado (Roger), Gabriel Mec (Dodi), Juan Nardoni (Jefinho) e Amuzu; Carlos Vinícius.
Técnico: Luís Castro
Atlético-MG
Everson, Renan Lodi, Vitor Hugo (Cassierra), Ruan e Natanael; Maycon, Alan Franco e Gustavo Scarpa (Cissé); Cuello (Dudu), Victor Hugo (Alan Minda) e Hulk (Reinier).
Técnico: Lucas Gonçalves
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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