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Corinthians conquista vaga nas semifinais do Paulistão em drama eletrizante 

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Em uma noite de tirar o fôlego no Canindé, o Corinthians assegurou sua classificação para as semifinais do Campeonato Paulista após um empate heróico por 1 a 1 com a Portuguesa e uma disputa de pênaltis dramática, vencida por 8 a 7. O grande nome da partida foi o goleiro Hugo Souza, que, além de defender uma penalidade no tempo regulamentar, brilhou ao parar mais duas cobranças decisivas na marca da cal.

A partida começou com a Lusa mostrando mais ímpeto. Aos 15 minutos, Zé Vitor iniciou uma jogada perigosa, e Maceió ficou cara a cara com Hugo Souza, que fez uma defesa crucial com a ponta dos dedos, evitando o gol adversário. Pouco depois, aos 23, um erro da defesa corintiana resultou em pênalti para a Portuguesa. Renê cobrou, mas Hugo Souza se esticou e defendeu sua 12ª penalidade vestindo a camisa alvinegra, mantendo o placar inalterado e incendiando a torcida.

Apesar das defesas de Hugo, a Portuguesa abriu o placar aos 37 minutos, após um vacilo de Raniele. O volante do Corinthians tentou afastar a bola, mas acabou entregando-a perto da área. Renê, oportunista, venceu a disputa com André Ramalho e rolou para Zé Vitor, que, com um chute potente de fora da área, estufou as redes sem chances para o goleiro corintiano. O Timão, que havia criado uma chance perigosa com Memphis Depay aos 30 minutos, foi para o intervalo em desvantagem.

No segundo tempo, a Portuguesa manteve a pressão inicial e quase ampliou com João Vitor. O Corinthians, por sua vez, buscou a reação com as alterações promovidas pelo técnico Dorival. Aos 28 minutos, Pedro Raul teve uma oportunidade de ouro, mas finalizou mal, desperdiçando a chance de empatar.

Quando a vitória da Lusa parecia selada, a persistência alvinegra foi recompensada nos acréscimos. Aos 47 minutos, Vitinho recebeu um lançamento preciso, dominou com categoria e, com um chute forte, igualou o marcador, levando a decisão para os pênaltis e explodindo a torcida corintiana.

Na emocionante disputa por pênaltis, Hugo Souza se agigantou novamente, realizando defesas espetaculares que garantiram a vitória por 8 a 7 e a vaga do Corinthians na próxima fase do Campeonato Paulista.

Próximos confrontos

Com a classificação garantida, o Corinthians enfrentará o Novorizontino nas semifinais, equipe que surpreendeu ao eliminar o Santos. A partida será em jogo único, com o time do interior paulista exercendo o mando de campo.

Do outro lado da chave, teremos um clássico imperdível: São Paulo x Palmeiras, com o Alviverde atuando como mandante no Choque-Rei. As semifinais prometem emoção e grandes duelos pelo Campeonato Paulista.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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