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Palmeiras empata com Guarani e enfrentará o Capivariano nas quartas do Paulistão

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O Palmeiras encerrou sua participação na fase de grupos do Campeonato Paulista com um empate em 1 a 1 contra o Guarani, na noite deste domingo, na Arena Crefisa Barueri. Em um jogo movimentado pela oitava e última rodada, o Verdão saiu atrás do placar com gol de Lucca, mas buscou a igualdade com Flaco López, assegurando sua posição como segundo colocado geral na tabela, com 16 pontos.

O resultado, embora não tenha sido uma vitória, garantiu ao Palmeiras a vantagem de jogar em casa nas quartas de final, onde enfrentará o Capivariano. Para o Guarani, o empate e a combinação de outros resultados não foram suficientes para a classificação. O Bugre terminou a fase em nono lugar, com 12 pontos, ficando fora da zona de classificação e vendo o Santos avançar no critério de desempate.

O Jogo

A partida começou com o Palmeiras buscando impor seu ritmo, mas foi o Guarani quem abriu o marcador. Após uma perda de posse de Flaco López no campo de defesa palmeirense, Lucca arriscou um chute de longe. O goleiro Carlos Miguel defendeu parcialmente, e no rebote, Kauã Jesus chutou novamente, forçando outra defesa do arqueiro. Na sobra, Lucca não perdoou e mandou para o fundo das redes.

Apesar do revés, o Verdão não se abalou e buscou a reação. Giay teve uma boa oportunidade que parou em Mauricio Antônio, e Sosa cobrou uma falta perigosa. Flaco López e Mauricio também testaram o goleiro Caíque França, que fez defesas importantes para manter a vantagem do Bugre. Emiliano Martínez e Sosa também levaram perigo, mas o gol de empate teimava em não sair. O Guarani, por sua vez, quase ampliou com Lucca, que finalizou com perigo.

O segundo tempo trouxe um Palmeiras ainda mais ofensivo e um Guarani determinado a segurar o resultado. Kauã Jesus quase marcou o segundo para o Bugre logo no início da etapa final, mas Carlos Miguel fez a defesa. O Verdão respondeu com Flaco e Vitor Roque, que tiveram chances de empatar. A pressão palmeirense era constante, com Allan e Vitor Roque exigindo mais uma vez a intervenção de Caíque França.

A persistência do Palmeiras foi recompensada aos 31 minutos. Em jogada trabalhada, Felipe Anderson tocou para Bruno Fuchs, que levantou a bola na área. Sosa ajeitou de cabeça para Flaco López, que, de primeira, finalizou com precisão para deixar tudo igual na Arena Crefisa Barueri. Nos minutos finais, o Palmeiras ainda teve a chance de virar, com Vitor Roque acertando a trave e Caíque França fazendo mais uma grande defesa em chute do atacante, mas o placar permaneceu inalterado.

Próximos desafios

Com a classificação garantida, o Palmeiras agora foca no mata-mata do Campeonato Paulista, onde enfrentará o Capivariano em data e horário ainda a serem definidos, novamente na Arena Crefisa Barueri. Antes, terá um compromisso pelo Campeonato Brasileiro, enfrentando o Fluminense em casa, no dia 25 de fevereiro de 2026, às 21h30 (de Brasília).

Já o Guarani muda o foco para a Copa do Brasil. A equipe campineira terá pela frente o Castanhal, pela segunda fase da competição, no dia 24 de fevereiro de 2026, às 21h (de Brasília).

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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